O REPLICADOR

Março 14 2010

 

 

 

Ao assistir ao XXXII congresso do PSD neste fim de semana confirmei o que já sabia: que o partido social democrata é um partido social democrata. Se parece redundância a um incauto, já não o é para muitos que consideram que o partido social democrata pode ser algo mais (ou algo menos) que um partido social democrata. Parece que a imprensa não sabe, mas a social democracia é uma corrente (ligeiramente mais moderada) do socialismo, tal como uma pueril busca na wikipedia documenta:

 

“Social democracy is a political ideology of the political left and centre-left  on the classic political spectrum that emerged from the socialist movement in the late 19th century, but continues to exert influence worldwide.”

 

“The goal of social democracy is to reform capitalism through parliamentary and democratic processes in order to achieve a welfare state, government regulation of the market, and various state sponsored programs to ameliorate and remove the inequities and injustices inflicted by the capitalist market system.”

 

“Social democrats advocate capitalist mixed economies, such as Third way positions and the social market economy.”

 

Em média, a acção e o discurso do PSD em nada fogem destas ideias. Contudo, constato que há uma grande esperança de vários liberais em vários candidatos do PSD, apesar de eu não conseguir objectivamente perceber porquê (com base nos discursos dos candidatos).

 

Encontro liberais que apoiam Paulo Rangel, mesmo quando ele dá um discurso no congresso em que quando tem de dizer “economia de mercado” diz “economia de mercado social”; e mesmo quando tem o apoio de Alberto João Jardim que profere que o PSD não é um partido de direita mas sim um partido que “rejeita os endeusamentos do mercado” (declaração que recebeu uma chuva de aplausos dos membros do partido presentes). O apoiante de Paulo Rangel foi mais longe, disse mesmo que era um keynesiano convicto. Pergunto-me como é que um discurso feito no partido socialista poderia ser muito diferente deste.

 

Outros há que apoiam Pedro Passos Coelho que simplesmente não apresenta ideias. Diz coisas como “há empresas públicas boas e más e há empresas privadas más e boas”, ou seja, a justificar desde já qualquer ausência de rumo nas suas políticas com o “pragmatismo” do costume que termina invariavelmente na social democracia costumeira. Porém, ele é o único candidato que consegue dizer algumas coisas liberais, como quando diz que é preciso parar de tentar resolver todos os problemas indo ao bolso do contribuinte; mas por outro lado defende os funcionário públicos e as suas greves para afrontar Sócrates. Temo que se o liberalismo tem pouca expressão política em Portugal, estes soundbites liberais, que são depois desmascarados por tomadas de posição contrárias, serão prejudiciais para a imagem do liberalismo, basta que a opinião pública tome PPC como um arauto liberal, como alguns comentadores já parecem tomar. Assim, junto da opinião main-stream, certamente que as consequências negativas dos actos de PPC não vão ter a social democracia como culpada mas sim o próprio liberalismo (que, perante estes sinais, dificilmente estará presente).

 

Quanto a Aguiar Branco, limitou-se a dizer que queria unir o partido e a atacar adversários, o que, convenhamos, dá a entender que com ele iríamos ter uma continuidade social democrata clássica.

 

Tal como a Elisabete  Joaquim escreveu, é verdade que não se debateram ideias e todas estas análises se baseiam na forma como os candidatos usaram as palavras e os focos dos seus discursos. Qualquer conclusão tirada de um congresso como este terá de estar baseado na leitura das entrelinhas e, como tal, será fortemente subjectiva. Assim sendo, este fenómeno leva-me a concluir que os apoios dos liberais a estes candidatos se baseiam na esperança de que, se o PSD chegar ao poder, o candidato vencedor irá liberalizar o país sem o dar a entender anteriormente. Infelizmente, apoiar um candidato não devia ser como jogar ao totoloto, muito menos num partido cuja matriz é social democrata, que rejeita ser de direita, que tem um passado estatizante,  e, que (como foi muito aplaudido) “rejeita endeusamentos do mercado”.

 

Esperarei para ver, mas, What are the odds?

 

publicado por Filipe Faria às 20:52

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