O REPLICADOR

Junho 30 2011


 

“Credit expansion can bring about a temporary boom. But such a fictitious prosperity must end in a general depression of trade, a slump.” – Ludwig Von Mises

 

            Dentro das teorias explicativas do ciclo económico tem vindo a sobressair uma estrela ascendente, a teoria do ciclo económico austríaco. Primeiramente estatuída por Ludwig Von Mises[1] nos primórdios do século XX, esta teoria tem vindo a ser trabalhada pelos grandes nomes da escola tais como o prémio Nobel Friedrich Hayek[2],  Murray Rothbard[3] e, mais recentemente, o académico espanhol Huerta de Soto[4].

 

            Perante as crescentes dúvidas quanto às capacidades dos bancos centrais, nomeadamente a reserva federal, serem capazes de prever, processar e resolver as crises sistémicas esta construção teórica tem vindo a aumentar de importância na interpretação do fenómeno dos ciclos económicos. Não só o número de publicações associadas à mesma tem aumentado, sendo de frisar o best seller do New York Times “Meltdown”, como a atenção pública a esta abordagem tornou-se mais notória.

 

           Os membros mais proeminentes da escola austríaca como Thomas Woods e Robert Murphy, membros do Mises Institute, têm assim embarcado em discussões com economistas neo-keynesianos proeminentes, nomeadamente Paul Krugman, sobre a interpretação dos acontecimentos da crise actual.

 

            A perspectiva austríaca trata a questão como uma dinâmica criada pela extensão do crédito através de criação de moeda bancária, empréstimos dos bancos centrais ou taxas de juro artificialmente baixas. Basicamente qualquer medida que incremente a quantidade de dinheiro fiduciário disponível para crédito. A tese de que os ciclos são “naturais” ao capitalismo é rapidamente descartada. Os economistas da escola austríaca consideram que sendo o capitalismo um processo permanente de selecção, através da competição, dos actores económicos uma falha sistémica é altamente improvável. É como se os melhores  médicos deste mundo falhassem todos as operações no mesmo ano. Consequentemente centram-se nas distorções na informação económica como base explicativa.

 

            O processo começa, como referi, com a inserção de “dinheiro novo” nos bancos, através da acção do respectivo banco central. Isto afecta primeiramente as taxas de juro que, para os austríacos, são uma variável dependente, não independente. A taxa de juro, considerações por parte dos empreendedores quanto a cada empréstimo específico à parte, corresponde à diferença na valorização dos bens presentes contra os bens futuros por parte dos agentes económicos.

 

            Se queremos consumir mais prontamente, restringimos as nossas poupanças, aumentamos a compra de bens de consumo e, consequentemente, o capital para empréstimo começa a escassear, o que causa um aumento das taxas de juro. Isso, e o aumento do consumo, sinaliza aos empreendedores que devem apostar em empreendimentos a curto prazo, menos custosos e, provavelmente, menos produtivos; que estão mais perto, temporalmente, da fase de consumo. O que interessa, perante a alta do consumo, é por os bens no mercado, não produzir ou comprar bens de capital. Processos mais demorados que poderiam incluir, por exemplo, nova maquinaria, novos espaços, treino de pessoal etc, são descartados pois os fundos escasseiam.

 

           Por outro lado, se restringimos as nossas compras e pouparmos mais, baixam os preços dos bens de consumo, durando mais tempo o nosso stock disponível. Isto aumenta os fundos para empréstimo e, por isso, as taxas de juro baixam e a procura de bens de capital aumenta. A baixa nos preços dos bens de consumo resultam assim numa transferência de factores de produção para a produção de bens de capital. O facto de estarem mais fundos disponíveis dá margem de manobra aos empreendedores para investirem em processos mais produtivos e custosos, muitos deles mais afastados temporalmente do consumo, por exemplo a produção de bens de capital, matérias primas, automóveis ou imóveis.

 

            Estas orientações têm em conta as preferências do consumidor, uma sociedade que poupa mais terá mais recursos no futuro, pois o seu PIB potencial aumenta mais rapidamente. Os consumidores têm os recursos postos de parte para comprar estes bens mais caros, porque assim orientaram as suas preferências entre o passado e o futuro. Se somos mais “consumistas” a curto prazo, a economia desenvolve-se menos, derivado de menos fundos disponíveis para investimento, logo os processos de produção não são genericamente tão complexos, centram-se em bens menos dependentes de largos investimentos e, por isso, o factor capital não se vê tão desenvolvido, significando um PIB potencial mais baixo.

            Quando esta complexa instituição da economia de mercado se vê alterada pelo Estado todo este processo se descoordena tendo consequências graves para a estrutura económica. Estas consequências têm de ver com a não neutralidade do dinheiro, ou seja, os acrescentos à massa monetária têm canais de entrada na economia específicos e, logo, não afectam todos os preços ao mesmo tempo. Se a afectação se desse simultaneamente não existiria um boom para começar.

 

            Basicamente, a baixa nas taxas de juro inicia o mesmo processo que um aumento na poupança e, no entanto, não se dando uma baixa no consumo não liberta os recursos dedicados à produção de bens de consumo presentes para os novos investimentos. Os preços, derivados da expansão monetária, ficam distorcidos e a produção torna-se cada vez menos dependente do consumidor e mais da irresponsável abundância de capital, criando uma estrutura artificial. Investimentos que a uma taxa de juro definida pelo mercado não seriam executados são prontamente iniciados, e a economia entra numa fase de expansão.

 

            Toda a gente pede mais dinheiro emprestado, o crédito para empresários e consumidores alarga-se e existe um optimismo florescente com as altas de preço. Os salários aumentam perante a pressão dos investimentos, arrastando os bens de consumo, que acompanham a alta. Isto adicionado à expansão creditícia vai significar que a produção de bens de capital vai escassear, concentrando-se os disponíveis à volta da bolha emergente, daí os usos valorizados pelos consumidores sofrerem. Os preços dos bens de consumo, sobre pressão da procura acrescida,  não permitem a criação de bens de capital suficientes para a expansão exponencial do investimento.

 

            Existem dois fins possíveis para este processo, ou entramos num processo hiperinflacionário no qual as poupanças se vêm convertidas em bens e a moeda perde qualquer valor, ou, a determinado ponto, existe uma contracção no crédito disponível que causa o fim da torrente e rebenta a bolha que entretanto se criou. Os empresários, quando começaram os seus investimentos, tomaram em conta os preços aos quais estavam habituados e calcularam os seus empreendimentos com base nos mesmos. Quando os preços dos factores de produção começam a subir haverá, certamente, algum desconforto mas como os preços dos bens de consumo continuam a aumentar o mesmo é descartado. O que é um investimento sustentável ou não é indiscernível. Todos, devido às leis da concorrência, se sentem impelidos a investir sob pena de os seus competidores levarem a melhor. Tristemente, sem as poupanças adequadas é impossível criar os meios para garantir a rentabilidade da maior parte dos investimentos executados. Quando a taxa de juro finalmente sobe a escassez real é revelada, e enquanto aqueles que colectaram os seus lucros ficaram a ganhar, os outros, ainda longe da rentabilização dos seus investimentos, ficam sem os fundos necessários e uma crise instala-se.  Não havia, simplesmente, recursos para completar os projectos aos níveis de preço previstos.

 

            Quando se dá este choque temos uma economia estruturada à volta de uma bolha (em 2008 devido aos encorajamentos institucionais foi imobiliária) na qual recursos escassos foram desperdiçados repetidamente resultando na perda de capital não convertível e entregando o tecido económico a um profundo reajustamento. A não utilização de recursos durante esta fase de reestruturação resulta, obviamente, numa redução da qualidade de vida. Novas poupanças terão de ser criadas para compensar o capital destruído e os cidadãos, perdidos no caos, sofrerão economicamente com as mudanças no mercado laboral. Toda a riqueza aparente se destroça.

 

            A reacção do Estado perante esta realidade é, normalmente, a menos apropriada. Tenta reparar os estragos derivados das baixas taxas de juro… com taxas de juro ainda mais baixas. Os bancos envolvidos em investimentos demasiado arriscados são resgatados pelo governo, criando uma lógica de irresponsabilidade. Pedidos de resgate aos quais se seguem os de muitas mais indústrias, apanhadas na reconversão. Assim, os usos não produtivos de recursos são sustentados pelo contribuinte em nome da ameaça do risco sistémico, mais, são usados para manter uma estrutura económica pouco apropriada aos seus desejos. Os empreendimentos que são viáveis vêm-se privados de recursos atrasando a recuperação e as “empresas zombie” mantêm um enorme peso morto sobre a economia.

 

            A herança com a qual ficamos é “mais regulação”, significando provavelmente empecilhos desnecessários ao mercado livre, uma dívida crescente, e uma classe empreendedora irresponsável e dependente do Estado, o qual subverte permanentemente o saudável funcionamento da economia. Já para não esquecer, a nova bolha, vicissitude da solução apresentada ao problema. Tal como a bolha dot com deu o ónus à criação da bolha imobiliária, esta bolha, se não mudarmos de políticas, dará origem a uma outra. Com consequências cumulativas para o bem estar humano, representando crises económicas e sociais cada vez mais insustentáveis.

 

            A principal solução a tomar para não repetir os erros do passado é, como refere o congressista Ron Paul, candidato libertário às primárias republicanas, parar com a artificialização das taxas de juro e com os incentivos políticos na economia. A melhor maneira de garantir uma acumulação de capital crescente e logo uma economia mais rica e eficiente remete para poupanças e preços de mercado reais, garantidos por uma massa monetária estável.



