O REPLICADOR

Junho 02 2011

Escrevo este texto de forma a ser uma referência para todos aqueles que ainda me apoquentam com ideias de que a crise económica foi causada pelas políticas neoliberais. Espero no futuro poder enviar para aqui todos os que violarem algum dos sacramentos abaixo expostos. Não é uma exposição extensa de todos os argumentos errados que são ditos no dia-a-dia corrente nem mesmo uma explicação integra da escola austríaca para a crise que culminou em 2008 pela primeira vez (porque a bolha continua e há de voltar a rebentar).

 

1-      O que são os neoliberais?

Eu também não sei esta resposta e não há hipótese de ser esclarecido entretanto. Neoliberal é o termo dado à pessoa que promove o crescimento do sector bancário em detrimento do cidadão. É aquele que renega os interesses do indivíduo para os pôr no “mercado”, mercado esse que é constituído pela soma sinérgica da ganância de cada empresário.

Claro que liberal não é nada disto. Um liberal deseja acima de tudo a liberdade do indivíduo, tanto quanto a responsabilidade pelas suas acções e o seu direito à propriedade e inviolação desta. Isto é válido falemos do homem mais pobre do mundo ou do George Soros.

Para motivos de facilitação do discurso tomemos os liberais clássicos (como eu) por neoliberais, ou seja, faça-se essa confusão com o intuito de dar um mínimo de validade aos argumentos bacocos habituais.

 

2-      A culpa da crise é dos neoliberais!

Não e a razão é muito simples: os neoliberais não estavam lá sequer. Há duas versões habituais que apontam as culpas, ou para a reserva federal (como o caso de Krugman) ou para os banqueiros e especuladores (o caso dos políticos e cineastas).

No caso da reserva federal, a resposta para que a culpa não seja nossa é muito simples: não há um liberal que apoie a existência da reserva federal. A FED é um órgão com capacidade de emitir moeda (os liberais apoiam o ouro como moeda, não havendo nunca possibilidade de emitir ouro a partir do ar) e de emprestar essa moeda fiduciária a taxas de juro que pode alterar a seu prazer. Para um liberal, isso é inadmissível. A moeda tem que ser sempre acoplada a produção e sofrer alterações mínimas e esperáveis. No caso do dólar, euro e afins, cada vez que é imprimida mais uma nota esta vai diluir o valor de todas as outras, aumentando os preços. Mas quem recebe a nota primeiro ainda compra com os preços antigos. Isto prejudica tanto os empresários que não têm uma plataforma estável para calcular as despesas reais quanto as pessoas sujeitas a ordenados fixos (como os idosos na reforma) que passam a poder comprar menos com o rendimento fixo que têm.

No caso dos banqueiros e especuladores, este dedo difama os empréstimos maus que foram feitos, os chamados sub-prime, e que depois minaram todo o sistema. Os empréstimos sub-prime foram feitos em primeiro lugar porque a FED baixou a taxa de juro o suficiente para não haver risco para os bancos se meterem nestas aventuras. O governo americano chegou mesmo a encorajar os bancos a emprestar àqueles que não podiam pagar. Esses empréstimos sub-prime, tanto de bancos como de fundos de investimento, foram agregados e cortados e vários pacotes, os pacotes dos que recebiam primeiro e os pacotes dos que recebiam por último. Esses pacotes receberam classificações diferentes pelas agências de rating e assim os fundos de reforma e outros fundos mais conservadores que se preocupam principalmente com a segurança dos investimentos, seguiram a opinião das agências e compraram os primeiros, que tinham classificação AAA. Estamos a falar de empréstimos de pessoas que não tinham capacidade de pagar mas que ainda assim conseguiram a melhor classificação.

Obviamente que isto tinha que falhar. A culpa foi de quem? Dos especuladores? E que tal da reserva federal e das agências de rating? E as agências de rating não são sequer empresas privadas inquestionáveis, existe uma profunda intimidade entre estas e o governo americano, já que são mencionadas em leis que as tornam tanto imprescindíveis como insubstituíveis.

 

3-      A culpa é das agências de rating que “davam AAA a todos os títulos manhosos de hipotecas e imobiliário que alimentaram a bolha de especulação nos EUA, porque era isso que a grande finança queria, para ganhar mais e distribuir mais dividendos”.

Sim, não, por onde hei-de começar? A grande finança não existe, existem accionistas. E os accionistas não gostam de perder dinheiro. As agências de rating respondem ao governo dos EUA, não aos accionistas das empresas. E estes últimos fizeram o que fizeram (emprestar a torto e a direito) porque a outra hipótese era continuar a ver a FED a imprimir dinheiro enquanto eles ficavam de fora a ver os seus rendimentos a serem desvalorizados por decreto. As taxas de juro baixíssimas da FED significaram que quem “fosse no barco” teria altíssimos lucros e quem não fosse veria prejuízo pela desvalorização de capital. Assim a escolha foi muito fácil.

 

4-      A solução é gastar mais e salvar as estruturas (bailout)!

