O REPLICADOR

Fevereiro 21 2010

O dedo de Aznar

 

               

 

                Faz hoje um par de dias desde a visita do ex-Presidente do Conselho de Ministros de Espanha, Aznar, à Universidade de Oviedo, dando azo ao caricato episódio no qual foi co-protagonista. Depois de uma conferência interessante, onde comparou a actuação do Socialista Zapatero a um incendiário versão económica, foi recebido pela extrema-esquerda da praxe à saída.

 

            Os auto-proclamados “libertários comunistas” (WTF?) do costume encheram-no com um chorilho de insultos, saudável exercício da sua liberdade de expressão. “Genocída”, “Assassíno” ou até “lambe-cus” foram expressões utilizadas para adereçar o estadista. Aliás, um dos melhores de Espanha nos últimos anos. A história deveria acabar aqui, com Aznar achincalhado e a lixeira intelectual orgásmicamente satisfeita com a sua masturbatória “práctica política”. Pois não, desta vez não. Sendo insultado pela trigésima vez Aznar, fez o favor, e estendeu o dedo do meio aos meninos. Como quem diz, vão comer no cuzinho.

 

            Isto na minha opinião, foi extremamente saudável, ninguém tem de suportar a fanfarronice política e insultos contra a sua pessoa como Aznar tem suportado. Não é que seja um fã declarado da sua política externa (de maneira nenhuma) agora isso não deve servir de desculpa à impunidade da intolerância reaccionária de uma extrema esquerda acéfala e hipócrita até dizer mais não.

 

            Curiosamente, não é que no dia segundo o PSOE, chafurdando no parcialismo ieológico como nunca, através da Vice-Presidente do governo, vem censurar a atitude “anti-democrática e pouco digna de Aznar”, não deixando uma única palavra de crítica aos pavlovianos alunos universitários rojos? (Sim, pavlovianos, apostos que se lhes mostrares um cartaz do PP salivam como o canito com a campainha). A senhora De La Vega vem mais uma vez mostrar que o seu passado de extrema-esquerda ainda é, de certa maneira, acarinhado e que, talvez, o seu partido tenha umas questões ideológicas por definir (com a política económica castastrófica de Zapatero não me admira nada).

 

            Não é democráticamente aceitável este tipo de episódios que, protagonizados pela esquerda são “fulgores legítimos da juventude” e, se à direita, simplesmente“reminiscências fascistas”. As autoridades públicas não podem deixar que perseguições pessoais deste género, que são inclusivamente perseguições políticas, passem impunes. Mostrar-lhes o dedo foi um gesto de saturação... que realmente pôs o discurso a um nível que podem entender.

 

            Aznar merece mais respeito como o homem que provou que a península ibérica tem o potencial para ser mais que a medíocre cauda da Europa, basta-lhe negar a poerenta social-democracia dos anos 80 e 90. Os seus resultados em Espanha ninguém os pode negar.

 


Fevereiro 06 2010

É por oportunidades destas que um bloguista se sente impulsionado a continuar o seu trabalho! Parece que o meu último texto causou muito furor. Tanto que recebi três comentários de gratos leitores e que mereciam mais que uma resposta, mereciam um artigo integral:


Caro Tiago,

Curioso ver que no seu comentário não comenta a absorção de quase 50% do PIB pelo estado. Certamente que se este não cortasse o salário dos trabalhadores em dois seria mais simples ter poder de compra sem aumentar os fardos aos empresários, não? Também acho curioso que um empresário se veja face a enormes conflitos laborais para despedir um trabalhador ineficaz, reforça a noção numa empresa que não vale a pena trabalhar. O que um jovem da jcp percebe, ao contrário de mim que por sinal nem repito os 80% de esquerdistas e sindicalistas (sim, vós sois a mainstream, conformai-vos) é que se aumentarem os salários tudo melhora com o poder de compra. Mas os salários vêm da produtividade e sem esta aumentar então de onde virá o dinheiro?
-Imprime-se e criamos o Novo Zimbabwe?
-Roubamos aos empresários para eles não se interessarem em investir? Rapidamente deixará de ter um computador em que desenhar propostas-lei para salvaguardar os direitos dos trabalhadores e dos parasitas.
--Sim, roubar. Cobrar algum imposto para manutenção e o bem comum é aceitável, cobrar impostos aos ricos (a maioria dos quais trabalhou bastante para lá chegar) para dar aos pobres (a maioria dos quais se enterrou por políticas socialistas) é roubo legitimado por colarinho branco.

Será também importante realçar, e se quiser mais informação oiça atentamente o clip do youtube do mises institute uns posts abaixo deste, que no tempo em que não haviam máquinas para produzir mais havia, obviamente, menos e como tal era tudo mais caro. Se não havia incenso e especiarias para dividir por todos então nem todos podem ter, já pensou nisso? E já pensou que é preciso trabalhar para tudo ser produzido e para comprar tudo? Um emprego não tem um valor nato, tem o valor do que essa posição produz na sociedade. Se um homem produz uma música que é útil a milhões de pessoas acha mesmo que tem interesse em fazê-la para após colecta ganhar o mesmo que um homem que cola selos para as cartas seguirem no correio?