[1] Ludwig Von Mises (1881-1973) foi o principal responsável pela revitalização da escola austríaca de economia após o advento do Keynesianismo. No que toca ao tratamento da temática dos ciclos económicos é necessário referir as seguintes obras: “The Theory of Money and Credit” (1912), no qual inicia a teorização, e a sua obra prima “Human Action: A Treatise on Economics” (1949) onde apresenta uma versão mais sucinta, madura e enquadrada da sua teoria.

[2] Friedrich Hayek (1899-1992) foi prémio Nobel da economia. Produziu um vário espólio de escritos sobre filosofia política, economia política e teoria económica. A sua principal obra é o livro “Road to Serfdoom”, uma fantástica obra que relaciona o estatismo e o atacar das liberdades económicas como caminho para o fim das liberdades civis.

[3] Murray Rothbard (1926-1995) foi um autor e economista da escola austríaca e o fundador do anarco-capitalismo moderno. Seguindo os passos do seu mentor Ludwig Von Mises, um utilitarista, chegou a conclusões bastante diferentes, defendendo a existência de uma lei natural.

[4] Huerta de Soto (1956-) é professor catedrático de economia na Universidade Juan Carlos I em Madrid, colaborador do Mises Institute e da Mont Pelerin Society. É um dos principais expoentes europeus da escola austríaca de economia.


Junho 02 2011

Escrevo este texto de forma a ser uma referência para todos aqueles que ainda me apoquentam com ideias de que a crise económica foi causada pelas políticas neoliberais. Espero no futuro poder enviar para aqui todos os que violarem algum dos sacramentos abaixo expostos. Não é uma exposição extensa de todos os argumentos errados que são ditos no dia-a-dia corrente nem mesmo uma explicação integra da escola austríaca para a crise que culminou em 2008 pela primeira vez (porque a bolha continua e há de voltar a rebentar).

 

1-      O que são os neoliberais?

Eu também não sei esta resposta e não há hipótese de ser esclarecido entretanto. Neoliberal é o termo dado à pessoa que promove o crescimento do sector bancário em detrimento do cidadão. É aquele que renega os interesses do indivíduo para os pôr no “mercado”, mercado esse que é constituído pela soma sinérgica da ganância de cada empresário.

Claro que liberal não é nada disto. Um liberal deseja acima de tudo a liberdade do indivíduo, tanto quanto a responsabilidade pelas suas acções e o seu direito à propriedade e inviolação desta. Isto é válido falemos do homem mais pobre do mundo ou do George Soros.

Para motivos de facilitação do discurso tomemos os liberais clássicos (como eu) por neoliberais, ou seja, faça-se essa confusão com o intuito de dar um mínimo de validade aos argumentos bacocos habituais.

 

2-      A culpa da crise é dos neoliberais!

Não e a razão é muito simples: os neoliberais não estavam lá sequer. Há duas versões habituais que apontam as culpas, ou para a reserva federal (como o caso de Krugman) ou para os banqueiros e especuladores (o caso dos políticos e cineastas).

No caso da reserva federal, a resposta para que a culpa não seja nossa é muito simples: não há um liberal que apoie a existência da reserva federal. A FED é um órgão com capacidade de emitir moeda (os liberais apoiam o ouro como moeda, não havendo nunca possibilidade de emitir ouro a partir do ar) e de emprestar essa moeda fiduciária a taxas de juro que pode alterar a seu prazer. Para um liberal, isso é inadmissível. A moeda tem que ser sempre acoplada a produção e sofrer alterações mínimas e esperáveis. No caso do dólar, euro e afins, cada vez que é imprimida mais uma nota esta vai diluir o valor de todas as outras, aumentando os preços. Mas quem recebe a nota primeiro ainda compra com os preços antigos. Isto prejudica tanto os empresários que não têm uma plataforma estável para calcular as despesas reais quanto as pessoas sujeitas a ordenados fixos (como os idosos na reforma) que passam a poder comprar menos com o rendimento fixo que têm.

No caso dos banqueiros e especuladores, este dedo difama os empréstimos maus que foram feitos, os chamados sub-prime, e que depois minaram todo o sistema. Os empréstimos sub-prime foram feitos em primeiro lugar porque a FED baixou a taxa de juro o suficiente para não haver risco para os bancos se meterem nestas aventuras. O governo americano chegou mesmo a encorajar os bancos a emprestar àqueles que não podiam pagar. Esses empréstimos sub-prime, tanto de bancos como de fundos de investimento, foram agregados e cortados e vários pacotes, os pacotes dos que recebiam primeiro e os pacotes dos que recebiam por último. Esses pacotes receberam classificações diferentes pelas agências de rating e assim os fundos de reforma e outros fundos mais conservadores que se preocupam principalmente com a segurança dos investimentos, seguiram a opinião das agências e compraram os primeiros, que tinham classificação AAA. Estamos a falar de empréstimos de pessoas que não tinham capacidade de pagar mas que ainda assim conseguiram a melhor classificação.

Obviamente que isto tinha que falhar. A culpa foi de quem? Dos especuladores? E que tal da reserva federal e das agências de rating? E as agências de rating não são sequer empresas privadas inquestionáveis, existe uma profunda intimidade entre estas e o governo americano, já que são mencionadas em leis que as tornam tanto imprescindíveis como insubstituíveis.

 

3-      A culpa é das agências de rating que “davam AAA a todos os títulos manhosos de hipotecas e imobiliário que alimentaram a bolha de especulação nos EUA, porque era isso que a grande finança queria, para ganhar mais e distribuir mais dividendos”.

Sim, não, por onde hei-de começar? A grande finança não existe, existem accionistas. E os accionistas não gostam de perder dinheiro. As agências de rating respondem ao governo dos EUA, não aos accionistas das empresas. E estes últimos fizeram o que fizeram (emprestar a torto e a direito) porque a outra hipótese era continuar a ver a FED a imprimir dinheiro enquanto eles ficavam de fora a ver os seus rendimentos a serem desvalorizados por decreto. As taxas de juro baixíssimas da FED significaram que quem “fosse no barco” teria altíssimos lucros e quem não fosse veria prejuízo pela desvalorização de capital. Assim a escolha foi muito fácil.

 

4-      A solução é gastar mais e salvar as estruturas (bailout)!

Não, obviamente que não. Graças a todos os empréstimos de dinheiro inexistente, existem muitos factores de produção que estão mal alocados, isto é, que não suprem uma necessidade dos consumidores. Estes investimentos têm que cair para que os seus factores sejam libertados para os investimentos que satisfaçam as necessidades das pessoas. E os bens têm que ser reequilibrados, isto é, os preços têm que ser reavaliados consoante a verdadeira procura e não a procura fruto do “expansionismo” da FED. Só quando os bens estiverem devidamente alocados e os preços reajustados à realidade económica actual se pode dizer que a economia tenha resumido a sua funcionalidade normal.

Gastar mais dinheiro significa perpetuar o desajuste, o mesmo são os bailouts. O desajuste entre o consumo e a produção mantem-se, os factores de produção estão mal alocados e a dívida destes países keynesianos e monetaristas tende a subir. O buraco continua-se a cavar até as pessoas se aperceberem. E na mesma comparação, quanto mais cedo se parar de cavar e começar a sair do buraco, melhor.

 

5-      A solução da crise é regular os mercados para que tal não aconteça!

É proibido copiar música e todos o fazem. Era proibido o aborto e também se abortava. É proibido roubar e há assaltos todos os dias, em Portugal a maioria nunca chega a tribunal. As regulações não funcionam e aumentam o gasto de recursos, quanto mais não seja em fiscalização. E foram por exemplo as regulações dos bancos impostas nos EUA que deram a origem aos fundos de investimento, pelo Krugman chamadas de “Instituições bancárias sombra”. Estas caiam fora da regulamentação e faziam o que queriam.

Além de que as regulações são feitas por políticos que a) não antevêem as necessidades futuras de mercado porque ninguém consegue; b) são tendenciosos para as empresas já instaladas, impedindo novas empresas de se juntarem e efectivamente criando monopólios; c) são ou têm capacidade ou tendência para serem corruptos.

Quando foi a última vez que mandaram um papel para o chão apesar de ser proibido?

 

6-      A dívida externa é um facto e a culpa dela aumentar é das agências de rating!

Como disse em 2, as agências de rating têm os seus problemas de falta de isolamento, têm uma ligação demasiado acentuada com os governos para se acreditar nelas. Mas a verdade é que muitos bacocos acreditam e como tal os outros também têm que estar à escuta para poderem antever as tendências de mercado.

A dívida externa é um facto mas não devia ser. Não faz o mínimo sentido um governo ter o poder de endividar os habitantes do seu país, exceptuando talvez um caso de calamidade nacional. Porquê? Esqueçamos a obrigação moral de não pedir dinheiro emprestado pelos outros e voltemo-nos para a conspurcação política que essa capacidade produz. Um governo de 4 anos tem todo o incentivo em pedir dinheiro emprestado enquanto pode para “mostrar obra”. Finda a governação vêm os impostos decorrentes do pagamento da dívida e esse antigo governo pode agora culpar o novo pela descida na qualidade de vida. Foi isto o que se passou em Portugal, durante anos se viveu acima das capacidades, endividando os trabalhadores futuros. Não se aceitaram os problemas da crise de 2008, apenas se cresceu a dívida com a fé de que se saltássemos esse período que tudo estaria bem. Não está, obviamente, porque continuamos com os problemas estruturais e agora somados a uma dívida que entre sector público e empresas públicas ascende a mais de 125% do PIB.