Não, obviamente que não. Graças a todos os empréstimos de dinheiro inexistente, existem muitos factores de produção que estão mal alocados, isto é, que não suprem uma necessidade dos consumidores. Estes investimentos têm que cair para que os seus factores sejam libertados para os investimentos que satisfaçam as necessidades das pessoas. E os bens têm que ser reequilibrados, isto é, os preços têm que ser reavaliados consoante a verdadeira procura e não a procura fruto do “expansionismo” da FED. Só quando os bens estiverem devidamente alocados e os preços reajustados à realidade económica actual se pode dizer que a economia tenha resumido a sua funcionalidade normal.

Gastar mais dinheiro significa perpetuar o desajuste, o mesmo são os bailouts. O desajuste entre o consumo e a produção mantem-se, os factores de produção estão mal alocados e a dívida destes países keynesianos e monetaristas tende a subir. O buraco continua-se a cavar até as pessoas se aperceberem. E na mesma comparação, quanto mais cedo se parar de cavar e começar a sair do buraco, melhor.

 

5-      A solução da crise é regular os mercados para que tal não aconteça!

É proibido copiar música e todos o fazem. Era proibido o aborto e também se abortava. É proibido roubar e há assaltos todos os dias, em Portugal a maioria nunca chega a tribunal. As regulações não funcionam e aumentam o gasto de recursos, quanto mais não seja em fiscalização. E foram por exemplo as regulações dos bancos impostas nos EUA que deram a origem aos fundos de investimento, pelo Krugman chamadas de “Instituições bancárias sombra”. Estas caiam fora da regulamentação e faziam o que queriam.

Além de que as regulações são feitas por políticos que a) não antevêem as necessidades futuras de mercado porque ninguém consegue; b) são tendenciosos para as empresas já instaladas, impedindo novas empresas de se juntarem e efectivamente criando monopólios; c) são ou têm capacidade ou tendência para serem corruptos.

Quando foi a última vez que mandaram um papel para o chão apesar de ser proibido?

 

6-      A dívida externa é um facto e a culpa dela aumentar é das agências de rating!

Como disse em 2, as agências de rating têm os seus problemas de falta de isolamento, têm uma ligação demasiado acentuada com os governos para se acreditar nelas. Mas a verdade é que muitos bacocos acreditam e como tal os outros também têm que estar à escuta para poderem antever as tendências de mercado.

A dívida externa é um facto mas não devia ser. Não faz o mínimo sentido um governo ter o poder de endividar os habitantes do seu país, exceptuando talvez um caso de calamidade nacional. Porquê? Esqueçamos a obrigação moral de não pedir dinheiro emprestado pelos outros e voltemo-nos para a conspurcação política que essa capacidade produz. Um governo de 4 anos tem todo o incentivo em pedir dinheiro emprestado enquanto pode para “mostrar obra”. Finda a governação vêm os impostos decorrentes do pagamento da dívida e esse antigo governo pode agora culpar o novo pela descida na qualidade de vida. Foi isto o que se passou em Portugal, durante anos se viveu acima das capacidades, endividando os trabalhadores futuros. Não se aceitaram os problemas da crise de 2008, apenas se cresceu a dívida com a fé de que se saltássemos esse período que tudo estaria bem. Não está, obviamente, porque continuamos com os problemas estruturais e agora somados a uma dívida que entre sector público e empresas públicas ascende a mais de 125% do PIB.

Espera-se que um país pague mais do que o que produz num ano? Se neste momento deixássemos de comer e gastar qualquer dinheiro apenas para mandar tudo para fora e pagar as dívidas, nem em Setembro de 2012 estávamos safos. As agências de rating mantiveram o nosso rating alto demasiado tempo. Neste momento, com toda a perda de credibilidade, vêem-se forçadas a baixar os ratings finalmente. Independentemente de as agências terem feito bem ou mal, a culpa da dívida é sempre nossa por termos pedido emprestado demasiado e durante demasiado tempo.

 

7-      Deixar os mercados â mercê vai levar a desemprego massivo!

Sim, momentâneo. Mas vai libertar esses desempregados e os recursos mal usados da empresa onde trabalhavam para que outras possam pegar neles. Estes novos empregados podem produzir algo de interesse e efectivamente aumentar a qualidade de vida geral. Perceba-se que emprego arranja-se facilmente, podemos pôr metade dos desempregados a cavar um buraco e a outra metade a tapá-lo. O problema é que a sociedade não fica mais rica por isso, fica mais pobre na medida em que os trabalhadores estão a gastar energia para nada. Por curiosidade, lembremo-nos da diferença entre a crise económica de 1920 que durou 1 ano sem o estado fazer nada e a crise de 1930 que, com intervenção estatal, se arrastou até…bem, até à 2ª guerra, não?

 

8-      Mas e os pobres?

Lembremo-nos do ónus que é a pobreza neste país. Decerto que um verdadeiro pobre prefere estar a ganhar menos que o salário mínimo e trabalhar para fazer a sociedade melhor e mais produtiva do que estar desempregado porque nenhum empregador tem trabalho que lhe possa oferecer que não dê prejuízo se lhe pagar o salário mínimo (mais subsídios de férias, natal, saúde, e todas as outras obrigações). Se continuarmos a política de redistribuição, minando todo o tecido produtivo, os pobres serão todos os que não têm cunhas no estado.

 

9-      E os direitos de Abril?

