O REPLICADOR

Junho 02 2011

Escrevo este texto de forma a ser uma referência para todos aqueles que ainda me apoquentam com ideias de que a crise económica foi causada pelas políticas neoliberais. Espero no futuro poder enviar para aqui todos os que violarem algum dos sacramentos abaixo expostos. Não é uma exposição extensa de todos os argumentos errados que são ditos no dia-a-dia corrente nem mesmo uma explicação integra da escola austríaca para a crise que culminou em 2008 pela primeira vez (porque a bolha continua e há de voltar a rebentar).

 

1-      O que são os neoliberais?

Eu também não sei esta resposta e não há hipótese de ser esclarecido entretanto. Neoliberal é o termo dado à pessoa que promove o crescimento do sector bancário em detrimento do cidadão. É aquele que renega os interesses do indivíduo para os pôr no “mercado”, mercado esse que é constituído pela soma sinérgica da ganância de cada empresário.

Claro que liberal não é nada disto. Um liberal deseja acima de tudo a liberdade do indivíduo, tanto quanto a responsabilidade pelas suas acções e o seu direito à propriedade e inviolação desta. Isto é válido falemos do homem mais pobre do mundo ou do George Soros.

Para motivos de facilitação do discurso tomemos os liberais clássicos (como eu) por neoliberais, ou seja, faça-se essa confusão com o intuito de dar um mínimo de validade aos argumentos bacocos habituais.

 

2-      A culpa da crise é dos neoliberais!

Não e a razão é muito simples: os neoliberais não estavam lá sequer. Há duas versões habituais que apontam as culpas, ou para a reserva federal (como o caso de Krugman) ou para os banqueiros e especuladores (o caso dos políticos e cineastas).

No caso da reserva federal, a resposta para que a culpa não seja nossa é muito simples: não há um liberal que apoie a existência da reserva federal. A FED é um órgão com capacidade de emitir moeda (os liberais apoiam o ouro como moeda, não havendo nunca possibilidade de emitir ouro a partir do ar) e de emprestar essa moeda fiduciária a taxas de juro que pode alterar a seu prazer. Para um liberal, isso é inadmissível. A moeda tem que ser sempre acoplada a produção e sofrer alterações mínimas e esperáveis. No caso do dólar, euro e afins, cada vez que é imprimida mais uma nota esta vai diluir o valor de todas as outras, aumentando os preços. Mas quem recebe a nota primeiro ainda compra com os preços antigos. Isto prejudica tanto os empresários que não têm uma plataforma estável para calcular as despesas reais quanto as pessoas sujeitas a ordenados fixos (como os idosos na reforma) que passam a poder comprar menos com o rendimento fixo que têm.

No caso dos banqueiros e especuladores, este dedo difama os empréstimos maus que foram feitos, os chamados sub-prime, e que depois minaram todo o sistema. Os empréstimos sub-prime foram feitos em primeiro lugar porque a FED baixou a taxa de juro o suficiente para não haver risco para os bancos se meterem nestas aventuras. O governo americano chegou mesmo a encorajar os bancos a emprestar àqueles que não podiam pagar. Esses empréstimos sub-prime, tanto de bancos como de fundos de investimento, foram agregados e cortados e vários pacotes, os pacotes dos que recebiam primeiro e os pacotes dos que recebiam por último. Esses pacotes receberam classificações diferentes pelas agências de rating e assim os fundos de reforma e outros fundos mais conservadores que se preocupam principalmente com a segurança dos investimentos, seguiram a opinião das agências e compraram os primeiros, que tinham classificação AAA. Estamos a falar de empréstimos de pessoas que não tinham capacidade de pagar mas que ainda assim conseguiram a melhor classificação.

Obviamente que isto tinha que falhar. A culpa foi de quem? Dos especuladores? E que tal da reserva federal e das agências de rating? E as agências de rating não são sequer empresas privadas inquestionáveis, existe uma profunda intimidade entre estas e o governo americano, já que são mencionadas em leis que as tornam tanto imprescindíveis como insubstituíveis.

 

3-      A culpa é das agências de rating que “davam AAA a todos os títulos manhosos de hipotecas e imobiliário que alimentaram a bolha de especulação nos EUA, porque era isso que a grande finança queria, para ganhar mais e distribuir mais dividendos”.

Sim, não, por onde hei-de começar? A grande finança não existe, existem accionistas. E os accionistas não gostam de perder dinheiro. As agências de rating respondem ao governo dos EUA, não aos accionistas das empresas. E estes últimos fizeram o que fizeram (emprestar a torto e a direito) porque a outra hipótese era continuar a ver a FED a imprimir dinheiro enquanto eles ficavam de fora a ver os seus rendimentos a serem desvalorizados por decreto. As taxas de juro baixíssimas da FED significaram que quem “fosse no barco” teria altíssimos lucros e quem não fosse veria prejuízo pela desvalorização de capital. Assim a escolha foi muito fácil.