Espera-se que um país pague mais do que o que produz num ano? Se neste momento deixássemos de comer e gastar qualquer dinheiro apenas para mandar tudo para fora e pagar as dívidas, nem em Setembro de 2012 estávamos safos. As agências de rating mantiveram o nosso rating alto demasiado tempo. Neste momento, com toda a perda de credibilidade, vêem-se forçadas a baixar os ratings finalmente. Independentemente de as agências terem feito bem ou mal, a culpa da dívida é sempre nossa por termos pedido emprestado demasiado e durante demasiado tempo.

 

7-      Deixar os mercados â mercê vai levar a desemprego massivo!

Sim, momentâneo. Mas vai libertar esses desempregados e os recursos mal usados da empresa onde trabalhavam para que outras possam pegar neles. Estes novos empregados podem produzir algo de interesse e efectivamente aumentar a qualidade de vida geral. Perceba-se que emprego arranja-se facilmente, podemos pôr metade dos desempregados a cavar um buraco e a outra metade a tapá-lo. O problema é que a sociedade não fica mais rica por isso, fica mais pobre na medida em que os trabalhadores estão a gastar energia para nada. Por curiosidade, lembremo-nos da diferença entre a crise económica de 1920 que durou 1 ano sem o estado fazer nada e a crise de 1930 que, com intervenção estatal, se arrastou até…bem, até à 2ª guerra, não?

 

8-      Mas e os pobres?

Lembremo-nos do ónus que é a pobreza neste país. Decerto que um verdadeiro pobre prefere estar a ganhar menos que o salário mínimo e trabalhar para fazer a sociedade melhor e mais produtiva do que estar desempregado porque nenhum empregador tem trabalho que lhe possa oferecer que não dê prejuízo se lhe pagar o salário mínimo (mais subsídios de férias, natal, saúde, e todas as outras obrigações). Se continuarmos a política de redistribuição, minando todo o tecido produtivo, os pobres serão todos os que não têm cunhas no estado.

 

9-      E os direitos de Abril?

Nenhum direito é mais importante que o direito à liberdade e propriedade. Ponto final. Os direitos de Abril são invenções do socialismo que para ganharem o favor da maioria da população, concordam em expropriar os ricos, ou seja aqueles que por proporcionarem às pessoas aquilo que elas queriam conseguiram acumular riqueza, para dar aos pobres sem qualquer discriminação meritocrática. A igualdade de Abril não é igualdade de direitos, é igualdade de resultados.

 

 


Maio 23 2011

 

 

 http://www.ionline.pt/conteudo/125008-jovens-do-rossio-negociar-divida-ja

 

Vai-se tornando comum o comentário à notícia mas esta foi simplesmente irresistível. A geração à rasca tem-me dado muito com que trabalhar e voltaram a exceder-se.

 

É muito fácil bater nos jovens mas pelos vistos é necessário, não vão os casalinhos apaixonados deixar de ter outro espaço para a marmelada. A geração à rasca tomou o Rossio com novas manifestações que, segundo os dirigentes que não são dirigentes, porque o movimento não tem lideres, são absolutamente espectaculares já que há gente a falar em público com megafones que nunca antes o havia feito. Eu diria que estavam melhor calados mas depois chamavam-me fascista.

 

Quanto à lengalenga, é a do costume mas com um "twist". Agora já não querem mobilizar só os jovens para uma causa sem causa (a não ser que levantar Portugal meramente com barulho seja uma causa), desejam que se forme uma comissão de avaliação da dívida, distinguindo a parte dita "verdadeira" da dívida da parte que "é dívida odiosa, causada pela especulação". Como pelos vistos se fez na Islândia que tem sido divinificada nos últimos tempos.

 

A sério... leiam um livro de economia... façam uma tarde de raciocínio... até o Krugman percebe isto, acho.

 

Não existe dívida odiosa, existe dívida. A dívida não nos foi imposta, o estado é que pediu o dinheiro emprestado em nosso nome. E sim, os juros foram aumentando à medida que os especuladores perdiam a fé na capacidade de pagamento de Portugal. É de estranhar?

 

Há um assunto bastante importante que deve também ser comentado. A especulação. Esta é vista por muitos como um organismo de destabilização do mercado que sobe os preços, seja por pressão emotiva, seja por acção intencional - por exemplo pelos movimentos enormes que os hedge-funds são capazes. Os especuladores são incompreendidos porque, afinal de contas, estão a fazer dinheiro ao tirar produtos do mercado e aumentar os preços deles. Mas como o Hazlitt disse umas quinhentas vezes no "Economics in one lesson", as pessoas não estão a ver o assunto em profundidade.

 

O especulador tem uma função reguladora na mão invisível que é imprescindível ao bom funcionamento do mercado numa perspectiva de longo prazo. A economia evoluiu o suficiente para ultrapassar a fase do "guardar os cereais e sementes no celeiro para não morrer no inverno" mas isso não quer dizer que não seja necessário. Esse é o objectivo não intencional dos especuladores. Estes tentam obter o máximo de informação sobre determinados produtos, objectivando (com umas quantas contas matemáticas, magia negra e muita sorte) se o preço dos produtos irá aumentar ou não no futuro. Lembremos que este aumento reflecte habitualmente uma escassez. Os especuladores compram o produto agora a um preço mais baixo para vender mais tarde com este mais alto. E normalmente é aqui que o bom político pára e faz as suas observações superficiais na tentativa de captar votos através do ódio. Mas a história continua. Se realmente houver uma escassez futura do produto então o especulador obtém lucro. Ao mesmo tempo, saliente-se, é aliviada a mesma escassez com a introdução desses produtos no mercado.

 

Ou seja, o especulador tem uma função de restringir o consumo de modo a que não haja carência de todo (escassez "como no tempo dos nossos avós", em que simplesmente se esgota o produto).

 

E com o preço mais caro em tempo de abundância auxilia-se o mesmo facto já que se reduz o consumo, mantendo os stocks de reserva maiores.

 

E se não houver escassez? Então o especulador só aumentou os preços? Não. Se o produto não sofrer uma quebra ou ruptura, o especulador vai perder dinheiro, tal como é saudável numa economia sem regulações, e terá que pôr o produto no mercado, baixando o valor deste. Assim, num caso sem problemas, a flutuação de preços da responsabilidade do especulador é compensada no futuro em que a sua aposta caia por terra.

 

Há depois o problema dos "instrumentos avançados de especulação", como por exemplo os futuros. Os futuros não passam de instrumentos que reduzem o risco comportado pelos especuladores mas ao mesmo tempo reduzem a sua margem de lucro. O sistema é o mesmo, o da compra e da venda.

 

Finalmente o problema que muitos pensam ser o mais importante: a pressão enorme causada pelos hedge-funds, fundos de investimento tão massivos que conseguem descaracterizar as "verdades" do mercado. Um caso foi o "black-wednesday" de 1992 em que George Soros mobilizou dinheiro suficiente para a pressão no Reino Unido ser suficiente de modo a que estes não tivessem solução senão permitir que a libra voltasse a flutuar. Se removermos a intervenção estatal do UK na moeda, então o Soros não teria feito 1.1 biliões de dólares nesse dia.

 

As firmas demasiado grandes, além do facto de habitualmente serem criadas por alguma intervenção estatal que permite que estas cresçam, são um risco para e economia e humanidade? Sim, é possível. Do mesmo modo que qualquer outro poder é. Mas isso não é razão para o povo entregar as rédeas aos governos para estes as conterem. Eliminamos um leviatã para criar outro. E ficamos eternamente contentes porque temos a ilusão de que a democracia controla o governo. Com a diferença que os gigantes do mercado vivem para nos servir melhor ou pior e se não gostamos deles podemos abandoná-los e ir ao shopping do lado.

 

Como uma das activistas do movimento geração à rasca admitiu: "Quando os mecanismos democráticos não funcionam, cabe ao povo fazê-lo, para que exista justiça social", que eu leio "o povo é quem mais ordena mas não através da democracia".

 

 

Para quem quer ler mais sobre o tema da especulação como organismo benéfico, leiam este excerto do livro de Walter Block "Defending the undefendable"

 

http://mises.org/daily/4466  

 

 

 

PS: aparentemente a Raquel Freire diz que Portugal "acumula uma dívida que não se sabe de onde vem". Não se preocupem que se eu a vir na rua explico-lhe. Sou eu a ser um bom samaritano como é costume.

publicado por João Rodrigo às 12:15

Maio 18 2011

 

 

 

 

 Numa fase em que se começa a tornar evidente que o Euro tem debilidades inultrapassáveis, o livro “The Tragedy of the Euro” de Philipp Bagus arrisca-se a ser uma referência central na literatura que discorre não só sobre euro em particular, mas sobre União Europeia como um todo.

 

Bagus é um economista alemão que foi estudar para Madrid com Jesus Huerta de Soto e de quem hoje é colega de departamento na Universidade Juan Carlos. O próprio Huerta de Soto escreve no prefácio que Bagus o desafiou na sua anterior visão positiva do Euro e que este último apontou correctamente para a superior vantagem das moedas nacionais em competição em detrimento de um banco central europeu monopolista.

 

O livro não se limita a uma análise económica da moeda única europeia mas debruça-se igualmente sobre o contexto histórico em que ela se desenvolveu. Consequentemente, ele optou abrir a obra abordando as duas principais forças em oposição desde que o projecto da União Europeia começou. Desde o início da ideia europeia que existem duas visões para a Europa: 1) A visão liberal clássica entende o projecto europeu simplesmente como um acordo entre países europeus que permite a liberdade de movimento de pessoas, bens e capitais, gerando uma união através do mercado livre; e 2) a visão imperialista, a que ele denomina de visão socialista, implica a centralização de poder em Bruxelas, diluição das autonomias locais, harmonização legal e fiscal e um enorme estado providência ao nível europeu.