Nenhum direito é mais importante que o direito à liberdade e propriedade. Ponto final. Os direitos de Abril são invenções do socialismo que para ganharem o favor da maioria da população, concordam em expropriar os ricos, ou seja aqueles que por proporcionarem às pessoas aquilo que elas queriam conseguiram acumular riqueza, para dar aos pobres sem qualquer discriminação meritocrática. A igualdade de Abril não é igualdade de direitos, é igualdade de resultados.

 

 


Maio 16 2011

Às vezes ‘gosto’ de ir a jornais online portugueses ler os comentários a certas notícias, nomeadamente referentes à ‘economia’ do país com muitos nomes giros como IVA, taxas de tudo e mais alguma coisa, desemprego, subsídios, estado social, etc etc.

 

Chego mais uma vez à conclusão que o bom português se encontra extremamente dependente do seu compincha Estado, um português desorientado que tem de fazer contas à vida porque lhe tiram o rendimento social de inserção, um português invejoso dos ‘grandes ricos’, um português cego, que insiste votar naquele que lhe garante o dinheiro fácil que lhe cai nos bolsos ao fim do mês. Acima de tudo um português que aplica o que experiencia na sua pele e/ou do que ouviu falar o vizinho, achando que sabe tudo o que há para saber, disparando postas de pescada a uma velocidade estonteante. Aliás os mais ‘perigosos’ são precisamente aqueles que por lerem um livro de uma ideologia qualquer assumem logo que são uns iluminados.


Ora nisto o político se quer ser eleito tem que obrigatoriamente adoçar as suas palavras, usar uma retórica muitas vezes inflamada cheia de gritos e acusações a outros políticos (porque passar a batata quente é muito fácil). Não existe um único político a meu ver que ofereça a verdade como ela é; estamos todos num pardieiro com bosta até à cintura, e todos oferecem uma mansão de 17 quartos e piscina.


Só posso conjecturar mas possivelmente se houvesse neste momento um político português com ideias liberais a sério (não aquele liberal que pensa que Keynes se encaixa nesta categoria) que se dedicasse exclusivamente a dizer a verdade, a defender a propriedade, a propor a abolição do estado social, dos impostos, da intervenção do estado nos mercados, etc etc, não teria êxito nenhum. Não é isso que as pessoas querem ouvir, e em boa verdade todos querem uma realidade segura, estável e não uma em que tenham que fazer sacrifícios e assumir riscos. Muitos desejam um ‘nanny state’ e o liberalismo é precisamente o contrário; é aquele que nos incita a sermos empreendedores e autónomos, os senhores do nosso destino, dito de uma maneira mais poética.

 

Entretanto lá continuamos com esta palhaçada a que chamam eleições, onde os candidatos são extremamente simpáticos, distribuem beijinhos e abraços, fazem promessas fantasiosas como aumentar o salário mínimo nacional e acabar com a recessão entre outras propostas igualmente sonantes ao ouvido do eleitor.


 A sério Portugal? Vamos continuar a insistir sempre nos mesmos cavalos?


Maio 08 2011

 

 

 

 

Deixem que vos explique alguns factos acerca deste vídeo. Poderíamos começar pela diferença entre voluntariado e democracia.

 

No voluntariado o benfeitor entrega uma soma de capital (seja monetária ou em géneros) de livre vontade. Ele escolhe fazê-lo e com isso sente-se bem, promovendo até, dizem, a libertação de endorfinas nos centros do prazer (posso estar a inventar mas pelo menos a minha experiência também é esta). Como num investimento, cabe ao descapitalizado a análise do seu investimento, nomeadamente as consequências deste, seja o bom ou mau uso da sua dádiva. No entanto é comum no voluntariado não receber dividendos excepto um sorriso ou um obrigado.

 

Na democracia temos um voluntariado forçado (embora a palavra voluntariado nem se aplique). Teremos uma maioria que aprova um pacote de bailout com uns quantos zeros e cada um, incluindo aqueles que não concordaram, metaforicamente dirige-se ao mealheiro e tira de lá uma nota para financiar os “pobres” (na prática o país endivida-se e vai lentamente espremendo o contribuinte pelo pagamento da soma). A comissão de extorsão então junta tudo e manda para o destino. Está então encarregue de ver os frutos do seu investimento e pode até receber dividendos já que falamos de um empréstimo. Mas não nos deixemos enganar, as comissões fazem um trabalho tão bom em ver para onde vai o dinheiro como os contribuintes individuais quando mandam uma lata de feijão para África. E no fim àqueles que aceitavam o voluntariado fica-lhes a saber a pouco enquanto os que não queriam dar o dinheiro ficam com um mau sabor na boca. Pelo menos foi o que me ficou a saber aquando dos bailouts da Grécia e Irlanda. Não é uma questão de estar cá para o próximo ou não, é se somos obrigados ou não a fazê-lo.

 

Agora falemos de propaganda estatal.

 

Porque foi gasto dinheiro nisto? Eu preferia que me tivessem pago um café! E não é um pouco duvidoso ser o estado a lançar um vídeo com a intenção de receber mais dinheiro para redistribuir (leia-se gastar)? Isto lembrou-me de há uns anos passar nos vários canais publicidade ao “cheque dentista” (uma invenção socratina que provou a inadequação do sistema médico público já agora), que deixou todos saberem que o PS se preocupava com os nossos dentes. Quando fiz uma viagem a Santiago de Compostela via também cartazes do “plano E”, outro plano de contornos duvidosos.

