O REPLICADOR

Outubro 21 2009

Uma das mais sólidas análises à crise actual. Por José Maria Brandão de Brito

 

"A interpretação que atribui a crise à falência do mercado livre padece de uma inconsistência empírica que resulta do facto de o sector financeiro ser dos mais intensamente regulados e escrutinados nas economias desenvolvidas. Desse modo, como pode o neoliberalismo ser responsabilizado, em exclusivo, pelo descalabro de um sector em que as leis do mercado coabitam com as leis do estado e são deliberadamente distorcidas por elas? Esta falácia é evidente ainda noutra perspectiva: a que compara os comportamentos de instituições financeiras com enquadramentos regulamentares diferenciados. Decorre do ataque ao neoliberalismo que seria de esperar que as instituições mais resguardadas (via regulação) dos "perigos" do mercado evidenciassem maior prudência de actuação do que as instituições menos sujeitas à influência tutelar do Estado. Assim, seria de esperar que, após o colapso financeiro, os hedge-funds (livres de supervisão) fossem mais atingidos que os bancos de investimento (sujeitos a supervisão difusa) e estes mais afectados do que os bancos comerciais e as seguradoras (minuciosamente regulados e supervisionados). Mas não foi isto que se verificou; antes pelo contrário. As maiores perdas ocorreram em bancos comerciais, como o Citibank ou a UBS, em seguradoras como a AIG ou ainda nas agências de crédito hipotecário norte-americanas Fannie Mae e Freddie Mac."

publicado por Filipe Faria às 18:41

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