 

O autor revela que, tradicionalmente, a visão liberal clássica foi defendida por políticos de Estados como a Grã Bretanha, a Holanda ou a Alemanha e que a visão socialista foi essencialmente defendida pelas elites políticas francesas que procuravam um novo projecto imperial depois do vazio da perda das colónias. Franceses como Jacques Delors ou Francois Mitterrand são os nomes mais representativos da visão socialista da Europa.  Isto, claro, não invalida que defensores das duas visões não possam ser encontrados em todos os países.

 

Desde o início da união que se tentou compatibilizar estas duas visões, aceitando-se o livre movimento de bens, capitais e pessoas mas aceitando-se igualmente as sementes centralizadoras da visão socialista como a criação de uma comissão europeia com poderes para iniciar legislação ou a política agrícola comum. Essas sementes deram origem ao voraz processo de aglutinação de poder que se verifica desde então.

 

Porém, até ao nascimento do Euro, os defensores da visão socialista da Europa continuavam a ter muitas dificuldades na promoção da centralização de poder e uma das principais razões era a prosperidade que a Alemanha ocidental apresentava no pós-guerra. Esta prosperidade assentava numa política monetária do Bundesbank (banco central alemão) que era genericamente independente do poder político e que mantinha as taxas de juro altas, tendo como principal função evitar a inflação e não imprimir dinheiro para fins de despesa estatal. O Marco era assim uma moeda extremamente valorizada. Os bunderbankerstinham aprendido a lição da hiperinflação da república de Weimar.

 

Os políticos franceses viam no Bundesbank um travão às suas necessidades de financiarem  projectos estatais através da desvalorização da moeda francesa, pois qualquer política monetária expansionista (impressão de dinheiro) por parte dos franceses significava uma moeda muito mais fraca do que o Marco alemão, coisa que feria seriamente o orgulho francês e expunha rapidamente as más políticas do banco central gaulês ao serviço do seu governo. Desta forma, a competição entre moedas impedia que países (como a França) pudessem monetizar a sua dívida sem restrições. Sem surpresa, foram os políticos franceses a pressionarem a Alemanha para entrar na moeda única e acabar com a disciplina do Bundesbank. Depois de muitos lobbies políticos, o Euro foi introduzido e revelou-se, como esperado, uma moeda não só mais fraca que o Marco alemão mas também claramente expansionista e ao serviço da despesa governamental.

 

Mas porque é que os políticos alemães aceitaram trocar o Marco pelo Euro? Em larga medida porque esse foi o preço que os franceses pediram para permitirem a reunificação alemã. Tal como o ex presidente alemão Richard von Weizsäcker disse, a aceitação do Euro será ““nothing else than the price of the reunification” (p.52). Como razões adicionais, Bagus salienta a pressão dos bancos e indústrias exportadoras alemães que pressionaram no sentido de se livrarem da rigidez monetária do Bundesbank. Já com o Euro introduzido, estes puderam finalmente usar o crédito barato e a moeda desvalorizada para os seus fins. Isto claro, à revelia do povo alemão, que esmagadoramente preferia manter o Marco. Porém, como é típico em todo o processo da União Europeia, nada lhes foi perguntado em referendo.

 

Com a introdução do Euro, as taxas de juro que cada Estado tinha de pagar para se endividar baixaram consideravelmente pois não havia já o perigo de desvalorização unilateral da moeda e igualmente porque os investidores acreditaram desde o início que qualquer problema de liquidez estatal seria resolvido através de “ajudas” da União Europeia. Isto foi especialmente verdade para os países que estavam tradicionalmente endividados e que recorriam a desvalorizações de moeda constantes (o sul da Europa). Agora sim, era possível a estes Estados endividarem-se “ad aeternum” a baixo custo e foi isso que fizeram desde então. Alguns políticos alemães, ao anteverem este processo, pediram sanções automáticas e imediatas para países que excedessem o limite do défice anual (3% do PIB). Tal nunca foi aprovado pois nenhum Estado se queria auto-limitar na sua capacidade para contrair dívida.

 

Desde a introdução do euro que os governos de cada país têm a capacidade para indirectamente “imprimir” dinheiro. Isto é feito através da emissão de dívida pública, vendendo-a a bancos que aceitam comprar essa dívida. Estes últimos querem comprar dívida pública essencialmente porque o banco central europeu aceita emprestar-lhes dinheiro (imprimido) se estes tiverem títulos de dívida pública em seu poder (usando-os como colateral). Assim sendo, vender dívida pública significa em boa parte receber empréstimos da impressora monetária que é o Banco Central Europeu.

 

Chega-se assim à ideia central do livro de Philipp Bagus: o Euro é uma “tragédia dos comuns”.  Sabendo-se que os primeiros a receberem o dinheiro impresso pelo BCE podem gastá-lo com proveito antes da inflação os atingir, todos os Estados têm incentivos para se endividarem o mais depressa que puderem, pois se não o fizerem serão apenas os receptores da inflação causada pelos que têm acesso ao dinheiro primeiro. Naturalmente que os países com economias mais débeis (Portugal, Grécia...) foram os que mais correram para o BCE nos últimos 11 anos, sob pressão eleitoral e com a impopularidade de subir impostos, emitir dívida pública foi a única solução que os políticos destes países encontraram para vencerem eleições.

 

Desta forma, os políticos locais injectaram crédito no seu país e passaram a inflação para os outros. Como o último a chegar ao crédito torna-se exclusivamente num receptor de inflação, vão todos correr para obtenção desse crédito o mais depressa possível. Da mesma forma, os bancos não têm medo de emprestar a Estados falidos porque contam com a protecção dos Estados e dos bailouts da UE na defesa do Euro. Todos estes agentes políticos e económicos podem assim ser irresponsáveis à discrição e em última instância, se algo correr mal, pedem mais impressão de dinheiro ao BCE. Consequentemente, esta expansão de crédito leva a bolhas imobiliárias (Espanha, Irlanda) ou a improdutividade/destruição da estrutura produtiva (como Portugal e Grécia). O único travão para esta tragédia dos comuns é a perspectiva de hiperinflação ao nível europeu; este é um cenário que esteve já mais longe, visto que o BCE, na tentativa de salvar o euro, está já a partir de 2010 a comprar dívida pública dos Estados insolventes, numa clara demonstração que não é independente e que está ao serviço dos interesses políticos.

 

Outro problema central do Euro é a sua falta de adequação à produtividade dos PIIGS, como é o caso de Portugal ou da Grécia. Estes países entraram no Euro vindos de moedas consideravelmente mais fracas, o que os tornou desde então pouco competitivos. Para resolver este problema os governos usaram o “bónus” do crédito fácil do Euro para se endividarem e subsidiarem o desemprego, seja através do subsídio directo, seja através de reformas antecipadas ou através de criação de empregos no sector público. No entanto, Bagus salienta que o Euro não é um desastre porque os países têm diferentes estruturas produtivas, mas sim porque permite a redistribuição de crédito a favor dos países que se endividarem mais depressa, ou seja, estes últimos deixam de ter incentivos para adoptarem políticas de livre mercado internamente. Ademais, o autor lembra igualmente que problema não é tanto a moeda única (o ouro também já serviu esse propósito), mas sim o aproveitamento político e a captura do BCE pelas autoridades políticas europeias.

 

A título exemplificativo, Bagus ilustra as 3 fases distintas de redistribuição da União Europeia até chegar ao ponto actual: A primeira fase foi a redistribuição dos fundos estruturais e da PAC, a segunda fase foi a redistribuição de crédito via BCE e bancos comerciais e a terceira fase é a redistribuição directa através dos bailouts e da compra directa de dívida pública pelo BCE. Estas fases podem ser entendidas como um premeditado processo de integração europeia que irá centralizar toda a política económica em Bruxelas, com inúmeras consequências nocivas para as autonomias locais.

 

No entanto, Philipp Bagus fecha o livro apresentando igualmente 3 possibilidades para o futuro do Euro: Na 1ª hipótese o sistema colapsa devido a um ou mais países acharem mais vantajoso sair do euro e entrar em default ou porque a própria Alemanha sai do euro antes que a sua dívida pública passe a reflectir os encargos de toda a Europa. Na 2ª, os castigos da UE aos países com excessos no défice passariam a tornar-se efectivos e tal implicaria, mais tarde ou mais cedo, a expulsão de países incumpridores, o que levaria ao fim do Euro. Já na 3ª hipótese, os países ricos continuam a pagar pelos países mais pobres e eventualmente chegar-se-á à hiperinflação.

 

Parece assim claro que o Euro só terá futuro se se alienar a autonomia económica dos Estados nações para a entregar a Bruxelas, mas tal, a médio/longo prazo, teria custos enormes. O que se deve retirar do livro do Philipp Bagus é que apesar de ele ser idealmente a favor do ouro como mediador monetário e não de dinheiro produzido por bancos centrais (fiat money), as vantagens de limitação de poder político que as moedas nacionais em competição apresentam são incomparavelmente superiores ao que o Euro oferece. Consequentemente, conclui-se que este projecto monetário deve ser revertido e que os países devem reaver o controlo não só das suas moedas, mas acima de tudo reaver as suas autonomias.

 

Em suma, usando as tipologias do autor, esta será a única forma de evitar a concretização da visão socialista da Europa e permitir a concretização da visão liberal clássica.


