O REPLICADOR

Junho 02 2011

Escrevo este texto de forma a ser uma referência para todos aqueles que ainda me apoquentam com ideias de que a crise económica foi causada pelas políticas neoliberais. Espero no futuro poder enviar para aqui todos os que violarem algum dos sacramentos abaixo expostos. Não é uma exposição extensa de todos os argumentos errados que são ditos no dia-a-dia corrente nem mesmo uma explicação integra da escola austríaca para a crise que culminou em 2008 pela primeira vez (porque a bolha continua e há de voltar a rebentar).

 

1-      O que são os neoliberais?

Eu também não sei esta resposta e não há hipótese de ser esclarecido entretanto. Neoliberal é o termo dado à pessoa que promove o crescimento do sector bancário em detrimento do cidadão. É aquele que renega os interesses do indivíduo para os pôr no “mercado”, mercado esse que é constituído pela soma sinérgica da ganância de cada empresário.

Claro que liberal não é nada disto. Um liberal deseja acima de tudo a liberdade do indivíduo, tanto quanto a responsabilidade pelas suas acções e o seu direito à propriedade e inviolação desta. Isto é válido falemos do homem mais pobre do mundo ou do George Soros.

Para motivos de facilitação do discurso tomemos os liberais clássicos (como eu) por neoliberais, ou seja, faça-se essa confusão com o intuito de dar um mínimo de validade aos argumentos bacocos habituais.

 

2-      A culpa da crise é dos neoliberais!

Não e a razão é muito simples: os neoliberais não estavam lá sequer. Há duas versões habituais que apontam as culpas, ou para a reserva federal (como o caso de Krugman) ou para os banqueiros e especuladores (o caso dos políticos e cineastas).

No caso da reserva federal, a resposta para que a culpa não seja nossa é muito simples: não há um liberal que apoie a existência da reserva federal. A FED é um órgão com capacidade de emitir moeda (os liberais apoiam o ouro como moeda, não havendo nunca possibilidade de emitir ouro a partir do ar) e de emprestar essa moeda fiduciária a taxas de juro que pode alterar a seu prazer. Para um liberal, isso é inadmissível. A moeda tem que ser sempre acoplada a produção e sofrer alterações mínimas e esperáveis. No caso do dólar, euro e afins, cada vez que é imprimida mais uma nota esta vai diluir o valor de todas as outras, aumentando os preços. Mas quem recebe a nota primeiro ainda compra com os preços antigos. Isto prejudica tanto os empresários que não têm uma plataforma estável para calcular as despesas reais quanto as pessoas sujeitas a ordenados fixos (como os idosos na reforma) que passam a poder comprar menos com o rendimento fixo que têm.

No caso dos banqueiros e especuladores, este dedo difama os empréstimos maus que foram feitos, os chamados sub-prime, e que depois minaram todo o sistema. Os empréstimos sub-prime foram feitos em primeiro lugar porque a FED baixou a taxa de juro o suficiente para não haver risco para os bancos se meterem nestas aventuras. O governo americano chegou mesmo a encorajar os bancos a emprestar àqueles que não podiam pagar. Esses empréstimos sub-prime, tanto de bancos como de fundos de investimento, foram agregados e cortados e vários pacotes, os pacotes dos que recebiam primeiro e os pacotes dos que recebiam por último. Esses pacotes receberam classificações diferentes pelas agências de rating e assim os fundos de reforma e outros fundos mais conservadores que se preocupam principalmente com a segurança dos investimentos, seguiram a opinião das agências e compraram os primeiros, que tinham classificação AAA. Estamos a falar de empréstimos de pessoas que não tinham capacidade de pagar mas que ainda assim conseguiram a melhor classificação.

Obviamente que isto tinha que falhar. A culpa foi de quem? Dos especuladores? E que tal da reserva federal e das agências de rating? E as agências de rating não são sequer empresas privadas inquestionáveis, existe uma profunda intimidade entre estas e o governo americano, já que são mencionadas em leis que as tornam tanto imprescindíveis como insubstituíveis.

 

3-      A culpa é das agências de rating que “davam AAA a todos os títulos manhosos de hipotecas e imobiliário que alimentaram a bolha de especulação nos EUA, porque era isso que a grande finança queria, para ganhar mais e distribuir mais dividendos”.

