O REPLICADOR

Agosto 12 2009

Num cartaz da campanha para o bundestag alemão, Vera Lengsfeld, candidata do partido democrata cristão (CDU), mostra-se com um decote proeminente juntamente com a sua companheira de partido, a actual chanceler alemã Angela Merkel. Nesse cartaz, o slogan escrito diz: “nós temos mais para oferecer”.

 

 

Lengsfeld alega que precisava de chamar a atenção do eleitorado, pois a zona por onde está a concorrer é dominada pela esquerda, que até pode ser forte do ponto de vista eleitoral, mas que aparentemente não possui os atributos certos. Depois de ouvir tantas críticas aos cartazes populistas da actual campanha eleitoral em terras lusitanas, senti-me sensibilizado ao tomar conhecimento deste cartaz de propaganda política alemã: finalmente encontro uma verdadeira política de verdade, onde se oferece às pessoas aquilo que elas realmente querem. Pelo menos a 50% delas...

publicado por Filipe Faria às 02:42

Agosto 06 2009

 

 

publicado por Filipe Faria às 03:19

Julho 28 2009

No seu livro "The Blank Slate", Steven Pinker, psicólogo evolutivo na universidade de Harvard relembra que a principal diferença entre conservadores e liberais (Direita e Esquerda) reside na concepção antagónica da natureza humana. Enquanto a Direita apresenta uma visão "trágica", a esquerda opõe uma visão utópica e toda a sensibilidade política irá decorrer desta visão do homem:

 

"If you learn that someone is in favor of a strong military, for example, it is a good bet that the person is also in favor of judicial restraint rather than judicial activism. If someone believes in the importance of religion, chances are she will be tough on crime and in favour of lower taxes. Proponents of a laisser-faire economic policy tend to value patriotism and the family, and they are more likely to be old than young, pragmatic than idealistic, censorious than permissive, meritocratic than egalitarian, gradualist than revolutionary, and in a business rather than a university or government agency.

The opposing positions cluster just as reliably: if someone is sympathetic to rehabilitating offenders, or to a tolerance to homosexuality, chances are good that he will also be a pacifist, an environmentalist, an activist, an egalitarian, a secularist, and a professor or a student.

 

Why on earth should people's beliefs about sex predict their beliefs about the size of the military?"

 

Assim, a teoria da natureza humana de cada individuo influência a sua opinião acerca das mais variadas questões politicas: a visão trágica não depositará grandes esperanças em relação as virtudes do homem e a sua perfectibilidade, e irá por consequente preferir medidas pragmáticas. Por seu lado, a visão utópica acredita na completa plasticidade do cérebro humano, e no mito do bom selvagem de Rousseau. Logo as politicas de esquerda tenderão a assumir uma dimensão ideológica, que entende-se capaz de melhorar a sociedade através de iniciativas impostas de cima.

 

 

Pinker conclui o capitulo dizendo que na sua opinião, os avanços da psicologia evolutiva e da genética comportamental nas ultimas décadas mitigaram as pretensões da esquerda ao revelar uma natureza humana mais próxima da corrente de Hobbes que de Rousseau. Como se fosse uma evidência, acaba dizendo: "Every Student of political science is taught that political ideologies are based on theories of human nature. Why must they be based on theories that are three hundred years out of date?"

 

Eu sei que no meu curso, o tema da natureza humana foi tratado mais do que superficialmente. Discutiu-se modelos de sociedade sem meter em causa o comportamento humano. Discutiu-se a gestão de alternativas sem estudar a natureza do "animal político".

publicado por Alexandre Oliveira às 16:00

Julho 24 2009

Senti o desânimo dos meus pares socialistas quando o muro caiu em 1989. Sinto todos os dias a angústia que eles sofrem na sua luta incessante contra as vicissitudes egotistas da natureza humana. Sinto que os seus argumentos de natureza moral esbarram contra a habilidade que os humanos têm para fugir à coerção que provém das boas intenções da esquerda na promoção do bem comum. Como tal, sinto que devo reformular os preceitos de justiça da esquerda no sentido de lhes dar mais acuidade e pertinência.