Originalmente publicado no "O Insurgente"

publicado por Filipe Faria às 16:26

Abril 28 2011

Sobre as funções do Estado, neste debate amigável com o meu colega Emanuel, defendi o seguinte:

 

É preciso que o Estado não tenha poder económico autónomo nem competências legais na economia. Digo isto porque há pelo menos 2 grandes formas de o Estado arruinar a eficiência dos mercados: através da despesa pública ineficiente e através do poder para legislar sobre fenómenos económicos que faz com que os agentes económicos prefiram servir o Estado (rent-seeking) do que servir os consumidores.

 

O Emanuel concordou comigo na primeira parte (o Estado não deve ser um agente económico) e discorda da segunda (competências legais na economia). Isto porque alega que o Estado terá de ter “capacidade para intervir em situações pontuais de distorções do mercado, o que implicará necessariamente algumas competências legais”. Ora, considero que esta ideia que é usada regularmente por comentadores políticos advém do facto de “acreditarem” que (1) falhas de mercado são questões objectivas de identificação simples e (2) podem ser resolvidas por governos. Ambas estas ideias, promovidas por um sub-ramo de economia chamado “welfare economics”, são fortemente contestadas em debates académicos e estão muito longe de gerar consenso. No entanto, há quem no campo da análise política, estando à margem destes debates, não tenha dúvidas em entregar competências legais de correcção de mercados ao Estado sabendo-se que essa ideia está muito longe de aceite como sequer exequível entre economistas. Esta fé (porque não é nada mais do que fé) na capacidade redentora do Estado em questões económicas, abre precedentes para que este possa agir indiscriminadamente na sua função reguladora e legislativa, promovendo assim ineficiência económica, gerando monopólios, cedendo aos grupos de pressão, concentrando os lucros nos poucos que praticam lobbies e dispersando os prejuízos nos consumidores. Por tudo isto, o Estado não deve ter competências legislativas em questões económicas. A ter competências legislativas e coordenadoras, estas devem restringir-se à garantia do regular funcionamento contratual e à protecção da propriedade privada.

 

Outro precedente que o Emanuel abre é a capacidade para o Estado poder taxar indiscriminadamente quando apela ao argumento de que está a providenciar a função “social” de apoiar os menos favorecidos. Como é claramente impossível determinar onde está a linha divisora entre alguém que é menos favorecido e alguém que é mais favorecido (no sentido da intervenção estatal), o Estado pode usar este argumento para reforçar a sua posição como maximizador de receita, bastando para isso “encontrar” desfavorecidos nas mais diversas áreas sociais (económicas, de género, educativas, entre muitas outras). Este é o argumento moral/social que leva ao crescimento progressivo, intrusivo e descontrolado de todos os Estados providência. No meu entender, a função “social” de protecção aos que de facto caíram, por uma razão ou por outra, no infortúnio deve pertencer à tal capacidade associativa da sociedade civil que tem sido (e nisto eu e o Emanuel estamos de acordo) constrangida e eclipsada pela acção de um Estado tentacular. Considero que num mercado com liberdade económica, dinâmico e produtivo, os recursos disponíveis provenientes de uma maior produção de bens e serviços tornam-se mais abundantes, e assim, ajudar quem realmente precisa tornar-se-á mais fácil via sociedade civil.

 

Por fim, em resposta à minha alegação de que os Estados nunca poderão ser gestores eficientes porque não existe o perigo de falência, o Emanuel refere que apesar de não existir o elemento de falência, podemos tornar os burocratas e políticos “mais responsáveis pela sua gestão, fazer com que se tornem numa parte cada vez mais interessada no sucesso de pequenos elementos de gestão – os revolvidos interesses concretos. O Estado não pode falir, mas pode ser reformado.” Infelizmente, apesar de ser uma ideia agradavelmente conveniente, não creio que tal seja possível porque (1) os políticos/burocratas terão sempre mais informação do que os eleitores, (2) as mudanças dão-se invariavelmente entre partidos já “rodados nos lugares” (no caso português PS-PSD)  visto que a livre concorrência para essas posições é um mito, (3) independentemente do político no poder este será sempre vítima de rent-seeking por parte de grupos de interesse, tendo assim estímulos para os servir e gerar ineficiência e (4) qualquer ineficiência é sempre justificada com a utilidade social, ou seja, não há alternativa ao Estado e aos seus agentes.  

 

É verdade que com uma massiva descentralização fiscal e legal estes problemas tornam-se menos agudos, mas não deixam de persistir. Em democracia de regra maioritária, quer gostemos quer não, o Estado é autónomo e não há muito que possamos fazer para alterar esse facto.

 

Poucos traduziram esta ideia tão bem como Tocqueville:

 

“Os nossos contemporâneos são incessantemene trabalhados por duas paixões inimigas: sentem a necessidade de serem conduzidos e a vontade de permanecerem livres. Não podendo destruir nem um nem outro destes instintos contrários, esforçam-se por satisfazê-los a ambos. Imaginam um poder único, tutelar, todo-poderoso, mas eleito pelos cidadãos. Combinam a centralização e soberania do povo. O que lhes dá alguma folga. Consolam-se de estar sob tutela, pensando que foram eles mesmo a escolher os seus tutores. Cada indivíduo sofre que o amarrem, porque vê que não é um homem nem uma classe, mas o povo ele mesmo que segura o extremo da corrente. Neste sistema, os cidadãos saem por um momento da dependência para indicar o seu senhor, e a ela regressam.” em Democracia na América; Alexis de Tocqueville


Abril 28 2011

Num debate facebookiano entre mim e o meu colega Emanuel (que culminou na blogosfera), o Emanuel concorda com a minha premissa de que a democracia é um sistema que não representa de todo as preferências dos indivíduos. Porém, ele considera que esta é importante como mais um “check” à acção dos governantes, por supostamente permitir retirar do poder os políticos ineficientes ou prejudiciais, limitando assim as suas possíveis acções nocivas. Neste último ponto estamos em desacordo.

 

Parece-me que através desta ideia estamos de novo a entrar na defesa da democracia como conceito abstracto e não nas suas consequências reais. Ou seja, para que este “check” seja algo a defender é preciso assumir que (1) a entidade colectiva a que chamamos votantes fale a uma só voz (unanimidade) e que (2) esta entidade tem informação suficiente para saber se as acções dos governantes são nocivas ou não.

 

Na primeira assumpção, temos imediatamente o problema de (através da regra da maioria) dificilmente obtermos 100% de votos a favor de qualquer mudança de governante nem, consequentemente, em relação ao que se possa chamar de “check”. Isto decorre principalmente de um facto ignorado quando se fala de democracia como bem abstracto: que a democracia é um “zero sum game” (quando um ganha, o outro tem de perder); por outras palavras, um péssimo dirigente para ti é um óptimo dirigente para mim porque me dá, no meu entender, mais benefícios do que o outro dirigente que tu pensas que é melhor. Depois temos o caso dos rent-seekers (que em Portugal são uma grande fatia da população), que vivem dos políticos que estão no poder e estes vão sempre apoiar estes políticos para manterem os seus privilégios seja em votação for. Num Estado fiscalmente autónomo como o nosso, antes de ser entendido como um “check”, o voto é uma arma para “expropriar” o próximo pela via legal, ou seja, quando o voto determina quem vai receber o quê e quem vai ser expropriado, temos uma sociedade de indivíduos que estão necessariamente uns contra os outros, pois as transferências não são voluntárias (como seriam no mercado) mas sim através da coerção legal via sufrágio. Em suma, os votantes nunca irão falar a uma só voz (principalmente em sistemas políticos de larga abrangência populacional), como tal, qualquer “check” será sempre um “check” de imposição da vontade uns sobre outros, o que faz com que este perca o seu significado. Qualquer uso do termo “check” no contexto da regra maioritária acaba por ter o mesmo valor que proferir termos como “bem comum”, “justiça social”, etc. São valores que não significam nada na prática devido à sua falta de universalidade. 

 

A segunda assumpção é igualmente problemática para a visão da democracia como “check”.  Para que este último faça sentido temos de assumir que os votantes estão suficientemente informados sobre as acções dos políticos que os prejudicam e sobre as que os beneficiam. Tal como a Public Choice Theory clássica postula, isto é impossível na prática. Porque as probabilidades de o voto individual determinar o vencedor de uma eleição nacional são praticamente zero, a generalidade dos indivíduos são racionalmente ignorantes. Os custos de estar verdadeiramente informado sobre o mundo das políticas públicas superam largamente a capacidade do voto individual de decidir seja o que for. Por isso todos os estudos de opinião mostram o mesmo: as populações sabem muito pouco ou nada sobre o que os políticos fazem. Isto faz com que este “check” perca o seu significado, pois se os votantes não têm informação que lhes permita fazer uma escolha informada, irão trocar de políticos com base na ignorância, escolhendo melhor ou pior, não com base no “check” desejado, mas sim com base na irracionalidade. Esta ignorância não permitirá a um indivíduo saber se ele se sente descontente apesar do político ter feito o seu melhor ou se está descontente devido ao mau trabalho do político. Ademais, é possível dizer que em algumas situações de catástrofe evidente como uma guerra local, é impossível não se perceber que algo correu mal no processo político e assim ter informação necessária para mudar e colocar um “check” no governo. Mas, como a história ensina, quando se chega a estes pontos, a democracia já foi abolida (ou pela vida das coligações partidárias ou pela via da ditadura), sendo assim uma hipótese que faz pouco sentido.

 

Desta forma, qualquer democracia de regra maioritária e de governos com poderes extensivos transforma-se numa “tragédia dos comuns” onde os ocupantes temporários dos cargos políticos tentam retirar o máximo de proveito possível desse curto período (servindo os grupos de interesse) sabendo que irão certamente ser destituídos pela natural rotação democrática ou pelo limite de mandatos.

