O REPLICADOR

Maio 25 2009

O Problema da responsabilização

         Como modo de apresentação dentro deste blogue fui desafiado a mandar a minha pedrada no charco, ou seja, escrever e divagar mas de uma forma séria e estrutural sobre uma questão que se tenha vindo a definir como fulcral e controversa na sociedade portuguesa. Das muitas questões que há a colocar decidi remeter para a questão da criminalidade nos chamados “bairros problemáticos”.

         As razões que me levaram a isto são diversas. Começando pelas de ordem política e social parece-me que se tornou tabu chamar as coisas pelos nomes, ou seja adereçar os criminosos como criminosos. Desde a instituição da corrente República que se instituiu uma lógica de desresponsabilização e branqueamento moral de determinados tipos de crimes por detrás de bandeiras aparentemente nobres mas que no fundo entregam o ser humano à menoridade.

         Em segundo lugar, e também derivado da primeira exposta, será coerente considerar que o estado vive numa repetitiva minimização da questão e assente na constante violação da ordem constitucional. Esquece-se que sem segurança é impossível defender a integridade do indivíduo e do seu trabalho, esquece-se que sem segurança não há estado de direito. Perante promessas vagas de resolução a longo prazo suspendemos direitos aos portugueses usando os recursos dos mesmos para uma reabilitação criminal que não passa de teórica.

         Em terceiro lugar é importante negar argumentos como “isto é sinal dos tempos”, “característica intrínseca da modernidade”, “resultado das disparidades sociais”, entre outros absurdos perfeitamente refutáveis para uma mente minimamente crítica que entrega a questão a um quase determinismo divinista e não à esfera da actuação de um estado, onde ela pertence.

         Decerto existem mais alguns pontos na forma preconceituosa que esta questão é adereçada que mereceriam ser estatuídos mas penso que os mesmos estarão em relação com os expostos na medida em que me sinto confortável partindo destes.

 

         O problema da criminalidade é de uma natureza complexa decerto e tem no seu tratamento uma carga ideológica fortíssima que impede uma resolução ou análise coerente. Como qualquer um pode denotar o problema só se tem vindo a agravar face ao laxismo sistemático a que foi entregue. Logo declaro desde aqui o pressuposto de esta se tratar de uma análise a mais desapaixonada possível baseada na análise lógica dos factos.

 

Continua...

 

publicado por Diogo Santos às 23:58

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