 

4-      A solução é gastar mais e salvar as estruturas (bailout)!

Não, obviamente que não. Graças a todos os empréstimos de dinheiro inexistente, existem muitos factores de produção que estão mal alocados, isto é, que não suprem uma necessidade dos consumidores. Estes investimentos têm que cair para que os seus factores sejam libertados para os investimentos que satisfaçam as necessidades das pessoas. E os bens têm que ser reequilibrados, isto é, os preços têm que ser reavaliados consoante a verdadeira procura e não a procura fruto do “expansionismo” da FED. Só quando os bens estiverem devidamente alocados e os preços reajustados à realidade económica actual se pode dizer que a economia tenha resumido a sua funcionalidade normal.

Gastar mais dinheiro significa perpetuar o desajuste, o mesmo são os bailouts. O desajuste entre o consumo e a produção mantem-se, os factores de produção estão mal alocados e a dívida destes países keynesianos e monetaristas tende a subir. O buraco continua-se a cavar até as pessoas se aperceberem. E na mesma comparação, quanto mais cedo se parar de cavar e começar a sair do buraco, melhor.

 

5-      A solução da crise é regular os mercados para que tal não aconteça!

É proibido copiar música e todos o fazem. Era proibido o aborto e também se abortava. É proibido roubar e há assaltos todos os dias, em Portugal a maioria nunca chega a tribunal. As regulações não funcionam e aumentam o gasto de recursos, quanto mais não seja em fiscalização. E foram por exemplo as regulações dos bancos impostas nos EUA que deram a origem aos fundos de investimento, pelo Krugman chamadas de “Instituições bancárias sombra”. Estas caiam fora da regulamentação e faziam o que queriam.

Além de que as regulações são feitas por políticos que a) não antevêem as necessidades futuras de mercado porque ninguém consegue; b) são tendenciosos para as empresas já instaladas, impedindo novas empresas de se juntarem e efectivamente criando monopólios; c) são ou têm capacidade ou tendência para serem corruptos.

Quando foi a última vez que mandaram um papel para o chão apesar de ser proibido?

 

6-      A dívida externa é um facto e a culpa dela aumentar é das agências de rating!

Como disse em 2, as agências de rating têm os seus problemas de falta de isolamento, têm uma ligação demasiado acentuada com os governos para se acreditar nelas. Mas a verdade é que muitos bacocos acreditam e como tal os outros também têm que estar à escuta para poderem antever as tendências de mercado.

A dívida externa é um facto mas não devia ser. Não faz o mínimo sentido um governo ter o poder de endividar os habitantes do seu país, exceptuando talvez um caso de calamidade nacional. Porquê? Esqueçamos a obrigação moral de não pedir dinheiro emprestado pelos outros e voltemo-nos para a conspurcação política que essa capacidade produz. Um governo de 4 anos tem todo o incentivo em pedir dinheiro emprestado enquanto pode para “mostrar obra”. Finda a governação vêm os impostos decorrentes do pagamento da dívida e esse antigo governo pode agora culpar o novo pela descida na qualidade de vida. Foi isto o que se passou em Portugal, durante anos se viveu acima das capacidades, endividando os trabalhadores futuros. Não se aceitaram os problemas da crise de 2008, apenas se cresceu a dívida com a fé de que se saltássemos esse período que tudo estaria bem. Não está, obviamente, porque continuamos com os problemas estruturais e agora somados a uma dívida que entre sector público e empresas públicas ascende a mais de 125% do PIB.

Espera-se que um país pague mais do que o que produz num ano? Se neste momento deixássemos de comer e gastar qualquer dinheiro apenas para mandar tudo para fora e pagar as dívidas, nem em Setembro de 2012 estávamos safos. As agências de rating mantiveram o nosso rating alto demasiado tempo. Neste momento, com toda a perda de credibilidade, vêem-se forçadas a baixar os ratings finalmente. Independentemente de as agências terem feito bem ou mal, a culpa da dívida é sempre nossa por termos pedido emprestado demasiado e durante demasiado tempo.

 

7-      Deixar os mercados â mercê vai levar a desemprego massivo!

Sim, momentâneo. Mas vai libertar esses desempregados e os recursos mal usados da empresa onde trabalhavam para que outras possam pegar neles. Estes novos empregados podem produzir algo de interesse e efectivamente aumentar a qualidade de vida geral. Perceba-se que emprego arranja-se facilmente, podemos pôr metade dos desempregados a cavar um buraco e a outra metade a tapá-lo. O problema é que a sociedade não fica mais rica por isso, fica mais pobre na medida em que os trabalhadores estão a gastar energia para nada. Por curiosidade, lembremo-nos da diferença entre a crise económica de 1920 que durou 1 ano sem o estado fazer nada e a crise de 1930 que, com intervenção estatal, se arrastou até…bem, até à 2ª guerra, não?