As alternativas merecem ser discutidas posteriormente, mas deixo desde já uma citação que revela o campo onde as podemos procurar:

“In democracies the main alternative to majority rule is not dictatorship, but markets”  Bryan Caplan (The Myth of the Rational Voter, 2007, p. 3)

publicado por Filipe Faria às 23:02

Abril 27 2011

"The fiscal developments in Greece are paradigmatic of the tragedy of the Euro and its incentives. When Greece entered the EMU, three factors combined to generate excessive deficits. First, Greece was admitted at a very high exchange rate. At this rate and prevailing wages, many workers were uncompetitive compared with the more highly capitalized workers from northern countries. To alleviate this problem, the alternatives were to (1) reduce wage rates to increase productivity, (2) increase government spending to subsidize unemployment (by unemployment benefits or early retirement schemes) or (3) employ these uncompetitive workers directly as public workers. Owing to strong labor unions the first alternative was put aside. Politicians chose the second and third alternatives which implied higher deficits."

 

Philipp Bagus, in "The Tragedy of the Euro", p. 93

publicado por Filipe Faria às 04:33

Abril 17 2011

 

Chegamos a uma fase em que se tornou evidente que o Euro é um travão ao crescimento económico português, em boa parte devido ao facto de ser uma moeda cujo valor não está ajustado à economia portuguesa mas sim às da Europa central. Tal desfasamento incentivou o despesismo estatal e o endividamento que se observa correntemente; mas mais importante, tornou a economia portuguesa improdutiva e com um crescimento económico anémico. Dentro da zona euro só há 2 soluções para Portugal: ou continua dentro do Euro e mais tarde ou mais cedo, devido à perpetuação desta conjuntura, terá de entregar a soberania económica a Bruxelas (que anseia por esse momento), ou sai do Euro, reestrutura a sua dívida, e volta a ter controlo sobre a sua política monetária.

 

Em terras lusas, esta segunda hipótese é chocante para muitas pessoas dos mais variados quadrantes. O argumento destes é o seguinte: Portugal é um país de incompetentes políticos e, como tal, não pode gerir a sua política monetária. Fazê-lo seria correr o risco de enveredar por inflações endémicas causada pela impressora de dinheiro que os políticos usariam para corrigir a despesa pública irresponsável. Desta forma, rapidamente Portugal sairia da Europa e cairia no ... wait for it .. 3º mundo. Mas será que isto é realmente verdade?

 

 

 

Neste gráfico elaborado pelo Banco Mundial é possível observar as diferenças de crescimento económico entre um país que aderiu ao Euro (Portugal) e um que não aderiu ao Euro (o Reino Unido). A descida de 2008-2009 em ambos os países foi o produto da crise financeira que atingiu todos os países europeus. Porém, torna-se por demais claro que depois da introdução da moeda única em Janeiro de 1999 o Reino Unido manteve o seu crescimento regular e Portugal desceu consideravelmente o seu crescimento médio desde então até aos dias de hoje (sem qualquer perspectiva de recuperação). Mas se somos incompetentes e não podemos tomar conta da nossa política monetária, não há nada a fazer certo? A hiperinflação da democracia da primeira república mostra que estamos permanentemente condenados à incompetência, certo? Os dados empíricos rejeitam esta ideia. Ao observar o resto do gráfico é possível perceber que, com o controlo da nossa moeda, quer em ditadura, quer em democracia (1974-1999), não se vislumbram essas catástrofes 3º mundistas a que supostamente estamos destinados devido à nossa “genética” impressora de dinheiro. O crescimento económico (já ajustado à inflação) continuou a ser substancialmente maior nos períodos em que Portugal controlava a sua moeda do que quando deixou de a controlar.  

 

Consequentemente, visto que não estamos condenados à incompetência monetária absoluta e que não estamos interessados em jogar o jogo dos governos e dos bancos da Europa central que controlam a nossa dívida pública, a melhor via para Portugal é rejeitar a perpetuação desta situação com mais resgates inúteis a longo prazo, reestruturar a sua dívida através de um “default” parcial e sair do Euro para que possa finalmente voltar a crescer economicamente e não perder a sua autonomia como nação. A união europeia deve ser encarada simplesmente como um acordo entre europeus para um livre mercado de bens, capitais, serviços e pessoas; qualquer tentativa de centralização de poder para além disso deve ser, no meu entender, liminarmente rejeitada.

 

 


Abril 14 2011

Depois de ler este texto do sociólogo Robert Fishman chego à conclusão que afinal Portugal não tem problemas de maior e que apenas as agências de rating são culpadas. É isto verdade? Claramente não. Sou um acérrimo crítico da falta de competição no mercado das agências de rating mas fingir que o problema está apenas no lado delas é esquecer que estamos a chegar rapidamente a uma dívida pública de 100% do PIB que vai hipotecar as próximas gerações. Isto não foi culpa das agências de rating mas dos nossos políticos e dos incentivos da UE.

 

Depois, este texto está cheio de imprecisões económicas, vou dar alguns exemplos:

 

"Portugal had strong economic performance in the 1990s and was managing its recovery from the global recession better than several other countries in Europe, but it has come under unfair and arbitrary pressure from bond traders, speculators and credit rating analysts "

 

Portugal teve uma performance económica forte nos anos 90 não por causa de ter uma capacidade produtiva forte mas sim porque recebeu estímulos infindáveis de fundos vindos da União Europeia, o que, por algum tempo, gerou o efeito multiplicador keynesiano aparentemente tão apreciado pelo autor deste texto. Quando o efeito foi desaparecendo, a nossa verdadeira capacidade produtiva mostrou-se aquando o Euro foi introduzido e Portugal não teve capacidade de produção para lidar com o seu valor monetário (ajustado às economias da Europa Central). Como tal, para compensar o diferencial, os governos portugueses pediram emprestado aproveitando-se dos baixos juros que o Euro lhes garantia. E gastaram o mais que puderam no sentido de comprar o eleitorado, até que a crise veio e chegamos ao défice de 12 %, ou mais, porque com a conivência da UE a contabilidade foi comprovadamente manipulada. Não é por acaso que praticamente todos os economistas (dos keynesianos aos free-marketeers) concordam com a década perdida em termos de crescimento económico (2000-2010/11). Fishman parece ignorar esta década ou fingir que ela não importa para esta questão. 

 

"Could Europe have averted this bailout? The European Central Bank could have bought Portuguese bonds aggressively and headed off the latest panic."

 

Com esta solução, talvez por ser sociólogo e não economista, ele ignora as consequências de colocar um banco central a comprar dívida soberana através da impressão de dinheiro: INFLAÇÃO. Este processo levaria a que todos os Estados europeus pudessem pedir emprestado tanto quando pudessem e depois vendessem a dívida ao BCE, permitindo-lhes continuar a pedir emprestado indiscriminadamente. Como prática regular, isto levaria a uma inflação endémica e a uma incontinência fiscal desastrosa para o regular funcionamento do mercado de bens e serviços. Até os Estados que se controlassem na sua despesa pública seriam vítimas dos efeitos da impressão de moeda do BCE. Como tal, todos os incentivos iriam no sentido de todos os Estados gastarem o máximo que puderem. O BCE tornar-se-ia no paradigma da tragédia dos comuns.

 

Em suma, Fishman tenta passar a imagem de que os problemas portugueses não existem e de que Portugal é apenas vítima de especuladores com ideologias libertárias/liberais. Está errado por pelo menos 2 razões: 1) As agências de rating não funcionam no mercado livre, pois são um cartel criado pelas regulações estatais. 2) O resultado final destas crises será a centralização do processo económico na UE; e todos sabem que centralização económica é a antítese do que qualquer libertário/liberal quer.

publicado por Filipe Faria às 00:16

Abril 08 2011

Em Portugal, tornou-se demasiado comum ouvir auto-denominados conservadores/liberais, proponentes do mercado livre, defenderem o Euro como um instrumento que garante o livre mercado. Quero desde já dizer que considero que estão equivocados. Na prática, o Euro é um dos grandes responsáveis pela actual situação portuguesa de insolvência, dívida endémica e estagnação económica.

 

Com isto não quero ilibar as políticas socialistas dos governos portugueses nos últimos 37 anos: Impostos altos que sufocam a economia, burocracia ineficiente, despesa pública sem qualquer critério, redistribuição a larga escala, leis laborais quasi-comunistas, entre várias outras, são igualmente responsáveis. Porém, ao fazermos uma análise comparativa entre estas políticas “socialistas” portuguesas e as francesas ou alemãs chegamos rapidamente à conclusão que em muitos casos os impostos são ainda mais elevados por lá e as percentagens do PIB que os Estados franceses e alemães gastam são semelhantes ou superiores à que o Estado português gasta. Igualmente, as leis laborais nesses sítios não primam por serem particularmente flexíveis e os níveis de redistribuição não são inferiores aos portugueses. É possível concluir que, em termos gerais, o modelo social democrata está implantado nestes 3 países de forma relativamente semelhante e as referências em termos de políticas públicas nunca variam senão no seu grau e na sua eficiência. Se estes países conseguem pagar as suas dívidas externas é porque se podem dar ao luxo de destruir parte da sua capacidade produtiva com políticas socialistas e ainda serem produtivas o suficiente para gerar receita estatal. O mesmo já não se pode dizer de Portugal, cuja capacidade produtiva anémica não consegue sobreviver a iguais políticas.   