Sim, não, por onde hei-de começar? A grande finança não existe, existem accionistas. E os accionistas não gostam de perder dinheiro. As agências de rating respondem ao governo dos EUA, não aos accionistas das empresas. E estes últimos fizeram o que fizeram (emprestar a torto e a direito) porque a outra hipótese era continuar a ver a FED a imprimir dinheiro enquanto eles ficavam de fora a ver os seus rendimentos a serem desvalorizados por decreto. As taxas de juro baixíssimas da FED significaram que quem “fosse no barco” teria altíssimos lucros e quem não fosse veria prejuízo pela desvalorização de capital. Assim a escolha foi muito fácil.

 

4-      A solução é gastar mais e salvar as estruturas (bailout)!

Não, obviamente que não. Graças a todos os empréstimos de dinheiro inexistente, existem muitos factores de produção que estão mal alocados, isto é, que não suprem uma necessidade dos consumidores. Estes investimentos têm que cair para que os seus factores sejam libertados para os investimentos que satisfaçam as necessidades das pessoas. E os bens têm que ser reequilibrados, isto é, os preços têm que ser reavaliados consoante a verdadeira procura e não a procura fruto do “expansionismo” da FED. Só quando os bens estiverem devidamente alocados e os preços reajustados à realidade económica actual se pode dizer que a economia tenha resumido a sua funcionalidade normal.

Gastar mais dinheiro significa perpetuar o desajuste, o mesmo são os bailouts. O desajuste entre o consumo e a produção mantem-se, os factores de produção estão mal alocados e a dívida destes países keynesianos e monetaristas tende a subir. O buraco continua-se a cavar até as pessoas se aperceberem. E na mesma comparação, quanto mais cedo se parar de cavar e começar a sair do buraco, melhor.

 

5-      A solução da crise é regular os mercados para que tal não aconteça!

É proibido copiar música e todos o fazem. Era proibido o aborto e também se abortava. É proibido roubar e há assaltos todos os dias, em Portugal a maioria nunca chega a tribunal. As regulações não funcionam e aumentam o gasto de recursos, quanto mais não seja em fiscalização. E foram por exemplo as regulações dos bancos impostas nos EUA que deram a origem aos fundos de investimento, pelo Krugman chamadas de “Instituições bancárias sombra”. Estas caiam fora da regulamentação e faziam o que queriam.

Além de que as regulações são feitas por políticos que a) não antevêem as necessidades futuras de mercado porque ninguém consegue; b) são tendenciosos para as empresas já instaladas, impedindo novas empresas de se juntarem e efectivamente criando monopólios; c) são ou têm capacidade ou tendência para serem corruptos.

Quando foi a última vez que mandaram um papel para o chão apesar de ser proibido?

 

6-      A dívida externa é um facto e a culpa dela aumentar é das agências de rating!

Como disse em 2, as agências de rating têm os seus problemas de falta de isolamento, têm uma ligação demasiado acentuada com os governos para se acreditar nelas. Mas a verdade é que muitos bacocos acreditam e como tal os outros também têm que estar à escuta para poderem antever as tendências de mercado.

A dívida externa é um facto mas não devia ser. Não faz o mínimo sentido um governo ter o poder de endividar os habitantes do seu país, exceptuando talvez um caso de calamidade nacional. Porquê? Esqueçamos a obrigação moral de não pedir dinheiro emprestado pelos outros e voltemo-nos para a conspurcação política que essa capacidade produz. Um governo de 4 anos tem todo o incentivo em pedir dinheiro emprestado enquanto pode para “mostrar obra”. Finda a governação vêm os impostos decorrentes do pagamento da dívida e esse antigo governo pode agora culpar o novo pela descida na qualidade de vida. Foi isto o que se passou em Portugal, durante anos se viveu acima das capacidades, endividando os trabalhadores futuros. Não se aceitaram os problemas da crise de 2008, apenas se cresceu a dívida com a fé de que se saltássemos esse período que tudo estaria bem. Não está, obviamente, porque continuamos com os problemas estruturais e agora somados a uma dívida que entre sector público e empresas públicas ascende a mais de 125% do PIB.

Espera-se que um país pague mais do que o que produz num ano? Se neste momento deixássemos de comer e gastar qualquer dinheiro apenas para mandar tudo para fora e pagar as dívidas, nem em Setembro de 2012 estávamos safos. As agências de rating mantiveram o nosso rating alto demasiado tempo. Neste momento, com toda a perda de credibilidade, vêem-se forçadas a baixar os ratings finalmente. Independentemente de as agências terem feito bem ou mal, a culpa da dívida é sempre nossa por termos pedido emprestado demasiado e durante demasiado tempo.

