O REPLICADOR

Fevereiro 01 2010

Este texto é uma resposta ao comentário da "Katherine" no texto "O Verdadeiro Contrato Social".

 

Cara Katherine,

 

Como o seu comentário abordou várias questões interessantes, tentarei responder-lhe por pontos:

 

1-    Devo dizer-lhe que concordo com quase tudo o que escreveu. Grande parte do que disse está presente em qualquer livro de Sociobiologia ou, como mais recentemente é conhecida, de Psicologia Evolutiva. É inegável que nós somos produtos dos nossos genes e do meio ambiente, e que o meio ambiente exerce pressão evolutiva ao determinar os mais bem adaptados ao contexto (repercutindo-se na selecção natural). Estamos plenamente de acordo e nada do que escrevi no texto invalida estas premissas.

 

2-    Estamos também de acordo no que diz respeito às tendências. De facto, tendências não significam que qualquer individuo de um determinado grupo (seja ele étnico ou de género) tenha de corresponder à tendência. Porém, estava-se a comentar o falhanço “MÉDIO” dos rapazes no ensino e do sucesso “MÉDIO” das raparigas (como se sabe, há alguns bons alunos e algumas más alunas) e quando se desenvolvem medidas políticas baseadas em teorias educativas traça-se sempre uma média para os seres humanos. São essas medidas que são criticadas no texto (ou satirizadas, neste caso). Como é fácil de verificar, nunca escrevi em qualquer lado que qualquer mulher é mais X que do que qualquer homem por causa da tendência verificada nos seus respectivos grupos.

 

 

3-    As características que herdamos da evolução humana estão presentes nos dias de hoje. Tal como referiu,  a agressividade “testosteronada” dos pontapés e murros não está adaptada ao contexto urbano contemporâneo onde a agressividade é mais frutífera ao nível da psicologia social. Podemos dizer que as mulheres são igualmente agressivas, mas não de uma forma física, usam sim outros métodos de agressão que por serem mais indirectos adaptam-se melhor (em teoria) às exigências da sociedade actual. Mas mais uma vez, estamos sempre a falar de médias, não de indivíduos em concreto.

 

4-    Já na última parte estamos em desacordo. Penso que tal se deve ao facto de ter interpretado erroneamente a intenção das minhas palavras. Eu nunca advoguei a aceitação da indisciplina e da agressividade para efeitos de valorização pessoal e académica, muito pelo contrário. O que eu advogo é que cada escola deve ter a liberdade para escolher os critérios com que vai preparar os seus alunos para que seja possível lidar com determinadas “inadaptações” de forma flexível sem modelos de educação impostos de cima (segundo o modelo “one size fits all”). O barómetro de evolução social, mérito e sucesso será medido na sociedade em si e não no ministério da educação. Ademais, eu não advogo o reforçar das características inadaptadas dos rapazes, a educação é, apesar das suas limitações, um factor importante no desenvolvimento pessoal, mas oponho-me a palavras como “moldar” porque facilmente caem nas engenharias sociais à luz do comportamentalismo. Por outras palavras, se me perguntar se um rapaz deve ser repreendido quando parte uma janela numa escola, obviamente que a resposta é sim. Mas o bom senso trata disso, não precisamos de instruções superiores para tal.

 

5-    Por fim, tal como o João Rodrigo já referiu, eu nunca advoguei que deviam existir direitos diferentes devido à diferença de capacidades. Muito pelo contrário, bato-me constantemente pela maximização da ausência de discricionariedade legal. As leis que definem o Estado de Direito são humanas e não grupais. Contudo, isto não me impede de constatar evidências empíricas das tendências dos vários grupos. Da mesma forma, tal não me faz pedir para que se perdoe os homens ou se obrigue as mulheres a trabalharem nas lides domésticas. Cada indivíduo deve escolher a forma de vida que melhor entender, independentemente de escolher um estilo “desigualitário” ou politicamente incorrecto (como o que referiu). Num cenário extremo (e irreal), se todos os homens se recusassem a fazer trabalhos domésticos, algumas mulheres viveriam com eles na mesma e outras prefeririam ficar sozinhas. O que importa é que, na vida privada, cada indivíduo tome as suas decisões e não exerça coerção sobre o próximo. Por fim, não me parece que nos devamos preocupar em demasia em fazer com que os homens ganhem flexibilidade adaptativa. Os humanos chegaram até aos dias de hoje atravessando milénios precisamente porque a selecção natural foi trazendo essa mesma flexibilidade adaptativa (não consta que tenham existido pedagogos estatais com cursos de sociologia e psicologia a “flexibilizarem os indivíduos”). 

 

PS: A drive sexual é EM MÉDIA diferente entre os 2 sexos devido à estratégia evolutiva espécie. Nem é preciso ler livros como o “Selfish Gene” para saber isso, basta tentar perceber porque é que a mais velha profissão do mundo é essencialmente feminina.

 

publicado por Filipe Faria às 00:20

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