O REPLICADOR

Abril 19 2011

 

Se Portugal sair do Euro, terá de voltar para uma moeda desvalorizada em relação a este, e as suas dívidas (contraídas em Euros) tornar-se-ão maiores. Como resolver este problema?

 

 

 

1) Não faz qualquer sentido falar em sair da zona euro sem a declaração de default e reestruturação da dívida. Só depois da assunção de bancarrota e de anulação de grande parte da dívida é que se pode voltar para o escudo de forma a ajustar o valor da moeda à nossa produção.

 

2) O default não é uma opção que os políticos portugueses possam evitar, é uma realidade inevitável que nenhum pacote de salvamento irá salvar, ou seja, vai acontecer quer eles queiram quer não. Os historiadores económicos revelam que países com dívidas públicas acima do 60% do PIB nunca ou raramente evitam o default. Nós já vamos perto dos 100% (números oficiais, fora as aldrabices contabilísticas do governo português e da UE). Todos os países da UE que estão na situação portuguesa vão entrar em default, é uma questão de saber quando.

 

3) É preferível assumir o default antes de contrairmos mais dívida do FMI e UE do que depois, visto que o default é inevitável.

 

4) Não sendo o default uma opção de políticos mas uma realidade que está a prazo, não vale a pena lamentarmo-nos do impacto que isso vai ter nos bancos portugueses e estrangeiros, porque esse impacto vai sempre acontecer. É melhor que aconteça antes de se acumular mais dívida e de forma preparada.

 

5) A única forma de voltar ao crescimento económico é deixar de ter uma moeda (o euro) que nos incentiva apenas a importar e a não produzir. A manutenção do euro só seria possível colocando todo o Portugal em "Welfare", sem produzir e vivendo da redistribuição de riqueza da União Europeia. Mas isso é socialismo, e tal como a Margaret Thatcher disse: "o problema do socialismo é que um dia acaba-se o dinheiro dos outros". E um dia acaba-se o dinheiro Alemão.

 

6) É verdade que os Alemães beneficiam grandemente de uma moeda (o euro) que está subvalorizada em relação à sua capacidade produtiva. Assim podem exportar para todos os países da zona euro e acumularem capital. Mas por outro lado são vítimas de expropriação por 2 vias: 1) Por via do Banco Central Europeu que tem taxas de juro expansionistas. Gera assim inflação que mantém os salários reais na Alemanha comparativamente baixos. Por outro lado, como não importam, os preços dos produtos internos sobem também. Por isso os economistas revelam que os salários na Alemanha estão artificialmente baixos e os preços dos produtos artificialmente altos, o que lhes diminui a qualidade de vida. 2) O capital que acumulam é expropriado por via da redistribuição de riqueza através da UE. Para manter este sistema perverso onde os Alemães produzem e os PIIGS consomem, boa parte do capital acumulado proveniente das exportações serve para salvar os países endividados, improdutivos e com uma estrutura produtiva destruída devido aos incentivos deste eurosistema.

 

7) Em última instância, se os Alemães usarem continuamente o seu dinheiro para pagar os défices de todos os países, eles próprios vão entrar em bancarrota, deixam de ter acesso aos mercados e acaba-se o eurosocialismo.

 

publicado por Filipe Faria às 18:11

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