 

7-      Deixar os mercados â mercê vai levar a desemprego massivo!

Sim, momentâneo. Mas vai libertar esses desempregados e os recursos mal usados da empresa onde trabalhavam para que outras possam pegar neles. Estes novos empregados podem produzir algo de interesse e efectivamente aumentar a qualidade de vida geral. Perceba-se que emprego arranja-se facilmente, podemos pôr metade dos desempregados a cavar um buraco e a outra metade a tapá-lo. O problema é que a sociedade não fica mais rica por isso, fica mais pobre na medida em que os trabalhadores estão a gastar energia para nada. Por curiosidade, lembremo-nos da diferença entre a crise económica de 1920 que durou 1 ano sem o estado fazer nada e a crise de 1930 que, com intervenção estatal, se arrastou até…bem, até à 2ª guerra, não?

 

8-      Mas e os pobres?

Lembremo-nos do ónus que é a pobreza neste país. Decerto que um verdadeiro pobre prefere estar a ganhar menos que o salário mínimo e trabalhar para fazer a sociedade melhor e mais produtiva do que estar desempregado porque nenhum empregador tem trabalho que lhe possa oferecer que não dê prejuízo se lhe pagar o salário mínimo (mais subsídios de férias, natal, saúde, e todas as outras obrigações). Se continuarmos a política de redistribuição, minando todo o tecido produtivo, os pobres serão todos os que não têm cunhas no estado.

 

9-      E os direitos de Abril?

Nenhum direito é mais importante que o direito à liberdade e propriedade. Ponto final. Os direitos de Abril são invenções do socialismo que para ganharem o favor da maioria da população, concordam em expropriar os ricos, ou seja aqueles que por proporcionarem às pessoas aquilo que elas queriam conseguiram acumular riqueza, para dar aos pobres sem qualquer discriminação meritocrática. A igualdade de Abril não é igualdade de direitos, é igualdade de resultados.

 

 


Maio 23 2011

 

 

 http://www.ionline.pt/conteudo/125008-jovens-do-rossio-negociar-divida-ja

 

Vai-se tornando comum o comentário à notícia mas esta foi simplesmente irresistível. A geração à rasca tem-me dado muito com que trabalhar e voltaram a exceder-se.

 

É muito fácil bater nos jovens mas pelos vistos é necessário, não vão os casalinhos apaixonados deixar de ter outro espaço para a marmelada. A geração à rasca tomou o Rossio com novas manifestações que, segundo os dirigentes que não são dirigentes, porque o movimento não tem lideres, são absolutamente espectaculares já que há gente a falar em público com megafones que nunca antes o havia feito. Eu diria que estavam melhor calados mas depois chamavam-me fascista.

 

Quanto à lengalenga, é a do costume mas com um "twist". Agora já não querem mobilizar só os jovens para uma causa sem causa (a não ser que levantar Portugal meramente com barulho seja uma causa), desejam que se forme uma comissão de avaliação da dívida, distinguindo a parte dita "verdadeira" da dívida da parte que "é dívida odiosa, causada pela especulação". Como pelos vistos se fez na Islândia que tem sido divinificada nos últimos tempos.

 

A sério... leiam um livro de economia... façam uma tarde de raciocínio... até o Krugman percebe isto, acho.

 

Não existe dívida odiosa, existe dívida. A dívida não nos foi imposta, o estado é que pediu o dinheiro emprestado em nosso nome. E sim, os juros foram aumentando à medida que os especuladores perdiam a fé na capacidade de pagamento de Portugal. É de estranhar?

 

Há um assunto bastante importante que deve também ser comentado. A especulação. Esta é vista por muitos como um organismo de destabilização do mercado que sobe os preços, seja por pressão emotiva, seja por acção intencional - por exemplo pelos movimentos enormes que os hedge-funds são capazes. Os especuladores são incompreendidos porque, afinal de contas, estão a fazer dinheiro ao tirar produtos do mercado e aumentar os preços deles. Mas como o Hazlitt disse umas quinhentas vezes no "Economics in one lesson", as pessoas não estão a ver o assunto em profundidade.