Por último, tenho que lhe apresentar a cruel realidade, a máquina de tachos é pública, é o estado. Porquê? Porque um empresário muito raramente põe numa posição da sua empresa alguém incapaz de colmatar ou exceder a demanda da mesma. E não mude de uma linguagem cordial para o "tu" no meio de um comentário, fá-lo parecer inapto com uma das grandes artes: a língua portuguesa.

Caro(a) Figueira,

Em primeiro peço imensa desculpa por não averiguar o seu género, dormi pouco e não estou com vontade de seguir links de momento para procurar a resposta à minha dúvida. Faço minhas as palavras do Filipe:

“[…]segundo instituições internacionais como a OCDE ou a Heritage Foundation, tem um dos códigos laborais mais rígidos do MUNDO (não apenas da Europa).”
“Em relação ao ordenado mínimo, saiba que países como a Alemanha não têm ordenado mínimo e não precisam dele para terem um bom nível de vida, porque ao contrário do que o esquerdismo que advoga gosta de fazer querer, os ordenados não sobem por decreto de lei, sobem sim pela criação de valor acrescentado.”

…e ponho aqui algumas das dirigidas ao Tiago. É verdade, trabalhar num posto de baixa qualificação é constrangedor, árduo, cansativo e a paga não é muito boa. Pior ainda é o investimento andar tão por baixo que não existam trabalhos de maior qualificação que permitam a uma pessoa encarar esses empregos de baixo ordenado como um comboio de passagem para uma posição melhor. Mas deixemo-nos de fantasias porque é verdade, não podemos pensar só no que poderia ser mas no que é neste momento. É uma pena que passar compras no lidl ou no continente seja um trabalho de ordenado baixo mas sejamos sensatos, qual é a preparação necessária para o executar? E qual é o grau de produtividade de uma caixa do lidl? Comparativamente à quantidade de stock (pessoas) para libertar, cada caixa despacha bastante devagar. Se calhar se só fossem precisas 3 pessoas nas caixas do hipermercado e fizessem o mesmo que as 15 ou 20 fazem neste momento, essas 3 fossem mais bem pagas, aí está, devido à sua produtividade. Encare como queira, as posições mais produtivas e com mais responsabilidade serão sempre melhor remuneradas, seja num regime liberal ou comunista. Parece um contra-senso mas imagine que obriga um cirurgião a reparar uma aorta a 50€ à hora. Sabe o que vai ouvir? Vai ouvir "não". Se aniquilar as diferenças de ordenado vai deitar por terra as diferenças de qualificação.

Mais uma vez, caro Tiago,

Um homem (ou mulher) tem direito à liberdade e à oportunidade de ser alguém. Pergunto-lhe desde quando isso passa por ter o resto da sociedade a limpar-lhe o rabo do berço à cova. Enxergue a falta de responsabilidade da população em geral por favor.
A cartelização e monopólio é consequência das leis estatais que impedem a concorrência livre. Se as empresas monopolistas se vissem face aos monstros estrangeiros talvez oferecessem negócios mais atractivos.

O Tiago fala na poupança das empresas para pagar salários maiores aos trabalhadores. Eu sou contra isso, os salários são proporcionais à produtividade e, fora ajustes inflacionários, devem ser alterados quando essa mesma produtividade sobe...ou desce. E os 25€ talvez sejam melhor empregues nas mãos do empresário porque este tem um poder que o cidadão comum está quase proibido pelo estado de ter: o de investir e criar emprego.


Mas quem sou eu, que sei eu. Sou só um estudante do ensino superior que vive nos subúrbios de Portugal e tem muita gente chegada a deparar-se com as crises de empregabilidade em Portugal e os fenómenos ocultos de gestão pública. Peço-lhe fervorosamente que não subestime a minha experiência com o sistema porque o que divulgo é a ponta do icebergue.

PS: Adorei a flor, alegrou-me o dia!


Janeiro 11 2010

 

"The left, we might think, has had a bad time of it intellectually over the last 15 years: socialism has collapsed, Marxism has little or no credibility and supposedly left of centre governments across the world have accepted privatisation and the private sector.

 

But in the academy things are very different. It is very rare indeed to come across a classical liberal or a conservative in a university humanities or social science department (I have to look in a mirror to see one in my public policy department)."

 

A Guide to Modern Lefties - Por Peter King - Via Insurgente

 

publicado por Filipe Faria às 04:30

Novembro 15 2009

Tendo em conta a quantidade de imbecilidades que tenho ouvido ultimamente sobre o tema é conveniente que alguém (neste caso este eu tão solidário), perante esta geração tão rica em jovens revolucionários, desmistifique alguns problemas interpretativos básicos destes comunistas panfletários.


Assim apresento este guia provisório, comunismo para totós, tão necessário à luta revolucionária:

Ponto Nº 1; Binómio Igualdade – Liberdade:

Aqui está uma das principais dificuldades dos nossos rebentos revolucionários de braço no ar; a incompreensão do conflito inerente entre as duas realidades.

