O REPLICADOR

Outubro 29 2009

Nos anos noventa Margaret Thatcher votava a União Europeia à extinção, não por nenhum tipo de má vontade estrutural mas sim pela constante intrusão da crescente burocracia social democrata no mercado de trabalho  e na política económica no geral impedindo o singrar de um modelo económico liberal que conduzisse o continente a um futuro mais próspero e mais livre.


Por essa razão o Reino Unido foi colocando empecilhos  crescente à sua inclusão nesta estrutura, a qual iria dificultar a sua competitividade nos mercados americanos entre outros. A defesa de interesses sectários acompanhou o crescimento da burocracia europeia, duas realidades que se foram reforçando mutuamente.

Entretanto em Singapura Lee Yuan Kew, líder de Singapura, criava uma dinâmica economia de mercado, no Japão Koizumi privatizava as estruturas económicas pausadamente, o que levou a um ressurgimento económico, no Brasil Fernando Henrique Cardoso cortava com a retórica socialista e entregava-se ao crescimento económico.


A Europa no entanto parecia, e parece ainda talvez, imune. Entregue à sua retórica dos “direitos adquiridos” e da “terceira via” não consegue ver que se vota à estagnação da comparação quadrimestral de crescimentos irrisórios. E com isto, faz o pior serviço possível às suas populações. Sem crescimento não pode haver política mítica social.


No entanto nas eleições europeias deste ano existiram mudanças estruturais que trouxeram esperanças ao meu claudicante europeísmo. A esquerda socializante, face à crise económica, pensava que iria finalmente voltar à ribalta. O sistema capitalista estava descredibilizado e tinha-se auto infligido feridas profundas. Enganaram-se nos dois pontos, nem foram as feridas auto infligidas (obrigado Senhor Greenspan), nem descredibilizaram o sistema. Os povos europeus, parece-me, têm perfeita consciência que foi o comércio livre, o acesso ao crédito e o mercado que o trouxeram até à prosperidade que vive hoje. O que é de facto exigido é uma maior transparência e responsabilização económica. Não poderia estar mais de acordo.


As eleições europeias revelaram assim uma derrota esmagadora da retórica socialista, quer nos países onde era governo quer onde era oposição. França, Alemanha, Portugal, Reino Unido e muitos mais viram derrotas pesadas para este rumo maquinista que vinha a ser dado à união. Já terão passado os anos dos timoneiros socialistas na Europa.


A cereja no topo do bolo, e a confirmação desta minha última afirmação foram as eleições na Alemanha. Angela Merkel, das poucas líderes europeias não votadas à mediocridade, conseguiu livrar-se do empecilho do SPD para se juntar aos liberais e por a terceira maior economica do mundo “back on track”. Esta nova realidade poderá ainda ser complementada pela queda definitiva do “New Labour” em Inglaterra. O Bipartidarismo inglês poderá estar em vésperas de se transformar e assim, a grande questão será a França.


Conseguirá a França, pátria do socialismo democrático europeu, acompanhar os ventos de mudança ou persistirá num modelo económico anacrónico que prejudicaram quer a economia, quer a concertação europeia? O aparelho estatal é imenso, os sindicatos irresponsáveis e a estrutura social urbana semi-desfeita. Será preciso muita coragem para esta nação apanhar o comboio mediante o que tem sido a sua acção política tradicional.


Se não o fizer, o bipolarismo franco-alemão pode estar em causa e com ele a própria viabilidade da União Europeia. Agora, o governo Alemão terá muitas mais similaridades com o futuro estado de coisas em Inglaterra o que estimulará uma nova concertação, uma concertação centrada no mercado, no estado social mínimo e na livre iniciativa dos cidadãos primando a presença do estado pela regulação. Terão as instituições europeias a remodelação adequada ou estaremos já perante um pseudo-estado criado pelo socialismo que se auto-defenderá parasitando a sociedade e o futuro europeu? E a França? Acompanha?

publicado por Diogo Santos às 16:50

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