 

8-      Mas e os pobres?

Lembremo-nos do ónus que é a pobreza neste país. Decerto que um verdadeiro pobre prefere estar a ganhar menos que o salário mínimo e trabalhar para fazer a sociedade melhor e mais produtiva do que estar desempregado porque nenhum empregador tem trabalho que lhe possa oferecer que não dê prejuízo se lhe pagar o salário mínimo (mais subsídios de férias, natal, saúde, e todas as outras obrigações). Se continuarmos a política de redistribuição, minando todo o tecido produtivo, os pobres serão todos os que não têm cunhas no estado.

 

9-      E os direitos de Abril?

Nenhum direito é mais importante que o direito à liberdade e propriedade. Ponto final. Os direitos de Abril são invenções do socialismo que para ganharem o favor da maioria da população, concordam em expropriar os ricos, ou seja aqueles que por proporcionarem às pessoas aquilo que elas queriam conseguiram acumular riqueza, para dar aos pobres sem qualquer discriminação meritocrática. A igualdade de Abril não é igualdade de direitos, é igualdade de resultados.

 

 


Abril 30 2010

Por muito surpreendente que seja, desta vez eu e o Daniel Oliveira temos a mesma opinião num ponto base importante: a prioridade de Portugal deve ser, acima de tudo o crescimento económico. No seu texto para o jornal “O Expresso” que podem ler no seguinte link http://aeiou.expresso.pt/e-o-crescimento-estupido=f579597 Daniel Oliveira critica o excesso de concentração do governo na dívida pública sendo que a mesma é unicamente um problema galopante devido a um crescimento baixo estrutural.

 

Chegando a este ponto, e menosprezando as referencias a economistas que me agradam pouco (como Paul Krugman) as minhas sobrancelhas levantaram-se no que parecia um opinar economicamente viável e minimamente coerente por parte do normalmente insano discurso económico do autor. De facto, países com dívidas maiores que a nossa não são, como diz  Daniel Oliveira, tão pressionados como nós. No entanto não se trata de uma conspiração “especulativa” contra Portugal mas sim do facto que dados como o baixo crescimento económico, um código laboral rígido e um estado pesadíssimo oferecerem poucos possibilidades de resolução do problema.

 

Daniel Oliveira esquece-se que o mercado, os preços, e tudo o que é economico se projecta no futuro de maneira prospectiva. Com a nossa dívida passa-se o mesmo, o mundo económico olha para o que será de Portugal, não contam só indicadores económicos actuais. Esta falha de avaliação torna-se mais óbvia, e mais preocupante, com a tendência geral da esquerda portuguesa a esquecer o longo prazo e a apresentar soluções que levam à estatização contínua, à redução do poder decisório da sociedade civil e ao sacrifício do crescimento futuro. Acima de tudo, esquecem-se que em economia não há almoços grátis. Tudo se paga.

 

Assim, na defesa do dever do Estado promover o crescimento, apresenta sem hesitar o investimento público e os seus efeitos multiplicadores como a forma mais adequada. Esta visão, aparentemente simples e correcta no curto prazo, apresenta numerosas deficiências as quais Daniel não conhece ou então, sobre as quais, escolhe não dizer uma palavra. Ainda para mais, acrescenta, depois desta solução unívoca, pseudo-remédio universal, que “crescer com menos investimento (suponho que público) é uma ilusão.

 

Os investimentos públicos normalmente são apresentados e planificados por uma de três razões: a primeira é uma necessidade estrutural da actividade económica, ou seja, os produtores, os consumidores ou ambos têm vantagens pela estruturação da actividade económica. Por exemplo, não se pode explorar uma mina ou abastecer uma cidade sem vias de acesso. Aqui o investimento justifica-se pela sua utilidade que transcende o seu significado económico imediato. Ou seja, exprime-se pela viabilização de actividade privada no futuro. Mais duvidosas e questionáveis são as duas outras razões, uma delas a defendida por Daniel Oliveira. A obra pública como “método de criação de emprego” ou como maneira de “criar riqueza que de outra maneira não seria produzida”.

 

Relegamos neste texto a primeira para que o mesmo não seja demasiado extenso. Centremo-nos nas razões de Daniel Oliveira.

Não havendo espaço para baixar impostos e logo para a expansão do consumo privado só há então, na sua visão, essa maneira de estimular o crescimento e daí advém a capacitação do país para pagar a sua dívida externa. Antes de apresentar alternativas (as quais o autor nega desde logo existirem) vamos analisar a curto e longo prazo as consequências desta actuação.


