O REPLICADOR

Março 04 2010

Hoje é dia de greve geral da função pública. Querem melhores salários, naturalmente. Ao contrário dos trabalhadores do sector privado, cujos ordenados estão genericamente sujeitos à lei da procura e da oferta e onde a única forma de melhorar a sua condição de vida é serem mais produtivos, os trabalhadores da função pública dependem do protesto e da chantagem para conseguirem melhores vencimentos. A razão é muito simples, o dinheiro que estes grevistas pedem não vem de Marte, vem directamente dos trabalhadores do sector privado, esses mesmos que não se podem dar ao luxo de usar o simples protesto para aumentarem os seus ordenados.

 

Posto isto, dizem-me imediatamente que os trabalhadores da função pública não têm outro remédio senão protestar, visto os seus ordenados dependerem directamente da coerção fiscal sobre os contribuintes do sector privado. Certo. Porém, não creio que tal seja uma fatalidade. Se os trabalhadores da função pública rejeitassem a dependência do Estado não tinham aceitado trabalhar para o Estado; quando o fizeram, sabiam que assinavam a sua “declaração de dependência”. Neste sentido, se ninguém quisesse ser dependente, a máquina de Estado teria muitas dificuldades em crescer desmesuradamente como se tem verificado pelo menos desde o 25 de Abril. Se tal acontece é porque há regalias na função pública que não existem no sector privado. Mas essas regalias pagam-se caro, e esse preço chama-se dependência.

 

Imaginemos que, tal como na obra de Ayn Rand “Atlas Shrugged”, não só os indivíduos mais produtivos da sociedade mas também todo o sector privado entrava em greve como protesto contra a extorsão fiscal abusiva a que estão sujeitos por parte do Estado. Qual seria a reacção da função pública? Mais uma greve a protestar contra o facto de os produtores de riqueza do país estarem de greve?

 

 


Junho 29 2009

Num estudo realizado pela educação nacional francesa, revelado num artigo do jornal "Le Figaro", observou-se que, no ano passado, 45% dos professores do secundário tiveram pelo menos uma baixa, uma proporção duas vezes mais elevada do que nos assalariados do privado (22%). Ainda mais estranho é o facto de essas ausências conhecerem picos antes e depois das férias de natal, assim como nas semanas de feriados em Maio, que concentram sozinho 80% das baixas de curta duração.

 

A não ser que os trabalhadores do Privado ostentam uma saúde de ferro, não vejo outra explicação do que a contra-produtividade sintomática dos funcionários públicos, que não têm que obedecer a qualquer critério de excelência, muito menos a um imperativo moral superior, tão querido dos socialistas.

 

 

publicado por Alexandre Oliveira às 23:32

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