Esta é então a minha teoria da justiça que, acredito, irá apresentar-se como uma alternativa válida a todas as outras no âmbito do socialismo/liberalismo social:

A minha teoria, para atingir uma sociedade justa, baseia-se nas duas grandes premissas do liberalismo: a liberdade e a igualdade. Para não existirem confusões, seguindo a distinção de Isaiah Berlin, vou apresentar a liberdade como liberdade positiva: que é entendida como a capacidade do indivíduo para fazer seja o que for, por oposição à liberdade negativa, que é a liberdade do indivíduo para agir sem a interferência de outros.

Para existir liberdade positiva, o Estado tem de intervir directamente na vida da sociedade, providenciando bens e serviços a todos os que têm menos capacidades inatas ou sociais, para que estes possam fazer tudo o que os outros fazem sem qualquer distinção. Obviamente que em última instância só se gera capacidade inata através da engenharia genética, mas isso são pormenores. Assim sendo, o estado tem o fim de promover a igualdade de acesso à satisfação máxima a todos os cidadãos, assim como a promoção da distribuição de capacidades para fazer seja o que for (eu posso comprar um Mercedes, eu posso ser um génio da ciência). Ou seja, sendo exequível ou não, partimos da premissa que o estado tem de arranjar forma de tornar os seres humanos iguais em todas as suas capacidades, visto que ninguém tem culpa de ter mais ou menos talentos naturais, nem de ter um maior ou menor estatuto social à nascença.

Para visar a igualdade, a esquerda centra-se essencialmente na redistribuição monetária através de uma entidade central (o estado). Por outras palavras, através de um rigoroso sistema fiscal, cobra impostos aos que mais ganham para dar os que menos ganham.
É aqui que a esquerda está constantemente a falhar e será precisamente este ponto que tentarei alterar.

Porque querem os homens dinheiro, poder e status social (assumindo que geralmente o primeiro leva os outros dois)? Porque com os recursos a que o dinheiro lhes dá acesso, eles conseguem chegar mais facilmente às mulheres, cumprindo assim a ideia darwinista da maximização da prossecução dos genes. Contudo, eles não querem apenas mulheres, querem atrair as melhores fêmeas, ou seja, a sub-categoria feminina que, em vernáculo, se costuma denominar de “gajas boas”. Estes membros do género feminino são desejados, em grande parte, pela sua simetria (o que em psicologia evolutiva é indicador de bons genes) e pelos seus sinais evidentes de fertilidade. Infelizmente, como muitos dos recursos mais desejados, este recurso é escasso e mal distribuído.

As mulheres mostram preferência por homens com alto valor social. Uma breve observação empírica revela que os homens ricos com status social conseguem um quase exclusivo monopólio das “gajas boas”, fazendo com que os outros homens não tenham a mínima oportunidade de se reproduzirem com elas. Concomitantemente, estamos na presença da máxima injustiça no que diz respeito à maximização da felicidade. Onde está o estado que devia corrigir esta tremenda injustiça que vota alguns homens a uma vida de inveja e ausência de proveito social e genético?

Apresento assim uma teoria da justiça que pretende devolver a igualdade e justiça social à humanidade. O estado tem assim de se organizar em volta dos seguintes 3 princípios de justiça: 1- Qualquer homem com excesso de gajas boas deve ser taxado até ter apenas acesso às gajas boas na mesma medida que todos os outros homens. 2- O imposto a ser aplicado pelo estado deve promover a rotatividade de gajas boas caso não exista uma gaja boa para cada homem (exe: a mesma gaja boa passava apenas um ano com cada homem em vez de um longo período de tempo) 3- Só será permitido a um homem ter mais do que a sua quota pré estabelecida de gajas boas se tal contribuir para que os mais desfavorecidos possam ter acesso a gajas boas (exe: em caso de calamidade e de ausência de produção de gajas boas num determinado momento da sociedade).