Não é novidade (até pode ser porque vejo uma estupidificação geral acerca deste vídeo) que os governos “querem aparecer”. Publicitar as grandes (pequenas) vitórias é infinitamente mais decisor na opinião geral do que dar uma longa e enfadonha lista de colossais derrotas e erros. E neste caso o vídeo bonito esconde vários problemas: Portugal está em dívida mas tem mais telemóveis que habitantes, omitem-se os vários contornos obscuros das nossas grandes conquistas (que não deixo aqui porque a informação está na internet e não sou nenhuma autoridade na matéria para não me acompanhar de referências que neste momento desconheço) e finalmente porque gastámos mais do que produzimos estamos a fazer chantagem emocional feito bebés com os finlandeses. A mesma chantagem que se faz com os ricos para eles subsidiarem os pobres já que os primeiros têm um dever de retribuir à sociedade (como se não o fizessem pelos serviços que proporcionam e pessoas que empregam), sem dúvida que os governos já sabem a lengalenga. E como os portugueses cá a engolem tão bem, talvez os finlandeses também o façam.

 

Rezem então, os que suportam que o governo se continue a endividar por nós, rezem para que os finlandeses caiam na “artimanha”.

 

 

Entretanto isto é o que os finlandeses deveriam realmente saber sobre Portugal (créditos a quem sejam devidos pelo grande filme):

 

 

 


Abril 27 2011

"The fiscal developments in Greece are paradigmatic of the tragedy of the Euro and its incentives. When Greece entered the EMU, three factors combined to generate excessive deficits. First, Greece was admitted at a very high exchange rate. At this rate and prevailing wages, many workers were uncompetitive compared with the more highly capitalized workers from northern countries. To alleviate this problem, the alternatives were to (1) reduce wage rates to increase productivity, (2) increase government spending to subsidize unemployment (by unemployment benefits or early retirement schemes) or (3) employ these uncompetitive workers directly as public workers. Owing to strong labor unions the first alternative was put aside. Politicians chose the second and third alternatives which implied higher deficits."

 

Philipp Bagus, in "The Tragedy of the Euro", p. 93

publicado por Filipe Faria às 04:33

Abril 19 2011

 

Se Portugal sair do Euro, terá de voltar para uma moeda desvalorizada em relação a este, e as suas dívidas (contraídas em Euros) tornar-se-ão maiores. Como resolver este problema?

 

 

 

1) Não faz qualquer sentido falar em sair da zona euro sem a declaração de default e reestruturação da dívida. Só depois da assunção de bancarrota e de anulação de grande parte da dívida é que se pode voltar para o escudo de forma a ajustar o valor da moeda à nossa produção.

 

2) O default não é uma opção que os políticos portugueses possam evitar, é uma realidade inevitável que nenhum pacote de salvamento irá salvar, ou seja, vai acontecer quer eles queiram quer não. Os historiadores económicos revelam que países com dívidas públicas acima do 60% do PIB nunca ou raramente evitam o default. Nós já vamos perto dos 100% (números oficiais, fora as aldrabices contabilísticas do governo português e da UE). Todos os países da UE que estão na situação portuguesa vão entrar em default, é uma questão de saber quando.

 

3) É preferível assumir o default antes de contrairmos mais dívida do FMI e UE do que depois, visto que o default é inevitável.

 

4) Não sendo o default uma opção de políticos mas uma realidade que está a prazo, não vale a pena lamentarmo-nos do impacto que isso vai ter nos bancos portugueses e estrangeiros, porque esse impacto vai sempre acontecer. É melhor que aconteça antes de se acumular mais dívida e de forma preparada.

 

5) A única forma de voltar ao crescimento económico é deixar de ter uma moeda (o euro) que nos incentiva apenas a importar e a não produzir. A manutenção do euro só seria possível colocando todo o Portugal em "Welfare", sem produzir e vivendo da redistribuição de riqueza da União Europeia. Mas isso é socialismo, e tal como a Margaret Thatcher disse: "o problema do socialismo é que um dia acaba-se o dinheiro dos outros". E um dia acaba-se o dinheiro Alemão.

 

6) É verdade que os Alemães beneficiam grandemente de uma moeda (o euro) que está subvalorizada em relação à sua capacidade produtiva. Assim podem exportar para todos os países da zona euro e acumularem capital. Mas por outro lado são vítimas de expropriação por 2 vias: 1) Por via do Banco Central Europeu que tem taxas de juro expansionistas. Gera assim inflação que mantém os salários reais na Alemanha comparativamente baixos. Por outro lado, como não importam, os preços dos produtos internos sobem também. Por isso os economistas revelam que os salários na Alemanha estão artificialmente baixos e os preços dos produtos artificialmente altos, o que lhes diminui a qualidade de vida. 2) O capital que acumulam é expropriado por via da redistribuição de riqueza através da UE. Para manter este sistema perverso onde os Alemães produzem e os PIIGS consomem, boa parte do capital acumulado proveniente das exportações serve para salvar os países endividados, improdutivos e com uma estrutura produtiva destruída devido aos incentivos deste eurosistema.

 

7) Em última instância, se os Alemães usarem continuamente o seu dinheiro para pagar os défices de todos os países, eles próprios vão entrar em bancarrota, deixam de ter acesso aos mercados e acaba-se o eurosocialismo.

