O REPLICADOR

Dezembro 24 2009

O que há em comum entre Margaret Thatcher e Ayn Rand? Para além da defesa do liberalismo e da responsabilidade individual, o que une estas duas senhoras são as suas proveniências humildes. Filhas de pequenos comerciantes, ambas são mulheres que, devido ao seu esforço pessoal e às suas capacidades intelectuais, conseguiram ascender socialmente.

 

É sintomático que grande parte dos que vieram de origens humildes e trabalharam para subir na escada social defendem o valor da liberdade, do trabalho e da honra. Por conhecerem as dificuldades intrínsecas às suas origens humildes, têm perfeita consciência  de que a única forma de se ascender socialmente é através do trabalho e não através do welfare.

 

A chamada “welfare trap” (armadilha dos subsídios sociais) é responsável pela eterna permanência de boa parte população em situações sociais precárias; ou seja, para compensar o que se recebe em subsídios de desemprego e de inserção social é necessário um ordenado elevado que compense as despesas que se terá de começar a pagar. Como esses ordenados mais elevados não estão disponíveis facilmente porque implicam formação e experiência profissional, o incentivo para trabalhar e sair do welfare é nulo. Em concomitância, criticar quem opta por não trabalhar não é lógico. Estas pessoas estão apenas a ser racionais nas suas escolhas: se trabalhar vai produzir, em termos líquidos, o mesmo resultado (ou ainda pior) do que se estivessem a viver de subsídios, então compensa não o fazer. Porém, não trabalhando torna-se impossível ascender socialmente e, em última instância, gera-se uma dinâmica de dependência que culminará na multiplicação de pobreza dentro dos que estão presos nessa armadilha.

 

Segundo a revista CAIS, em Portugal há 18% de pobres, mas se não fosse o welfare, teríamos 41% de pobres; por outra palavras, em Portugal, 41% da população depende directamente ou indirectamente das ajudas do Estado, o que significa que, se considerarmos que a percentagem restante não está toda no activo, uma pequena parte da população está a sustentar pelo menos 41% da população.

 

Torna-se claro que o actual sistema de ajuda social português possui incentivos perversos que poucos querem discutir. Por outro lado, o conceito de “welfare trap” é já amplamente discutido no mundo anglo saxónico. Resta-me perguntar: como é que se traduz “welfare trap” para português ? 

 

publicado por Filipe Faria às 01:14

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