Satisfeitos estes princípios de justiça, estou a crer, chegaremos ao fim de história e a própria política tornar-se-á  pueril, dado que a razão já se conseguirá impor sobre as famigeradas emoções que provêm da competição genética e social. Neste mundo neo-neo-socialista que proponho, onde acaba a exploração do homem pelo homem, poucas ou nenhumas críticas poderão ser feitas a esta teoria da justiça, a não ser, talvez, que é ligeiramente machista...

 


 

publicado por Filipe Faria às 19:54

Julho 22 2009

- Quantity affects Quality!

- Says who?

- Karl Marx!

- Oh, so now we're talking about economics...

- Sex is economics!

 

In Bullets Over Broadway from Woody Allen

publicado por Alexandre Oliveira às 15:51

Julho 22 2009

O consumo contemporâneo é um acto de frivolidade, ou seja, um acto de alienação que não permite às pessoas perceberem as suas verdadeiras necessidades. Certo? Talvez não.

No final da década de 70, Mary Douglas e Baron Ishewood publicaram o livro “O Mundo dos Bens”, onde estudaram as relações sociais do consumo. Neste livro, os autores (uma antropóloga e um economista) apontam, acima de tudo, para as dimensões culturais e simbólicas do consumo, ou seja, para os motivos subjacentes ao consumo. 

Há já algum tempo que a grande generalidade das pessoas consome para lá das necessidades básicas. Para os autores, os bens de consumo são essencialmente comunicadores de categorias culturais e de valores sociais. Os produtos consumidos devem comunicar à sociedade que rodeia o indivíduo informações sobre o seu estatuto, sobre a sua família, sobre a sua cidade ou sobre a sua rede de relações. O produto ostentado precisa de comunicar mais rápido do que qualquer palavra que o indivíduo que o comprou possa proferir acerca de si mesmo. Os produtos consumidos são cartões de visita que apresentamos, sabendo-se que um mau cartão de visita não nos deixa entrar nos círculos sociais que pretendemos.

Consumir é um acto de partilha. O acto egotista por natureza seria poupar ao máximo e gastar o menos possível. Porém, como animais sociais que somos, é no consumo que entramos em modo de convivência. O consumo permite-nos mostrar algo ao próximo, de onde estamos para onde vamos e quais a nossas intenções. Se ficarmos em casa sem gastar dinheiro podemos ter como certo um isolamento a que tendemos a apelidar de “deprimente”. Se queremos socializar, temos de gastar. Trabalhar e ficar em casa seria certamente mais seguro do ponto de vista financeiro, pois os gastos ficariam reduzidos ao mínimo indispensável. Contudo, ninguém o quer fazer pois o que realmente pretendemos é a aceitação dos outros e não a nossa aceitação. O “outro” pode ser o inferno, mas é dele que eu vou retirar o meu valor. Por isso consumimos: no consumo gera-se a partilha, gera-se a circulação do dinheiro mas acima de tudo gera-se a circulação das intenções. Que intenções? Os suspeitos do costume: o status, o poder, a autoridade, o bem estar, e, por fim, a inevitável busca da maximização sexual. Dito isto, torna-se pertinente saber se seria possível dissertar sobre o consumo sem referência ao sexo.