O Governo português, pressionado pelos mercados internacionais devido à sua dívida e baixo crescimento, começa um projecto nacional de obras públicas (talvez ao estilo do plano E em Espanha). Assim a dívida pública, a qual foi secundarizada, dispara mais uma vez já que o governo não procurando controla-la leva ao aumento do custo de financiamento (que recordo está hoje nos 5.6%). O deficit de Estado com os crescentes gastos também aumenta consideravelmente. Os juros vão ficar cada vez mais caros e o dinheiro necessário para o serviço da dívida vai ser cada vez mais.

Em troca criaram-se diversos projectos que diminuíram o desemprego até determinado ponto e levaram, talvez, ao país estar melhor suprido de infrastruturas e afins (depende da natureza dos mesmos). Os salários pagos aos trabalhadores vão levar a um aumento no consumo privado e logo a uma expansão da actividade económica.

 

Fica a pergunta, tendo em conta este cenário, poder-se-ia supor uma resolução para o problema de baixo crescimento? Não. Para financiar estes variados projectos a única maneira de o fazer é através da cobrança de impostos ou da emissão de dívida. Se baseados na primeira, o “emprego criado” e a “riqueza criada” vêm directamente dos contribuintes o que vai levar a uma redução do consumo privado a qual vai levar à destruição de emprego devido à menor procura. A hipotética belíssima ponte levou à não produção de diversos bens na economia e deslocou inutilmente mão-de-obra a qual vai depois demorar a encontrar-se ocupada no sector privado, por outro lado pode provocar a inflação do preço de matérias primas ou do crédito prejudicando empresas normalmente eficientes criando assim subidas de preços e adicional destruição de emprego. No entanto até não seria tão mau se fosse “euro por euro”, ou seja que cada euro gasto na ponte fosse equivalente a um euro perdido no consumo privado. Só teria, então, existido uma “transferência de riqueza” mais ou menos equivalente. Não é assim tão simples, a tributação adicional vai levar a menores perspectivas quanto aos benefícios futuros da actividade económica e logo o investimento, a criação de emprego, a poupança e a produção vão sofrer estruturalmente. Vai haver menor produção e também menor poder aquisitivo. A sociedade empobreceu-se.

 

Mas e se a alternativa for o crédito? Pois bem, o crédito nada mais significa que espalhar as consequências faladas pelo tempo fora. Com custos adicionais, os juros que pagaremos pelo nosso descontrole e intervencionismo abusivo.

Daniel Oliveira está, no fim de contas, a propor medidas que sacrificarão o crescimento futuro e assim as perspectivas dos portugueses de melhorar a sua qualidade de vida. Os portugueses veriam garantida uma presença fiscal pesadíssima para conseguir pagar os juros dos abusos actuais prolongar-se por anos a fio. Os impostos a terem de ser aumentados para conseguir sustentar o nosso megalómano estado social e a dívida ao mesmo tempo. Ou seja, as vantagens de curto prazo são totalmente anuladas pelos danos irreparáveis no crescimento futuro, incomparavelmente superiores aos ganhos actuais com tal política. Um paliativo para um ou dois anos deste género não seria mais que adiar e agravar o problema.

 

O mais ridículo de tudo isto é que não seriam tomadas nenhumas medidas estruturais de forma a potenciar o crescimento de forma a dar continuidade a este estímulo já de si duvidoso. Seria só um folgo de ar fresco temporário com consequências gravíssimas para orçamentos e crescimento futuros. Tratamos HIV com Paracetamol. O aumento de consumo (que mesmo que fosse intenso não compensaria) vai esbarrar com a crescente burocracia estatal que regula a actividade económica, com os impostos altos que a asfixiam, com um código laboral que nada mais faz que impedir a criação de emprego, baixar a produção total entre outros.

 

A solução real é Portugal procurar promover a criação de riqueza tornando o nosso país mais atractivo. Como? Diminuir a burocracia, rever o código laboral, as leis de salário mínimo, as limitações efectivas à iniciativa empresarial, privatizar variadas empresas e procurar transferir competências várias à sociedade civil. Com a diminuição das funções do estado e o alterar das regulações referidas o aumento de actividade produtiva estrutural originada iria levar a um maior volume de produção, menos desemprego, diminuição dos preços reais e, a médio prazo,  seria possível baixar impostos e aumentar ainda mais criação de riqueza, a produtividade, os salários e assim a riqueza total. Ficando o país mais rico, os mercados mais calmos e a dívida controlada.


Diogo Santos



Fevereiro 22 2010

“If you bound the arms and legs of gold-medal swimmer Michael Phelps, weighed him down with chains, threw him in a pool and he sank, you wouldn't call it a ‘failure of swimming'. So, when markets have been weighted down by inept and excessive regulation, why call this a ‘failure of capitalism'?”

 

Peter Boettke

publicado por Filipe Faria às 00:20

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