 

publicado por Filipe Faria às 18:11

Abril 17 2011

 

Chegamos a uma fase em que se tornou evidente que o Euro é um travão ao crescimento económico português, em boa parte devido ao facto de ser uma moeda cujo valor não está ajustado à economia portuguesa mas sim às da Europa central. Tal desfasamento incentivou o despesismo estatal e o endividamento que se observa correntemente; mas mais importante, tornou a economia portuguesa improdutiva e com um crescimento económico anémico. Dentro da zona euro só há 2 soluções para Portugal: ou continua dentro do Euro e mais tarde ou mais cedo, devido à perpetuação desta conjuntura, terá de entregar a soberania económica a Bruxelas (que anseia por esse momento), ou sai do Euro, reestrutura a sua dívida, e volta a ter controlo sobre a sua política monetária.

 

Em terras lusas, esta segunda hipótese é chocante para muitas pessoas dos mais variados quadrantes. O argumento destes é o seguinte: Portugal é um país de incompetentes políticos e, como tal, não pode gerir a sua política monetária. Fazê-lo seria correr o risco de enveredar por inflações endémicas causada pela impressora de dinheiro que os políticos usariam para corrigir a despesa pública irresponsável. Desta forma, rapidamente Portugal sairia da Europa e cairia no ... wait for it .. 3º mundo. Mas será que isto é realmente verdade?

 

 

 

Neste gráfico elaborado pelo Banco Mundial é possível observar as diferenças de crescimento económico entre um país que aderiu ao Euro (Portugal) e um que não aderiu ao Euro (o Reino Unido). A descida de 2008-2009 em ambos os países foi o produto da crise financeira que atingiu todos os países europeus. Porém, torna-se por demais claro que depois da introdução da moeda única em Janeiro de 1999 o Reino Unido manteve o seu crescimento regular e Portugal desceu consideravelmente o seu crescimento médio desde então até aos dias de hoje (sem qualquer perspectiva de recuperação). Mas se somos incompetentes e não podemos tomar conta da nossa política monetária, não há nada a fazer certo? A hiperinflação da democracia da primeira república mostra que estamos permanentemente condenados à incompetência, certo? Os dados empíricos rejeitam esta ideia. Ao observar o resto do gráfico é possível perceber que, com o controlo da nossa moeda, quer em ditadura, quer em democracia (1974-1999), não se vislumbram essas catástrofes 3º mundistas a que supostamente estamos destinados devido à nossa “genética” impressora de dinheiro. O crescimento económico (já ajustado à inflação) continuou a ser substancialmente maior nos períodos em que Portugal controlava a sua moeda do que quando deixou de a controlar.  

 

Consequentemente, visto que não estamos condenados à incompetência monetária absoluta e que não estamos interessados em jogar o jogo dos governos e dos bancos da Europa central que controlam a nossa dívida pública, a melhor via para Portugal é rejeitar a perpetuação desta situação com mais resgates inúteis a longo prazo, reestruturar a sua dívida através de um “default” parcial e sair do Euro para que possa finalmente voltar a crescer economicamente e não perder a sua autonomia como nação. A união europeia deve ser encarada simplesmente como um acordo entre europeus para um livre mercado de bens, capitais, serviços e pessoas; qualquer tentativa de centralização de poder para além disso deve ser, no meu entender, liminarmente rejeitada.

 

 

publicado por Filipe Faria às 15:15

Abril 14 2011

Depois de ler este texto do sociólogo Robert Fishman chego à conclusão que afinal Portugal não tem problemas de maior e que apenas as agências de rating são culpadas. É isto verdade? Claramente não. Sou um acérrimo crítico da falta de competição no mercado das agências de rating mas fingir que o problema está apenas no lado delas é esquecer que estamos a chegar rapidamente a uma dívida pública de 100% do PIB que vai hipotecar as próximas gerações. Isto não foi culpa das agências de rating mas dos nossos políticos e dos incentivos da UE.

 

Depois, este texto está cheio de imprecisões económicas, vou dar alguns exemplos:

 

"Portugal had strong economic performance in the 1990s and was managing its recovery from the global recession better than several other countries in Europe, but it has come under unfair and arbitrary pressure from bond traders, speculators and credit rating analysts "

 

Portugal teve uma performance económica forte nos anos 90 não por causa de ter uma capacidade produtiva forte mas sim porque recebeu estímulos infindáveis de fundos vindos da União Europeia, o que, por algum tempo, gerou o efeito multiplicador keynesiano aparentemente tão apreciado pelo autor deste texto. Quando o efeito foi desaparecendo, a nossa verdadeira capacidade produtiva mostrou-se aquando o Euro foi introduzido e Portugal não teve capacidade de produção para lidar com o seu valor monetário (ajustado às economias da Europa Central). Como tal, para compensar o diferencial, os governos portugueses pediram emprestado aproveitando-se dos baixos juros que o Euro lhes garantia. E gastaram o mais que puderam no sentido de comprar o eleitorado, até que a crise veio e chegamos ao défice de 12 %, ou mais, porque com a conivência da UE a contabilidade foi comprovadamente manipulada. Não é por acaso que praticamente todos os economistas (dos keynesianos aos free-marketeers) concordam com a década perdida em termos de crescimento económico (2000-2010/11). Fishman parece ignorar esta década ou fingir que ela não importa para esta questão. 