 

O especulador tem uma função reguladora na mão invisível que é imprescindível ao bom funcionamento do mercado numa perspectiva de longo prazo. A economia evoluiu o suficiente para ultrapassar a fase do "guardar os cereais e sementes no celeiro para não morrer no inverno" mas isso não quer dizer que não seja necessário. Esse é o objectivo não intencional dos especuladores. Estes tentam obter o máximo de informação sobre determinados produtos, objectivando (com umas quantas contas matemáticas, magia negra e muita sorte) se o preço dos produtos irá aumentar ou não no futuro. Lembremos que este aumento reflecte habitualmente uma escassez. Os especuladores compram o produto agora a um preço mais baixo para vender mais tarde com este mais alto. E normalmente é aqui que o bom político pára e faz as suas observações superficiais na tentativa de captar votos através do ódio. Mas a história continua. Se realmente houver uma escassez futura do produto então o especulador obtém lucro. Ao mesmo tempo, saliente-se, é aliviada a mesma escassez com a introdução desses produtos no mercado.

 

Ou seja, o especulador tem uma função de restringir o consumo de modo a que não haja carência de todo (escassez "como no tempo dos nossos avós", em que simplesmente se esgota o produto).

 

E com o preço mais caro em tempo de abundância auxilia-se o mesmo facto já que se reduz o consumo, mantendo os stocks de reserva maiores.

 

E se não houver escassez? Então o especulador só aumentou os preços? Não. Se o produto não sofrer uma quebra ou ruptura, o especulador vai perder dinheiro, tal como é saudável numa economia sem regulações, e terá que pôr o produto no mercado, baixando o valor deste. Assim, num caso sem problemas, a flutuação de preços da responsabilidade do especulador é compensada no futuro em que a sua aposta caia por terra.

 

Há depois o problema dos "instrumentos avançados de especulação", como por exemplo os futuros. Os futuros não passam de instrumentos que reduzem o risco comportado pelos especuladores mas ao mesmo tempo reduzem a sua margem de lucro. O sistema é o mesmo, o da compra e da venda.

 

Finalmente o problema que muitos pensam ser o mais importante: a pressão enorme causada pelos hedge-funds, fundos de investimento tão massivos que conseguem descaracterizar as "verdades" do mercado. Um caso foi o "black-wednesday" de 1992 em que George Soros mobilizou dinheiro suficiente para a pressão no Reino Unido ser suficiente de modo a que estes não tivessem solução senão permitir que a libra voltasse a flutuar. Se removermos a intervenção estatal do UK na moeda, então o Soros não teria feito 1.1 biliões de dólares nesse dia.

 

As firmas demasiado grandes, além do facto de habitualmente serem criadas por alguma intervenção estatal que permite que estas cresçam, são um risco para e economia e humanidade? Sim, é possível. Do mesmo modo que qualquer outro poder é. Mas isso não é razão para o povo entregar as rédeas aos governos para estes as conterem. Eliminamos um leviatã para criar outro. E ficamos eternamente contentes porque temos a ilusão de que a democracia controla o governo. Com a diferença que os gigantes do mercado vivem para nos servir melhor ou pior e se não gostamos deles podemos abandoná-los e ir ao shopping do lado.

 

Como uma das activistas do movimento geração à rasca admitiu: "Quando os mecanismos democráticos não funcionam, cabe ao povo fazê-lo, para que exista justiça social", que eu leio "o povo é quem mais ordena mas não através da democracia".

 

 

Para quem quer ler mais sobre o tema da especulação como organismo benéfico, leiam este excerto do livro de Walter Block "Defending the undefendable"

 

http://mises.org/daily/4466  

 

 

 

PS: aparentemente a Raquel Freire diz que Portugal "acumula uma dívida que não se sabe de onde vem". Não se preocupem que se eu a vir na rua explico-lhe. Sou eu a ser um bom samaritano como é costume.

publicado por João Rodrigo às 12:15

Maio 21 2011

 

 

 

Qual é o problema do liberalismo? Todos os liberais sabem qual é, todos conjecturam sobre a solução mas muito poucos fazem algo por isso.

 

Na língua inglesa roubaram-nos a palavra liberal. Hoje quem vai a uma livraria pode comprar “a consciência de um liberal” por Paul Krugman e, com um pouco de sorte, percebe que não era nada daquilo que procurava. Nos EUA os liberais são os democratas, aqueles que promovem educação gratuita e saúde gratuita, ou pelo menos é assim que os americanos compram as palavras porque esses serviços saem à custa do empobrecimento geral (não falo estatisticamente, tanto os ricos empobrecem quanto os pobres). O liberal, dito libertário, está dentro do partido republicano, onde o chamam de conservador e o confundem, como seria de esperar, com senhores anafados veteranos de guerra, católicos ou derivados, que não querem direitos para ninguém que não se transforme numa lagosta no verão.

