O REPLICADOR

Novembro 05 2009

No seu artigo semanal do jornal “I”, o professor João Cardoso Rosas escreve que a direita está em crise porque não soube desligar-se da ideia do mercado livre e que por isso paga o preço de não ser eleita. Com esta crise financeira, parece dizer o professor, não se elegem partidos com propostas orientadas para o mercado, visto que a recessão actual foi provocada por uma desregulamentação desmedida.

 

Segundo esta lógica, o que deve ser difícil de explicar é como é que os partidos de direita europeus ganharam as eleições europeias em praticamente todos os países. E mais, porque é que o motor da Europa (Alemanha) acabou de eleger um governo de direita conservadora/liberal? Se as pessoas estão assim tão convencidas que foi a falta de regulação do mercado que causou a crise, não é estranho que estejam a votar à direita?

 

O professor olhou apenas para Portugal, e como tal, viu mais uma vitória da esquerda sobre a direita porque a demagogia de esquerda continua a imperar em terras lusas. Por outras palavras, continuamos a acreditar que podemos viver acima das nossas possibilidades de produção e que o Estado se pode endividar ad eternum sem que isso não implique uma dramática perda de qualidade de vida para os cidadãos; isto claro, para nem entrar na questão da perda de liberdade individual. Desta forma, viu-se mais uma derrota da direita, não porque a esquerda tenha mudado de discurso, mas sim porque a direita continua a querer partilhar da demagogia da esquerda, fugindo a propostas verdadeiramente viradas para o mercado. Contudo, concordo que há uma crise da direita portuguesa, uma crise que só se irá resolver quando esta assumir que não partilha da retórica da esquerda, ou seja, quando assumir que é de direita. Nessa altura, e só nessa altura, fará sentido falar em “política de verdade”.

 

Com todo o respeito professor Rosas, problema da direita portuguesa não está na defesa dos mercados, está na falta dela.

 

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 22:22

José Régio celebrou a frase "Não sei por onde vou, mas não vou por aí". Pergunto em tom retórico: estará explicada a sua afinidade com o povo português?..
Miguel da Fonseca a 6 de Novembro de 2009 às 15:28

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