 

Se as referências ao nível das políticas públicas são semelhantes, porque é que estas economias crescem economicamente e Portugal não? Mais, como é que estas economias ainda se dão ao luxo de emprestar fundos a Estados em decadência económica como o português? A resposta imediata prende-se com dois factores determinantes: Primeiro, a estrutura produtiva destes países da Europa central é forte e tem capacidade exportadora, principalmente a Alemanha. Segundo, as taxas de juro do Banco Central Europeu estão ajustadas à actividade económica daquela área geográfica e vão atender às suas necessidades devido às pressões da União Europeia, onde a influência da Alemanha e França é determinante. Consequentemente, as taxas de juros do Banco Central Europeu irão subir quando estas economias sentirem pressões inflacionárias e irão descer quando precisarem de “estímulos” económicos. Isto, claro, à revelia de países periféricos que, mesmo que estejam em contra-ciclo em relação às economias da Europa central, sofrem as consequências de terem de lidar com taxas de juros desajustadas  para as suas economias.

 

 

 

 

 

No caso português este fenómeno é gritante. Portugal claramente não tem uma economia que produza o suficiente para justificar uma moeda forte como o Euro. Já não tinha quando entrou no Euro e tem cada vez menos devido à destruição de capacidade produtiva que os fundos comunitários geraram; estes últimos criaram dependência, grupos de interesse ferozes e investimentos não rentáveis. Portugal evitou as pressões inflacionárias da entrada no Euro devido aos massivos fundos estruturais da União Europeia; mas rapidamente se percebeu que para manter a economia a funcionar com uma moeda desajustada seria preciso pedir emprestado para compensar a falta de produtividade. Foi isto que se fez e chegámos ao que os economistas chamam de década perdida, onde praticamente não se registou qualquer crescimento.

 

Porque questionar o Euro é tabu político, os políticos portugueses continuaram a pedir emprestado em vez de encontrarem outra solução monetária independente que permitisse tornar a economia mais produtiva e exportadora. Cortar na despesa também sempre esteve fora de questão visto que tais medidas custariam votos. A União Europeia em vez de sancionar de facto este processo, foi incentivando este modelo ao reformular os limites à medida que todos os limites iam sendo ultrapassados. A verdade é que parece não ser do interesse da União Europeia expulsar ninguém da união monetária, mas sim preparar-se tomar o controlo do processo económico quando for claro que estes países periféricos como Portugal não poderão ter autonomia económica neste contexto do Euro. Depois de salvarem todos estes países em dificuldades e possuírem grande parte da sua dívida externa, visto que não se vislumbra qualquer mudança no crescimento económico nos mesmos, esta transferência de poder para Bruxelas será uma progressão natural. Ademais, com os países periféricos fora do Euro e com moedas mais fracas a Alemanha perderia mercado, teria de importar mais e exportar menos, e tal, obviamente não interessa aos germânicos no contexto actual. Já Portugal, teria a oportunidade de conferir vitalidade à sua estrutura produtiva exportadora.

 

Em suma, o Euro teve um papel decisivo na actual situação portuguesa, tornou a ordem social em que vivemos progressivamente iliberal. Em nome do Euro, fundos são agora transferidos massivamente de contribuinte para contribuinte, de país para país, sabendo-se que os grandes beneficiários neste processo são os grupos económicos e grupos de pressão que parasitam os Estados. Em nome da moeda única, hipoteca-se as próximas gerações futuras que nascem já com dívidas inomináveis. Porém, é certo que ao sair do Euro, o Estado português teria muito mais dificuldades em financiar-se nos mercados; mas qualquer pessoa economicamente liberal devia ficar satisfeito com este facto. Um Estado que tem dificuldades em pedir emprestado precisa de viver com as receitas modestas que o contribuinte estiver disposto a dar para os gastos públicos.

 

Não, definitivamente, o Euro não é um instrumento liberal. 

publicado por Filipe Faria às 13:00

Março 20 2010

A ler: Artigo de Álvaro Santos Pereira no "The Portuguese Economy"

 

"That is, while this SGP (PEC) does nothing to solve Portugal’s structural fiscal imbalances, it also does not cause major harm. The truth is that if it weren’t for Greece, Portugal would be barely on the radar screens of the markets. The government knows this and, hence, it must be secretly wishing that all the dust settles so that it can continue its agenda of spending its way out of recession (a big mistake, of course, especially knowing that this isn't working and it only aggravates the country's fiscal woes).

And thus the big lesson of this SGP (PEC) seems to be that, once again, we will happily postpone the solution to Portugal’s fiscal woes. Yes, Portugal is in a fiscal mess. However, for this government, this is still not the time to deal with this mess. Someone else will have to clean it up."
publicado por Filipe Faria às 22:26
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Fevereiro 21 2010

Ao acabar de ver a entrevista que o presidente da reserva federal Americana Ben Bernanke deu ao "60 minutos", retiro pelo menos 3 conclusões:

 

1-    Apesar da mais que provável causa da actual crise advir das políticas monetárias expansionistas e das taxas de juros artificialmente baixas produzidas pela FED, Bernanke considera que a solução para o fim desta crise passa por baixar ainda mais as taxas de juro (para que se injecte dinheiro suficiente no mercado) e acabar com a falta de liquidez. Ou seja, considerando que foi o excesso de liquidez nos mercados que produziu todos investimentos de risco ruinosos, agora que a economia precisava de deflacionar os preços para atingir um ponto de equilíbrio sustentável, eis que Bernanke considera que a solução passa por estabilizar os preços, o que é um eufemismo para “mantê-los insustentavelmente altos”.

 

2-    Bernanke considera que salvar os bancos ruinosos era necessário para manter a saúde do sistema financeiro e evitar a contaminação de falências. Considera igualmente que estes podiam ser fragmentados e desmantelados pelo Estado para manter os activos na economia através de transferências para instituições financeiras mais saudáveis. Ou seja, a ideia de Bernanke é manter tudo como está, mas reordenando o processo, clamando por mais regulação e não permitindo que a bolha desinche.

 

3-    Como a economia americana vai continuar a funcionar acima das suas possibilidades, levada por um excesso de “impressão de dinheiro” por parte da FED, os preços não vão cair, os activos tóxicos não vão desaparecer, os investimentos de risco dúbio irão continuar (ainda mais agora que os bancos se sentem “too big to fail”), podemos começar contar quanto tempo irá demorar a chegar a próxima explosão da bolha e consequentemente a próxima crise. Uma coisa é certa, com estas medidas, todas as regulações do mundo serão tão úteis como um cubo de gelo no inferno. 

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 03:30
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Fevereiro 06 2010

É por oportunidades destas que um bloguista se sente impulsionado a continuar o seu trabalho! Parece que o meu último texto causou muito furor. Tanto que recebi três comentários de gratos leitores e que mereciam mais que uma resposta, mereciam um artigo integral:


Caro Tiago,

Curioso ver que no seu comentário não comenta a absorção de quase 50% do PIB pelo estado. Certamente que se este não cortasse o salário dos trabalhadores em dois seria mais simples ter poder de compra sem aumentar os fardos aos empresários, não? Também acho curioso que um empresário se veja face a enormes conflitos laborais para despedir um trabalhador ineficaz, reforça a noção numa empresa que não vale a pena trabalhar. O que um jovem da jcp percebe, ao contrário de mim que por sinal nem repito os 80% de esquerdistas e sindicalistas (sim, vós sois a mainstream, conformai-vos) é que se aumentarem os salários tudo melhora com o poder de compra. Mas os salários vêm da produtividade e sem esta aumentar então de onde virá o dinheiro?
-Imprime-se e criamos o Novo Zimbabwe?
-Roubamos aos empresários para eles não se interessarem em investir? Rapidamente deixará de ter um computador em que desenhar propostas-lei para salvaguardar os direitos dos trabalhadores e dos parasitas.
--Sim, roubar. Cobrar algum imposto para manutenção e o bem comum é aceitável, cobrar impostos aos ricos (a maioria dos quais trabalhou bastante para lá chegar) para dar aos pobres (a maioria dos quais se enterrou por políticas socialistas) é roubo legitimado por colarinho branco.

Será também importante realçar, e se quiser mais informação oiça atentamente o clip do youtube do mises institute uns posts abaixo deste, que no tempo em que não haviam máquinas para produzir mais havia, obviamente, menos e como tal era tudo mais caro. Se não havia incenso e especiarias para dividir por todos então nem todos podem ter, já pensou nisso? E já pensou que é preciso trabalhar para tudo ser produzido e para comprar tudo? Um emprego não tem um valor nato, tem o valor do que essa posição produz na sociedade. Se um homem produz uma música que é útil a milhões de pessoas acha mesmo que tem interesse em fazê-la para após colecta ganhar o mesmo que um homem que cola selos para as cartas seguirem no correio?

Por último, tenho que lhe apresentar a cruel realidade, a máquina de tachos é pública, é o estado. Porquê? Porque um empresário muito raramente põe numa posição da sua empresa alguém incapaz de colmatar ou exceder a demanda da mesma. E não mude de uma linguagem cordial para o "tu" no meio de um comentário, fá-lo parecer inapto com uma das grandes artes: a língua portuguesa.

Caro(a) Figueira,

Em primeiro peço imensa desculpa por não averiguar o seu género, dormi pouco e não estou com vontade de seguir links de momento para procurar a resposta à minha dúvida. Faço minhas as palavras do Filipe:

“[…]segundo instituições internacionais como a OCDE ou a Heritage Foundation, tem um dos códigos laborais mais rígidos do MUNDO (não apenas da Europa).”
“Em relação ao ordenado mínimo, saiba que países como a Alemanha não têm ordenado mínimo e não precisam dele para terem um bom nível de vida, porque ao contrário do que o esquerdismo que advoga gosta de fazer querer, os ordenados não sobem por decreto de lei, sobem sim pela criação de valor acrescentado.”

