O REPLICADOR

Dezembro 27 2009

 

 

Costuma-se dizer no âmbito das relações internacionais que os seres humanos só vão ter paz entre si quando encontrarem um inimigo externo a eles, como uma invasão de alienígenas. O que a saga cinematográfica “Alien” nos vem dizer é que nem isso nos uniria numa paz kantiana. 

 

A ideia patente nos quatro filmes “Alien” é a que apesar de existir uma ameaça alienígena, os humanos continuam a ter ideias diferentes em relação à forma de lidar com o problema e continuam a olhar para a situação com vista a trazer o máximo de proveito para si mesmo em detrimento do próximo. Em última instância, numa perspectiva utilitarista, se alguém considerar que manter um alienígena mortífero vivo traz mais dividendos do que manter humanos vivos ele/ela irá fazê-lo. A saga não é inquietante por causa da destruição em massa, do sangue ou dos milhares de assassinatos, é inquietante pela mensagem que deixa: independentemente do que possa acontecer, o amor à humanidade como um todo é algo que não existe.

 

Esta mensagem parece ter na sua base a explicação do sociobiólogo Edward Wilson para a nossa falta de coesão como colectivo alargado: ao contrário das formigas, que por serem estéreis precisam de trabalhar para a mãe com um forte sentido de espécie, o facto de os humanos terem autonomia reprodutiva faz com que tendam a colocar os seus interesses genéticos à frente dos de uma colectividade de que não dependem directamente. Desprovido de sexo, “Alien” é, em última instância,  um filme sobre reprodução.

 

Em “Alien: Resurrection” (Alien 4), ao descobrir que a dedicada e caridosa rapariga interpretada por Winona Ryder é afinal um robot, Ellen Ripley (Sigourney Weaver) profere a frase que resume a lógica subjacente à saga: “No human being is that humane”.

 

publicado por Filipe Faria às 01:06

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