Uma igualdade absoluta é, em primeiro lugar, impossível já que tendo em conta as diferenças genéticas e sociais de entre os seres humanos a única forma de a tentar estabelecer seria um estado pirâmidal, totalitário de uma verticalidade assombrosa, o que poria desde logo em causa este mesmo propósito. Além do mais, esta igualdade destruiria a capacidade humana de complementaridade, impedindo a inovação e a criatividade a longo prazo pois a sociedade civil estaria asfixiada sob o jugo intrusivo do estado.
 

O que me faz remeter para o segundo espectro desta análise, um estado que tudo controla não é mais de que um bárbaro despotismo que determina tudo o que ocorre na vida do indivíduo. Se não há liberdade económica não há qualquer possibilidade de se atender ao somatório das vontades indivíduais. Não é a sociedade que determina o seu próprio rumo mas sim uma oligarquia paternalista estatal que domina o processo productivo encerrando a sociedade numa realidade virtual ao estilo norte coreano, na qual os individuos são escravos do estado. No que lêm, no que pensam, no que exprimem, no que comem (ou não comem), entre outros.
   

Um estado que se imiscui em tudo o que o indivíduo faz é imoral, corrupto e ANTI-LIBERDADE.
Perceberam amiguinhos vermelhos?

publicado por Diogo Santos às 19:40

Setembro 03 2009

Olá, eu sou o João Rodrigo e fui convidado para animar o dia aos leitores deste fantástico blog. Vou rapidamente tentar falar um pouco de mim, expor as razões para vir aqui escrever e no final concretizar a tarefa a que me comprometi.


Eu sou mais um degenerado da linha de Sintra, de locais que não pertencem ao panorama turístico, aspecto que me deu já em tenra idade a sensação de que algo estaria mal ou poderia ser melhorado. Apesar disso o meu interesse na política nasceu apenas há meia dúzia de anos, fruto do trabalho de outro dos autores do Replicador. Já publico artigos no meu blog pessoal, intermitentemente activo, desde 2006. Acabo por escrever um pouco como falo, em tom informal e falar como penso, de uma forma imaginativa, talvez por vezes fantasiosa. Aqueles que seguirem as minhas “criações” rapidamente se aperceberão dos tiques.


Porque aceitei o convite para escrever aqui? Porque sou fã deste espaço, fã dos escritores que o compõem e quero contribuir, para uma escrita política que possa ser aberta, com humor mas que também possa estar recheada de factos e verdades. Nem tudo tem que ser rígido e solene e não pode ser somente palavreado incoerente por alguém sob o efeito de psicotrópicos.


E sem mais demoras, o resto seria palha, eis as minhas considerações do dia:


Não sei o que se passou mas parece que o debate entre o Francisco Louçã e o Jerónimo de Sousa na campanha para as legislativas foi cancelado. Em vez disso deram uns quantos excertos do senhor dos anéis, vá-se perceber a razão por detrás disso.
… e os actores eram fraquitos…


Fazendo um curto apanhado, qual é a quantidade de energia espiritual que se utiliza no feitiço “criar empregos”? Falou-se muito no assunto mas provavelmente precisam de sacrificar uma cabra ou algo parecido, já que nunca assistimos aos dois magos da assembleia a produzir tais resultados. Algo que também não se viu foi o sr. engenheiro na quarta cadeira do estúdio, mas não se enganem, ele estava definitivamente lá, pelo menos em espírito! Até porque os xamãs da corte estavam tão voltados para lhe fazerem frente que se esqueceram que eram os convidados principais do programa. Não estão habituados a isso talvez. Outra coisa que gostei muito foi das partes amorosas, eu sei que o senhor dos anéis é um filme primariamente para ver criaturas semi-desfiguradas a fazerem dos inimigos filtros de café mas há que apreciar um pouco de romance naquela mesa tão sensual. Só espero que tenham usado protecção, já temos muitos filhos vermelhos e com uma mãe como o Louçã e um pai como o Jerónimo, aquele rebento terá uma infância pouco feliz.


“Pai, eu tenho um amigo que tem uma playstation nova, ele não ma devia dar?”


Pois claro que devia, como se sabe as crianças de 5 anos estão desempregadas e como tal precisam de playstations e outras comodidades que apenas rendimentos mínimos escabrosos lhes podem proporcionar!

publicado por João Rodrigo às 23:22

Junho 24 2009

Num artigo da NewScientist, é relatado um estudo de uma equipa da Liverpool John Moores University onde é destacado o facto que macacos desenvolveram a habilidade de mentir, ou melhor, de omitir uma parte da verdade, com o fim de conseguir mais comida para eles próprios.

 

Macacos aranhas ,com posição subordinada na hierarquia, que foram ensinados a abrirem uma caixa, esperam que o macho dominante se afaste para ir buscar a banana, ficando quieto na presença deste último.

 

Parece que o macaco “Camarada” detentor dos meios de produções (aqui a habilidade de abrir a caixa) não quer partilhar com os membros do Partido... Pois, este macaco deve ter sido corrupto por uma sociedade capitalista... Ah não espera, eles não têm cultura...

 

 

publicado por Alexandre Oliveira às 20:55

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