…e ponho aqui algumas das dirigidas ao Tiago. É verdade, trabalhar num posto de baixa qualificação é constrangedor, árduo, cansativo e a paga não é muito boa. Pior ainda é o investimento andar tão por baixo que não existam trabalhos de maior qualificação que permitam a uma pessoa encarar esses empregos de baixo ordenado como um comboio de passagem para uma posição melhor. Mas deixemo-nos de fantasias porque é verdade, não podemos pensar só no que poderia ser mas no que é neste momento. É uma pena que passar compras no lidl ou no continente seja um trabalho de ordenado baixo mas sejamos sensatos, qual é a preparação necessária para o executar? E qual é o grau de produtividade de uma caixa do lidl? Comparativamente à quantidade de stock (pessoas) para libertar, cada caixa despacha bastante devagar. Se calhar se só fossem precisas 3 pessoas nas caixas do hipermercado e fizessem o mesmo que as 15 ou 20 fazem neste momento, essas 3 fossem mais bem pagas, aí está, devido à sua produtividade. Encare como queira, as posições mais produtivas e com mais responsabilidade serão sempre melhor remuneradas, seja num regime liberal ou comunista. Parece um contra-senso mas imagine que obriga um cirurgião a reparar uma aorta a 50€ à hora. Sabe o que vai ouvir? Vai ouvir "não". Se aniquilar as diferenças de ordenado vai deitar por terra as diferenças de qualificação.

Mais uma vez, caro Tiago,

Um homem (ou mulher) tem direito à liberdade e à oportunidade de ser alguém. Pergunto-lhe desde quando isso passa por ter o resto da sociedade a limpar-lhe o rabo do berço à cova. Enxergue a falta de responsabilidade da população em geral por favor.
A cartelização e monopólio é consequência das leis estatais que impedem a concorrência livre. Se as empresas monopolistas se vissem face aos monstros estrangeiros talvez oferecessem negócios mais atractivos.

O Tiago fala na poupança das empresas para pagar salários maiores aos trabalhadores. Eu sou contra isso, os salários são proporcionais à produtividade e, fora ajustes inflacionários, devem ser alterados quando essa mesma produtividade sobe...ou desce. E os 25€ talvez sejam melhor empregues nas mãos do empresário porque este tem um poder que o cidadão comum está quase proibido pelo estado de ter: o de investir e criar emprego.


Mas quem sou eu, que sei eu. Sou só um estudante do ensino superior que vive nos subúrbios de Portugal e tem muita gente chegada a deparar-se com as crises de empregabilidade em Portugal e os fenómenos ocultos de gestão pública. Peço-lhe fervorosamente que não subestime a minha experiência com o sistema porque o que divulgo é a ponta do icebergue.

PS: Adorei a flor, alegrou-me o dia!


Fevereiro 05 2010

Parece que o cancro da má economia deu mais um passo ontem. Segundo o que li nesta notícia um senhor baixo, gordo e de bigode farfalhudo virou as atenções dos monstros do capital para Portugal, uma presa fácil. Pouco mais se pode adiantar daquela notícia senão o agravamento dos empréstimos ao estado e eventualmente a sua repercussão nos investidores lusos.

Claro que a questão essencial não deveria ser “o que fizemos para merecer isto” mas sim “porque um comentário do comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros consegue precipitar a bolsa na maior queda desde a falência do Lehman Brothers”. A resposta é uma economia cujo crescimento é apenas visível à lupa e com a flexibilidade da mentalidade de um jovem da jcp. E isso é a consequência natural de uma terra com
- impostos altos
- mão-de-obra cara e inflexível
- conflitos judiciais que demoram anos a resolver
- infra-estruturas de mobilidade todas ao contrário (entretanto também parece que decidiram que o TGV só vai transportar passageiros o que faz todo o sentido até porque não existem mercadorias para exportar)
- competitividade forjada mediante subsídios que abrangem desde o “incentivo ao investimento” até ao “porque sim”.

Talvez se este fosse um país que seguisse as cartas da Maya a sorte nos fosse mais favorável, porque toda a gente sabe que os pontos que enumerei são apenas consequência do destino e de uma força incompreensível. Ou pelo menos é o que José Sócrates e Teixeira dos Santos andam a pregar pelos microfones.
Talvez esteja mas é na hora de jogar com o que sabem que é “países com leis simples, liberdade e baixos impostos atraem investimento” e parar de tentar resolver os sintomas em vez da doença. Estão a tentar baixar a febre de um doente com malária com ben-u-ron e não é preciso ser médico para saber que isso não serve para nada…

 


Fevereiro 04 2010

De Econstories.tv

 

 

Lyrics:

 

We’ve been going back and forth for a century
[Keynes] I want to steer markets,
[Hayek] I want them set free
There’s a boom and bust cycle and good reason to fear it
[Hayek] Blame low interest rates.
[Keynes] No… it’s the animal spirits

 

[Keynes Sings:]

 

John Maynard Keynes, wrote the book on modern macro
The man you need when the economy’s off track, [whoa]
Depression, recession now your question’s in session
Have a seat and I’ll school you in one simple lesson

 

BOOM, 1929 the big crash
We didn’t bounce back—economy’s in the trash
Persistent unemployment, the result of sticky wages
Waiting for recovery? Seriously? That’s outrageous!

I had a real plan any fool can understand
The advice, real simple—boost aggregate demand!
C, I, G, all together gets to Y
Make sure the total’s growing, watch the economy fly

 

We’ve been going back and forth for a century
[Keynes] I want to steer markets,
[Hayek] I want them set free
There’s a boom and bust cycle and good reason to fear it
[Hayek] Blame low interest rates.
[Keynes] No… it’s the animal spirits

 

You see it’s all about spending, hear the register cha-ching
Circular flow, the dough is everything
So if that flow is getting low, doesn’t matter the reason
We need more government spending, now it’s stimulus season

 

So forget about saving, get it straight out of your head
Like I said, in the long run—we’re all dead
Savings is destruction, that’s the paradox of thrift
Don’t keep money in your pocket, or that growth will never lift…

 

because…

 

Business is driven by the animal spirits
The bull and the bear, and there’s reason to fear its
Effects on capital investment, income and growth
That’s why the state should fill the gap with stimulus both…

 

The monetary and the fiscal, they’re equally correct
Public works, digging ditches, war has the same effect
Even a broken window helps the glass man have some wealth
The multiplier driving higher the economy’s health

 

And if the Central Bank’s interest rate policy tanks
A liquidity trap, that new money’s stuck in the banks!
Deficits could be the cure, you been looking for
Let the spending soar, now that you know the score

 

My General Theory’s made quite an impression
[a revolution] I transformed the econ profession
You know me, modesty, still I’m taking a bow
Say it loud, say it proud, we’re all Keynesians now

 

We’ve been goin’ back n forth for a century
[Keynes] I want to steer markets,
[Hayek] I want them set free
There’s a boom and bust cycle and good reason to fear it
[Keynes] I made my case, Freddie H
Listen up , Can you hear it?

 

Hayek sings:

 

I’ll begin in broad strokes, just like my friend Keynes
His theory conceals the mechanics of change,
That simple equation, too much aggregation
Ignores human action and motivation

 

And yet it continues as a justification
For bailouts and payoffs by pols with machinations
You provide them with cover to sell us a free lunch
Then all that we’re left with is debt, and a bunch

 

If you’re living high on that cheap credit hog
Don’t look for cure from the hair of the dog
Real savings come first if you want to invest
The market coordinates time with interest

 

Your focus on spending is pushing on thread
In the long run, my friend, it’s your theory that’s dead
So sorry there, buddy, if that sounds like invective
Prepared to get schooled in my Austrian perspective

 

We’ve been going back and forth for a century
[Keynes] I want to steer markets,
[Hayek] I want them set free
There’s a boom and bust cycle and good reason to fear it
[Hayek] Blame low interest rates.
[Keynes] No… it’s the animal spirits

 

The place you should study isn’t the bust
It’s the boom that should make you feel leery, that’s the thrust
Of my theory, the capital structure is key.
Malinvestments wreck the economy

 

The boom gets started with an expansion of credit
The Fed sets rates low, are you starting to get it?
That new money is confused for real loanable funds
But it’s just inflation that’s driving the ones

 

Who invest in new projects like housing construction
The boom plants the seeds for its future destruction
The savings aren’t real, consumption’s up too
And the grasping for resources reveals there’s too few

 

So the boom turns to bust as the interest rates rise
With the costs of production, price signals were lies
The boom was a binge that’s a matter of fact
Now its devalued capital that makes up the slack.

 

Whether it’s the late twenties or two thousand and five
Booming bad investments, seems like they’d thrive
You must save to invest, don’t use the printing press
Or a bust will surely follow, an economy depressed

 

Your so-called “stimulus” will make things even worse
It’s just more of the same, more incentives perversed
And that credit crunch ain’t a liquidity trap
Just a broke banking system, I’m done, that’s a wrap.

 

We’ve been goin’ back n forth for a century
[Keynes] I want to steer markets,
[Hayek] I want them set free
There’s a boom and bust cycle and good reason to fear it
[Hayek] Blame low interest rates.
[Keynes] No it’s the animal spirits

 

“The ideas of economists and political philosophers, both when they are right and when they are wrong, are more powerful than is commonly understood. Indeed the world is ruled by little else. Practical men, who believe themselves to be quite exempt from any intellectual influence, are usually the slaves of some defunct economist.”

John Maynard Keynes
The General Theory of Employment, Interest and Money

 

“The curious task of economics is to demonstrate to men how little they really know about what they imagine they can design.”

F A Hayek
The Fatal Conceit

publicado por Filipe Faria às 10:02

Política, Filosofia, Ciência e Observações Descategorizadas
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