 

Mas não há problema, arranjou-se uma palavrinha fantástica para nos distinguir: neoliberal. Os portugueses já ouviram esta palavra proferida em todo o espectro político português (começando na direita de esquerda PSD, passando pela esquerda de esquerda PS, até à esquerda dos unicórnios cor-de-rosa BE e PCP, passando pelo senhor dos submarinos do PP, ou como todos querem lembrá-lo), mais ou menos da mesma forma que se falaria de um leproso na idade média. Os neoliberais são supostamente empresários vis e violadores de extrema-direita que querem banir os direitos de todas as pessoas, tirar a saúde e a educação dos doentes e das crianças e escravizar todos os pobres ao (recorrendo a um dos termos do Jerónimo de Sousa que mais me enternece) “Grande Capital”.

 

Sim, curiosamente segundo a opinião geral, ser liberal é ser neoliberal, ser neoliberal é ser fascista. O que faz todo o sentido porque nós como liberais queremos abolir a maioria das funções de estado (senão todas) e como tal seremos os grandes ditadores totalitários que tudo controlam… errrr… esperem, se calhar não pensaram bem nisto.

 

Pronto, o problema está diagnosticado: os políticos profissionais (incluindo aqui todas as criaturas que trabalham para a máquina de marketing estatal, comentadores, promotores de privilégios especiais e os tão enganados sindicatos) conseguiram convencer a opinião geral de que os liberais são contra o alargamento dos direitos sociais (tenho tanto medo de dizer esta palavra mas que fique explícito que me refiro ao casamento homossexual, aborto e outras questões que são na realidade leis que neste momento restringem os tais direitos) e que querem retirar as regalias do estado social (nesta parte estão certos),sendo que sem elas todos nós iremos ficar mais pobres, doentes e sem emprego (nesta parte não).

 

A solução? Mises escreveu que a grande arma do liberal é a caneta e a argumentação. Que a missão do liberal é a de elucidar os desinformados e iludidos pela “máquina”.

… estamos lixados…

Como é que vamos competir com discursos aborrecidos contra os slogans apelativos, videoclips coloridos e filmes que jorram continuamente de todos os poros da sociedade cheios de mensagens anti-liberais? Mises escreveu muitos livros bonitos, até vou com a cara dele, parece um avô muito simpático, mas nesta ele meteu o pé na poça, encharcou-se todo e pegou uma pneumonia multi-resistente ao liberalismo.

 

Há quem já tome uma nova abordagem, o “econstories” já fez muito pela nossa causa com dois videoclips que deram a conhecer as falácias de Keynes a mais pessoas que Hazlitt (embora provavelmente nenhum dos dois as tenha convencido todas). E como este há muitos mais exemplos.

 

Está no entanto na hora de ter uma nova abordagem ao liberalismo e infelizmente esta é uma abordagem que prima pelo ataque: a promoção do roubo como moralmente reprovável. Provavelmente todos os não liberais falharam na compreensão desta frase enquanto os outros a entenderam perfeitamente. Mas todos os dias quando vamos pôr gasolina dizemos que fomos roubados. Cada vez que pagamos IRS, imposto de circulação, IVA, IRC, PEC, foi um assalto.

 

Impostos são UM ROUBO.

 

Não interessa a quem, o imposto é um roubo, independentemente do que se vai fazer com o dinheiro. O detentor dos bens não consente de livre vontade e o estado utiliza a sua máquina repressora para expropriá-lo. É mais justo que o governo taxe o milionário numa fatia exorbitante do seu lucro do que quando cobra ao pobre pela fruta que comprou que teve que passar pela alfândega (supostamente para proteger os produtores portugueses) e IVA, saindo ao dobro do preço? Não, é errado em ambos os casos.

 

E, para quem já não se lembra, ROUBAR É MAU.

 

E se o governo quer redistribuir o que for, que cada um tenha o poder de decidir se quer voluntariamente entrar neste esquema ponzi (que curiosamente é proibido por lei, que irónico).

 

Está na hora de desmascarar os socialistas como os ladrões que são. Eles não advogam direitos para ninguém, advogam o direito do estado poder fazer com as pessoas o que quiser, dando-lhes através da democracia a impressão de que são elas a mandar. Para isso não basta o poder da palavra, apenas a verdade. Mas a verdade não tem que ser transmitida apenas em textos como este. A verdade está por exemplo no Robin dos Bosques, que não roubava aos ricos para dar aos pobres mas que roubava os impostos de volta aos homens e mulheres que haviam sido assaltados. A verdade está em slogans, em letras garrafais nas paredes das finanças, “este dinheiro é nosso, devolvam-no”. A verdade está em clips do youtube, no “compro o que é melhor e mais barato”, no “estou farto deste assalto, vou fugir para Singapura” e “Os sindicatos querem sugar o dinheiro aos trabalhadores privados que realmente trabalham para os públicos que só querem emprego”.

