O REPLICADOR

Maio 30 2011

 

 

 

 

 

E a broa da semana vai para José Sócrates com a frase “Essas aventuras convidam ao conflito social”, referindo-se à eventualidade do PSD ganhar as eleições.

 

Ele saberia muito bem o que é causar conflito social, já que não tem feito outra coisa desde que as suas ambições se viraram de uma casa grande e envidraçada ao pé do Marquês para o governo de Portugal. É uma técnica mais velha que a civilização, “dividir para conquistar”, nunca esquecida por qualquer partido socialista que se preze.

 

Na democracia uma das formas mais eficazes de criar união em volta de um líder é transformá-lo no único defensor capaz contra uma ameaça externa ao grupo. Esta ameaça já vocês ouviram falar bastantes vezes só nesta semana e cada um tem nome diferente para ela: O Jerónimo chama-lhe “o grande capital”, o Louçã “a banca e os juros especulativos”, o Sócrates “os mercados e a crise económica”. Portas e PPC não tendem a sublinhar tanto o seu ataque à ameaça externa mas isto não quer dizer que a mensagem não esteja lá. Apenas se faz ao contrário e em uníssono com o resto da esquerda, falam em proteger os desfavorecidos, em responsabilidade social e “acabar com a miséria”. É o mesmo bolo com cobertura diferente, limitam-se a discriminar uma faixa da população que tem supostos menos poderes, intelectuais e produtivos, que os outros e inventa uma necessidade de os defender. Sabendo que no jogo redistributivo a defesa dos interesses de uns é sempre equivalente ao ataque dos direitos dos outros, estes supostos “campeões da direita”, “neoliberais” ou mesmo “fascistas” não transmitem menos que os outros.

 

Para quem não se debruçou sobre o “Road to Serfdom” ou equivalente, fique-se sabendo que parte importante do caminho para o socialismo faz-se sempre pela clivagem da humanidade. Marx fê-lo identificando os burgueses e todos os políticos portugueses da actualidade o fazem, nutrindo o ódio (ou pelo menos um profundo desprezo) entre as classes que criam. Os cidadãos com menos posses detestam os mais ricos porque estes não lhes dão trabalho e mais subsídios enquanto arrebanham toda a riqueza e os abastados desprezam os mais pobres que, sem trabalhar, lhes levam o dinheiro decorrente das suas acções que efectivamente levam os produtos que o consumidor deseja à sua posse.

 

Então mas não é preciso proteger os desfavorecidos? Tanto quanto os outros, proteger a sua liberdade, proteger o seu direito à propriedade, o direito a chamar de seu o seu trabalho (opondo os actuais 6 meses de trabalho para o “país”). Quem protege os pobres são os preços baixos dos produtores industriais, o potencial para baixos salários para que estes se tornem em mão de obra atractiva e conseguirem colmatar pelo menos parte das suas necessidades (eventualmente conseguindo melhores salários com o aumento da sua especialização e produtividade) e é a caridade, mas a caridade directa, aquela feita de livre vontade.

 

Quanto à caridade há também algo breve a dizer. Quando nos perguntam se demos à caridade nenhum de nós pensa nos 23% de IVA que deu há 5 minutos numa loja qualquer. Mas se nos pedirem para dar para a caridade as primeiras expressões que saltam à cabeça são “eu nem tenho suficiente para mim” ou “vai pedir ao estado que me leva metade do dinheiro”.

A caridade estatal, além de incontáveis vezes mal direccionada, não produz a descarga de endorfinas como a caridade directa. Quando nos tiram do bolso para dar por nós o que se sente é o roubo e não o fim do nosso dinheiro. O potencial português para a caridade pode estar muito subavaliado à conta disto. Senão lembremo-nos do filme do que os finlandeses deviam saber sobre Portugal e a quantidade de bens de que nos desfizemos para ajudar um país amigo.

 

Nunca esqueçamos o que disse acima, mesmo as campanhas ditas “positivas” são campanhas discriminatórias que clivam a sociedade. As pessoas têm que deixar de ver a riqueza como algo inalcançável, uma classe imutável, e olharem como um horizonte possível com inovação, produtividade e economia, aqueles que a atingiram por mérito como pessoas a aspirar e os verdadeiros impulsores da sociedade e da qualidade de vida. Com um único obstáculo no caminho: Expropriação, Regulamentação e Segurança Social, em suma, Governo.

 

 

 

 

E se o Sócrates não gera conflitos, que vá passar a tarde ao Rossio para ver se sai de lá inteiro.

 

Links:

Notícia do Público: http://www.ionline.pt/conteudo/126450-socrates-alerta-risco-conflito-social-se-psd-vencer

“The Road to Serfdom” de Friedrich A. Hayek (89 pg incluíndo imagens): http://mises.org/resources/2402/The-Road-to-Serfdom

publicado por João Rodrigo às 20:50

Esqueceste-te do Coelho =P
Hugo a 31 de Maio de 2011 às 13:27

Que coelho?
JRodrigo a 31 de Maio de 2011 às 18:55

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