O REPLICADOR

Maio 15 2009

Se se andava a perguntar como é que o Francisco Louçã (que nem parece uma pessoa limitada), ou o Jerónimo de Sousa, ou outro qualquer político proponente de ideologias políticas absurdas, consegue manter uma postura circunspecta e convicta na hora de pregar ao mundo, pode encontrar uma pista na área da psicologia evolutiva e da sociobiologia.

Robert Trivers, biólogo evolucionista, advoga a teoria do auto-engano: através da observação de comportamentos sistemáticos de outras espécies (mas também da nossa), Trivers chegou à conclusão que o nosso cérebro evoluiu mediante as pressões selectivas específicas a que foi sujeito ao longo dos milénios, evolução essa que traduz-se numa evolução de comportamentos. De forma a conseguir manipular o próximo para seu próprio proveito, o ser humano evoluiu biologicamente (através da selecção natural) para um estágio onde a capacidade para o auto-engano é necessária. Desta forma, só através do auto-convencimento de que aquilo que estamos a pregar é correcto é que conseguimos usar a mentira para manipular o próximo, porque de outra forma nunca seremos convincentes.

É caso para dizer que quem anda cheio de dúvidas não está adaptado ao contexto.
Eu ofereço-me já para o clube dos inadaptados.

publicado por Filipe Faria às 12:15

Política, Filosofia, Ciência e Observações Descategorizadas
Facebook
pesquisar
 
RSS
eXTReMe Tracker