O REPLICADOR

Janeiro 16 2010

Com toda a razão, a Maria João Marques escreveu que já não há paciência para os típicos comentadores “imparciais” de esquerda (mesmo quando se proclamam de direita) que vão à televisão comentar a política nacional. Foi até mais longe qualificando muitos deles de “esquerda mascarada de direita”.

 

Não podia estar mais de acordo; porém, este fenómeno é apenas um sintoma da estruturação política portuguesa, ou seja, um reflexo e não uma causa. Num país onde o (suposto) principal partido direita é SOCIAL DEMOCRATA, alguém pode ficar surpreendido que os comentadores que se dizem de direita não acompanhem essa linha? Nunca é demais repetir verdades auto-evidentes quando elas são ignoradas pela comunicação social: a SOCIAL DEMOCRACIA é uma corrente de centro esquerda em qualquer país do mundo. Podemos tapar os olhos regularmente e fingir que o elefante não está na sala, mas todos os dias chocamos contra ele.

 

Bem sei que logo surge alguém (normalmente de esquerda em tentativa de auto-legitimação) que alega que isso é só o nome do partido e que o DNA do mesmo é de direita. De facto, o PSD tem alguns traços de direita nos valores sociais (apesar de cada vez menos), mas não diverge em nada do Partido Socialista na forma de olhar para o Estado e para o país. O PSD sempre foi liderado por keynesianos e sociais democratas, que se distinguem do PS por colocarem ênfase em pontos diferentes da propaganda política devido à necessidade de terem um produto distintivo no mercado do voto, mas que são substancialmente semelhantes em quase tudo. Basta para isto dizer que o peso do Estado cresce (pelo menos) tanto com o PSD como com o PS. 

 

Num país onde a direita é representada pela esquerda, não nos devemos surpreender que os comentadores políticos que estão na televisão sejam uma “esquerda mascarada de direita”, devemos sim ficar surpreendidos quando surgem comentadores que são realmente de direita (que vão começando a surgir), mas mais surpreendidos devemos ficar quando surgem políticos portugueses realmente de direita no arco de governação (que não surgem de todo).

 

publicado por Filipe Faria às 17:43

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