 

"Could Europe have averted this bailout? The European Central Bank could have bought Portuguese bonds aggressively and headed off the latest panic."

 

Com esta solução, talvez por ser sociólogo e não economista, ele ignora as consequências de colocar um banco central a comprar dívida soberana através da impressão de dinheiro: INFLAÇÃO. Este processo levaria a que todos os Estados europeus pudessem pedir emprestado tanto quando pudessem e depois vendessem a dívida ao BCE, permitindo-lhes continuar a pedir emprestado indiscriminadamente. Como prática regular, isto levaria a uma inflação endémica e a uma incontinência fiscal desastrosa para o regular funcionamento do mercado de bens e serviços. Até os Estados que se controlassem na sua despesa pública seriam vítimas dos efeitos da impressão de moeda do BCE. Como tal, todos os incentivos iriam no sentido de todos os Estados gastarem o máximo que puderem. O BCE tornar-se-ia no paradigma da tragédia dos comuns.

 

Em suma, Fishman tenta passar a imagem de que os problemas portugueses não existem e de que Portugal é apenas vítima de especuladores com ideologias libertárias/liberais. Está errado por pelo menos 2 razões: 1) As agências de rating não funcionam no mercado livre, pois são um cartel criado pelas regulações estatais. 2) O resultado final destas crises será a centralização do processo económico na UE; e todos sabem que centralização económica é a antítese do que qualquer libertário/liberal quer.

publicado por Filipe Faria às 00:16

Abril 08 2011

Em Portugal, tornou-se demasiado comum ouvir auto-denominados conservadores/liberais, proponentes do mercado livre, defenderem o Euro como um instrumento que garante o livre mercado. Quero desde já dizer que considero que estão equivocados. Na prática, o Euro é um dos grandes responsáveis pela actual situação portuguesa de insolvência, dívida endémica e estagnação económica.

 

Com isto não quero ilibar as políticas socialistas dos governos portugueses nos últimos 37 anos: Impostos altos que sufocam a economia, burocracia ineficiente, despesa pública sem qualquer critério, redistribuição a larga escala, leis laborais quasi-comunistas, entre várias outras, são igualmente responsáveis. Porém, ao fazermos uma análise comparativa entre estas políticas “socialistas” portuguesas e as francesas ou alemãs chegamos rapidamente à conclusão que em muitos casos os impostos são ainda mais elevados por lá e as percentagens do PIB que os Estados franceses e alemães gastam são semelhantes ou superiores à que o Estado português gasta. Igualmente, as leis laborais nesses sítios não primam por serem particularmente flexíveis e os níveis de redistribuição não são inferiores aos portugueses. É possível concluir que, em termos gerais, o modelo social democrata está implantado nestes 3 países de forma relativamente semelhante e as referências em termos de políticas públicas nunca variam senão no seu grau e na sua eficiência. Se estes países conseguem pagar as suas dívidas externas é porque se podem dar ao luxo de destruir parte da sua capacidade produtiva com políticas socialistas e ainda serem produtivas o suficiente para gerar receita estatal. O mesmo já não se pode dizer de Portugal, cuja capacidade produtiva anémica não consegue sobreviver a iguais políticas.   

 

Se as referências ao nível das políticas públicas são semelhantes, porque é que estas economias crescem economicamente e Portugal não? Mais, como é que estas economias ainda se dão ao luxo de emprestar fundos a Estados em decadência económica como o português? A resposta imediata prende-se com dois factores determinantes: Primeiro, a estrutura produtiva destes países da Europa central é forte e tem capacidade exportadora, principalmente a Alemanha. Segundo, as taxas de juro do Banco Central Europeu estão ajustadas à actividade económica daquela área geográfica e vão atender às suas necessidades devido às pressões da União Europeia, onde a influência da Alemanha e França é determinante. Consequentemente, as taxas de juros do Banco Central Europeu irão subir quando estas economias sentirem pressões inflacionárias e irão descer quando precisarem de “estímulos” económicos. Isto, claro, à revelia de países periféricos que, mesmo que estejam em contra-ciclo em relação às economias da Europa central, sofrem as consequências de terem de lidar com taxas de juros desajustadas  para as suas economias.

 

 

 

 

 

No caso português este fenómeno é gritante. Portugal claramente não tem uma economia que produza o suficiente para justificar uma moeda forte como o Euro. Já não tinha quando entrou no Euro e tem cada vez menos devido à destruição de capacidade produtiva que os fundos comunitários geraram; estes últimos criaram dependência, grupos de interesse ferozes e investimentos não rentáveis. Portugal evitou as pressões inflacionárias da entrada no Euro devido aos massivos fundos estruturais da União Europeia; mas rapidamente se percebeu que para manter a economia a funcionar com uma moeda desajustada seria preciso pedir emprestado para compensar a falta de produtividade. Foi isto que se fez e chegámos ao que os economistas chamam de década perdida, onde praticamente não se registou qualquer crescimento.