 

Vamos dizer a verdade e libertar as energias de Portugal deste socialismo.


Março 13 2010

O Rui escreveu um texto, baseado nas ideias de filósofos como Rothbard, Mises, Hoppe e Locke, onde procurou mostrar que o direito natural e a ética libertária justificam-se com a natureza humana por si só, não precisando de emanação divinas para tal. A razão é assim suficiente para decifrar a acção humana colando-a a uma ética humana que é reconhecida através de apreensões a priori.

 

Esta lógica dedutiva é fortíssima, principalmente porque ao se aceitar os seus axiomas teremos necessariamente de aceitar as suas conclusões; ou seja, se eu aceitar que todos os gatos são amarelos e eu tiver um gato, tenho de reconhecer que o meu gato é amarelo (felizmente não tenho gato nenhum e não preciso de o verificar empiricamente). O que está aqui demonstrado é uma ética criada e reconhecida pela Razão que dispensa testes empíricos pois é dedutivamente passível de ser validada. A Razão descodifica o axioma da acção e o axioma da argumentação, ambos extremamente sólidos, mas até que ponto é a origem da ética? Até que ponto esta construção racionalista não pode coexistir e ser produto de uma razão subjugada às paixões que constrói regras de conduta sociais para permitir uma vivência em conjunto? Uma pergunta mais complicada seria: porque é que numa ética tão clara como esta observamos e reconhecemos uma permanente violação da mesma?

 

Ao ler o axioma da argumentação que postula que existe o reconhecimento racional do “meu” e do “teu” quando se entra em argumentação sinto que este reconhecimento é bem mais emocional do que racional, visto que em última instância, a amoralidade permitirá um simples atropelamento físico (pela violência) sem qualquer argumentação visto ela não ser necessária em determinadas circunstâncias mais extremas (talvez por isso fiquemos chocados quando nos filmes alguém mata outro a sangue frio sem uma palavra, uma justificação ou um argumento). Dir-me-ás que tal não correspondia à ética em causa, ao que me parece que essa ética só vai corresponder quando a razão não colidir com a emoção. Faz-me lembrar um filme do Woody Allen (já não sei qual) em que ao lhe dizerem que ele tinha de escrever um texto satírico brilhante a desmascarar os nazis ele responde: “no, no, that won’t do, but a baseball bat goes straight to the point”.

 

Porém, a ética pode ser criada e o Rui pode ter “criado” essa ética de conduta; mas, não sendo empiricamente verificável, existe alguma razão para que toda essa construção racionalista não seja produto de uma motivação emocional primária mesmo que seja fortemente lógica? Tenho dificuldades em encontrar uma. 

 

PS:  Fiz algumas perguntas sobre o anarco-capitalismo ao Rui nos últimos 2 comentários que gostava (se possível) ver respondidas (sobre a imigração e a revolução não violenta). Gostava no entanto de fazer mais uma: numa sociedade anarco-capitalista onde os indivíduos misturam o trabalho com a natureza e adquirem propriedade, como fazer com que existam estradas e ruas para as pessoas se deslocarem? Todos podem adquirir terrenos que não permita a existência das mesmas (e eu gostava de poder sair de casa, apesar de nem sair muito). Considerando que o negócio era possível, calculo que as estradas e ruas seriam privadas, compradas por alguém e pagas por todos os que quisessem sair de casa e as usassem, certo? Mas as estradas não permitem concorrência, pelo menos aquela que servir a minha porta de casa, o que significaria que quem fosse dono da estrada poderia pedir o preço que quisesse para me permitir sair de casa.

publicado por Filipe Faria às 21:31

Outubro 17 2009

Raimondo is openly gay, but as a libertarian, he believes the government should refrain from adopting laws that would prohibit discrimination against gays. He also is against gay marriage, both mocking the idea that gays should adopt a heterosexual model of sexual and emotional relationships, and noting that as a libertarian he opposes "State incursion into such private matters." He also has written that after years of persecution by the state gay rights activists want to "use the battering ram of government power" to actively intervene on behalf of homosexuals.

publicado por Filipe Faria às 21:26

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