Curiosamente, a Unilever descobriu que os pobres compram produtos supérfluos quando lhes sobra dinheiro. Por outro lado, 33 % dos consumidores mais abastados consideram-se pobres e comportam-se como tal na hora da compra.* 
Desta forma, talvez os pobres precisem de arriscar mais nas compras que fazem, visto que a escada que eles querem subir tem mais degraus do que a escada dos mais abastados. Conscientemente ou inconscientemente, ambos sabem disso. Só o consumo é que nada sabe. Mesmo com toda a regulação que alguns pretendem implantar, continua a ser o mistério da mão invisível a comandar o processo. O que pode acontecer devido a essa implantação reguladora é que o processo pode tornar-se pouco virtuoso e opaco. Podemos ir conhecendo algumas linhas da mão invisível, mas com certeza que o que conhecemos é uma parte tão insignificante do todo que ainda não nos demos conta de estarmos a estudar uma mão. Essa mão é uma metáfora que hoje em dia é usada e abusada sem aparente sentido, mas ela existe muito para lá do objecto económico: serve, em última instância,  para representar a natureza humana e as suas intenções.

 

“Antropologia do consumo”, Marcos Graciani, Amanhã, 11.05.2004

publicado por Filipe Faria às 03:04

Julho 19 2009

Segundo este artigo, praticar felação com regularidade pode diminuir significativamente o risco de cancro da mama.

 

"Women who perform the act of fellatio and swallow semen on a regular basis, one to two times a week, may reduce their risk of breast cancer by up to 40 percent, a North Carolina State University study found."

 

"In a study of over 15,000 women suspected of having performed regular fellatio and swallowed the ejaculatory fluid, over the past ten years, the researchers found that those actually having performed the act regularly, one to two times a week, had a lower occurrence of breast cancer than those who had not." 

 

"Only with regular occurrence will your chances be reduced, so I encourage all women out there to make fellatio an important part of their daily routine," said Dr. Helena Shifteer, one of the researchers at the University. "Since the emergence of the research, I try to fellate at least once every other night to reduce my chances."

 

"Almost every woman is, at some point, going to perform the act of fellatio, but it is the frequency at which this event occurs that makes the difference"

 

publicado por Alexandre Oliveira às 16:04

Julho 10 2009

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publicado por Filipe Faria às 11:44
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Junho 07 2009

Num artigo do “i” a Marta Crawford surge novamente com concepções espiritualistas da sexualidade. Passo a citar:

 

Quando se fala em prazer sexual pensa-se irremediavelmente no orgasmo, como se esse momento, e só esse, representasse a cereja no cimo do bolo da sexualidade.

 

Todos agem em função desse momento, que entendem ser alcançado preferencialmente através do coito.”

 

Realmente, por mais bonita que seja, não gostava, nem um pouco, de ser o namorado daquela gaja, acho que ia chegar ao cúmulo da frustração sexual... Somos supostos correr a maratona até vermos a linha de chegada e parar 10 metros antes do final? Essa coisa de dizer que não deve ser o incentivo do orgasmo a conduzir as pessoas a terem sexo, é como dizer que os seres humanos não são movidos pelo interesse pessoal. Creio que algumas pessoas precisavam de relembrar que nos sentimos atraídos sexualmente, temos relações sexuais e orgasmos porque nascemos de pais que tiveram as mesmas experiências e que por sua vez nasceram de pais que sentiram tesão e que tiveram orgasmos etc...

 

Um pouco à imagem desta frase do neurocientista António Damásio, que diz que o cérebro humano não se desenvolveu para escrever poesia ou apreciar musica, mas sim para servir de “interface” entre o nosso organismo e o ambiente, a criatividade artística su

 

rgindo então como um efeito lateral, acho que não temos nada a ganhar em mistificar o sexo e construirmos um socialismo sexual, onde o prazer é regulado, e onde os que procuram o orgasmo serão designado de  egoístas. Convém também diferenciar o orgasmo masculino do feminino, o orgasmo masculino sendo directamente ligado a ejaculação, ou seja, funciona como incentivo directo a procriação. Já o orgasmo feminino (ver “Dos orgasmos femininos”) serve funções diferentes, e na equação que determina se a mulher vai ou não atingir o clímax, é sabido que o estatuto social do homem é a componente mais importante, independentemente do seu desempenho físico


 

publicado por Alexandre Oliveira às 14:46

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