 

Porque questionar o Euro é tabu político, os políticos portugueses continuaram a pedir emprestado em vez de encontrarem outra solução monetária independente que permitisse tornar a economia mais produtiva e exportadora. Cortar na despesa também sempre esteve fora de questão visto que tais medidas custariam votos. A União Europeia em vez de sancionar de facto este processo, foi incentivando este modelo ao reformular os limites à medida que todos os limites iam sendo ultrapassados. A verdade é que parece não ser do interesse da União Europeia expulsar ninguém da união monetária, mas sim preparar-se tomar o controlo do processo económico quando for claro que estes países periféricos como Portugal não poderão ter autonomia económica neste contexto do Euro. Depois de salvarem todos estes países em dificuldades e possuírem grande parte da sua dívida externa, visto que não se vislumbra qualquer mudança no crescimento económico nos mesmos, esta transferência de poder para Bruxelas será uma progressão natural. Ademais, com os países periféricos fora do Euro e com moedas mais fracas a Alemanha perderia mercado, teria de importar mais e exportar menos, e tal, obviamente não interessa aos germânicos no contexto actual. Já Portugal, teria a oportunidade de conferir vitalidade à sua estrutura produtiva exportadora.

 

Em suma, o Euro teve um papel decisivo na actual situação portuguesa, tornou a ordem social em que vivemos progressivamente iliberal. Em nome do Euro, fundos são agora transferidos massivamente de contribuinte para contribuinte, de país para país, sabendo-se que os grandes beneficiários neste processo são os grupos económicos e grupos de pressão que parasitam os Estados. Em nome da moeda única, hipoteca-se as próximas gerações futuras que nascem já com dívidas inomináveis. Porém, é certo que ao sair do Euro, o Estado português teria muito mais dificuldades em financiar-se nos mercados; mas qualquer pessoa economicamente liberal devia ficar satisfeito com este facto. Um Estado que tem dificuldades em pedir emprestado precisa de viver com as receitas modestas que o contribuinte estiver disposto a dar para os gastos públicos.

 

Não, definitivamente, o Euro não é um instrumento liberal. 

publicado por Filipe Faria às 13:00

Abril 30 2010

Por muito surpreendente que seja, desta vez eu e o Daniel Oliveira temos a mesma opinião num ponto base importante: a prioridade de Portugal deve ser, acima de tudo o crescimento económico. No seu texto para o jornal “O Expresso” que podem ler no seguinte link http://aeiou.expresso.pt/e-o-crescimento-estupido=f579597 Daniel Oliveira critica o excesso de concentração do governo na dívida pública sendo que a mesma é unicamente um problema galopante devido a um crescimento baixo estrutural.

 

Chegando a este ponto, e menosprezando as referencias a economistas que me agradam pouco (como Paul Krugman) as minhas sobrancelhas levantaram-se no que parecia um opinar economicamente viável e minimamente coerente por parte do normalmente insano discurso económico do autor. De facto, países com dívidas maiores que a nossa não são, como diz  Daniel Oliveira, tão pressionados como nós. No entanto não se trata de uma conspiração “especulativa” contra Portugal mas sim do facto que dados como o baixo crescimento económico, um código laboral rígido e um estado pesadíssimo oferecerem poucos possibilidades de resolução do problema.

 

Daniel Oliveira esquece-se que o mercado, os preços, e tudo o que é economico se projecta no futuro de maneira prospectiva. Com a nossa dívida passa-se o mesmo, o mundo económico olha para o que será de Portugal, não contam só indicadores económicos actuais. Esta falha de avaliação torna-se mais óbvia, e mais preocupante, com a tendência geral da esquerda portuguesa a esquecer o longo prazo e a apresentar soluções que levam à estatização contínua, à redução do poder decisório da sociedade civil e ao sacrifício do crescimento futuro. Acima de tudo, esquecem-se que em economia não há almoços grátis. Tudo se paga.

 

Assim, na defesa do dever do Estado promover o crescimento, apresenta sem hesitar o investimento público e os seus efeitos multiplicadores como a forma mais adequada. Esta visão, aparentemente simples e correcta no curto prazo, apresenta numerosas deficiências as quais Daniel não conhece ou então, sobre as quais, escolhe não dizer uma palavra. Ainda para mais, acrescenta, depois desta solução unívoca, pseudo-remédio universal, que “crescer com menos investimento (suponho que público) é uma ilusão.

 

Os investimentos públicos normalmente são apresentados e planificados por uma de três razões: a primeira é uma necessidade estrutural da actividade económica, ou seja, os produtores, os consumidores ou ambos têm vantagens pela estruturação da actividade económica. Por exemplo, não se pode explorar uma mina ou abastecer uma cidade sem vias de acesso. Aqui o investimento justifica-se pela sua utilidade que transcende o seu significado económico imediato. Ou seja, exprime-se pela viabilização de actividade privada no futuro. Mais duvidosas e questionáveis são as duas outras razões, uma delas a defendida por Daniel Oliveira. A obra pública como “método de criação de emprego” ou como maneira de “criar riqueza que de outra maneira não seria produzida”.

 

Relegamos neste texto a primeira para que o mesmo não seja demasiado extenso. Centremo-nos nas razões de Daniel Oliveira.

Não havendo espaço para baixar impostos e logo para a expansão do consumo privado só há então, na sua visão, essa maneira de estimular o crescimento e daí advém a capacitação do país para pagar a sua dívida externa. Antes de apresentar alternativas (as quais o autor nega desde logo existirem) vamos analisar a curto e longo prazo as consequências desta actuação.


O Governo português, pressionado pelos mercados internacionais devido à sua dívida e baixo crescimento, começa um projecto nacional de obras públicas (talvez ao estilo do plano E em Espanha). Assim a dívida pública, a qual foi secundarizada, dispara mais uma vez já que o governo não procurando controla-la leva ao aumento do custo de financiamento (que recordo está hoje nos 5.6%). O deficit de Estado com os crescentes gastos também aumenta consideravelmente. Os juros vão ficar cada vez mais caros e o dinheiro necessário para o serviço da dívida vai ser cada vez mais.

Em troca criaram-se diversos projectos que diminuíram o desemprego até determinado ponto e levaram, talvez, ao país estar melhor suprido de infrastruturas e afins (depende da natureza dos mesmos). Os salários pagos aos trabalhadores vão levar a um aumento no consumo privado e logo a uma expansão da actividade económica.

 

Fica a pergunta, tendo em conta este cenário, poder-se-ia supor uma resolução para o problema de baixo crescimento? Não. Para financiar estes variados projectos a única maneira de o fazer é através da cobrança de impostos ou da emissão de dívida. Se baseados na primeira, o “emprego criado” e a “riqueza criada” vêm directamente dos contribuintes o que vai levar a uma redução do consumo privado a qual vai levar à destruição de emprego devido à menor procura. A hipotética belíssima ponte levou à não produção de diversos bens na economia e deslocou inutilmente mão-de-obra a qual vai depois demorar a encontrar-se ocupada no sector privado, por outro lado pode provocar a inflação do preço de matérias primas ou do crédito prejudicando empresas normalmente eficientes criando assim subidas de preços e adicional destruição de emprego. No entanto até não seria tão mau se fosse “euro por euro”, ou seja que cada euro gasto na ponte fosse equivalente a um euro perdido no consumo privado. Só teria, então, existido uma “transferência de riqueza” mais ou menos equivalente. Não é assim tão simples, a tributação adicional vai levar a menores perspectivas quanto aos benefícios futuros da actividade económica e logo o investimento, a criação de emprego, a poupança e a produção vão sofrer estruturalmente. Vai haver menor produção e também menor poder aquisitivo. A sociedade empobreceu-se.

 

Mas e se a alternativa for o crédito? Pois bem, o crédito nada mais significa que espalhar as consequências faladas pelo tempo fora. Com custos adicionais, os juros que pagaremos pelo nosso descontrole e intervencionismo abusivo.

Daniel Oliveira está, no fim de contas, a propor medidas que sacrificarão o crescimento futuro e assim as perspectivas dos portugueses de melhorar a sua qualidade de vida. Os portugueses veriam garantida uma presença fiscal pesadíssima para conseguir pagar os juros dos abusos actuais prolongar-se por anos a fio. Os impostos a terem de ser aumentados para conseguir sustentar o nosso megalómano estado social e a dívida ao mesmo tempo. Ou seja, as vantagens de curto prazo são totalmente anuladas pelos danos irreparáveis no crescimento futuro, incomparavelmente superiores aos ganhos actuais com tal política. Um paliativo para um ou dois anos deste género não seria mais que adiar e agravar o problema.

 

O mais ridículo de tudo isto é que não seriam tomadas nenhumas medidas estruturais de forma a potenciar o crescimento de forma a dar continuidade a este estímulo já de si duvidoso. Seria só um folgo de ar fresco temporário com consequências gravíssimas para orçamentos e crescimento futuros. Tratamos HIV com Paracetamol. O aumento de consumo (que mesmo que fosse intenso não compensaria) vai esbarrar com a crescente burocracia estatal que regula a actividade económica, com os impostos altos que a asfixiam, com um código laboral que nada mais faz que impedir a criação de emprego, baixar a produção total entre outros.

 

A solução real é Portugal procurar promover a criação de riqueza tornando o nosso país mais atractivo. Como? Diminuir a burocracia, rever o código laboral, as leis de salário mínimo, as limitações efectivas à iniciativa empresarial, privatizar variadas empresas e procurar transferir competências várias à sociedade civil. Com a diminuição das funções do estado e o alterar das regulações referidas o aumento de actividade produtiva estrutural originada iria levar a um maior volume de produção, menos desemprego, diminuição dos preços reais e, a médio prazo,  seria possível baixar impostos e aumentar ainda mais criação de riqueza, a produtividade, os salários e assim a riqueza total. Ficando o país mais rico, os mercados mais calmos e a dívida controlada.


Diogo Santos



Fevereiro 15 2010

Ninguém pode acusar Pina Manique de ser um liberal. No século XVIII, este intendente geral da polícia perseguiu a maçonaria para terminar com o que na altura se denominava de ideário liberal em Portugal. Era claramente um defensor do regime absolutista monárquico. Na economia era um intervencionista de Estado e um proteccionista. Contudo, conhecia a fórmula para gerar desenvolvimento. Quando quis desenvolver o Alentejo, sugeriu levar para essa zona inúmeras famílias e isentá-las do pagamento de impostos ou cobrar-lhes impostos reduzidos para que pudessem guardar os frutos do seu trabalho e tivessem incentivos para o investimento. De vez em quando, os planeadores do Estado têm estes desabafos...

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 11:56

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