O REPLICADOR

Outubro 18 2009

Num país profundamente enraizado no seu adubo socialista pronunciar a palavra elite é provavelmente mais mal visto que vender o fígado da mãe no mercado negro ou violar crianças de 10 anos. Ainda me lembro com nostalgia da minha professora primária a ensinar-nos que éramos todos iguais. Todos iguais, sim… e não. Devemos nascer todos iguais? Sim, sem sombra de dúvida, todos devem nascer idênticos aos olhos do mundo e com as mesmas oportunidades. Isso não acontece hoje, e não cairia muito em erro ao dizer que nunca aconteceu em tempo algum, em parte alguma. Faz parte de nós, o ser humano gosta muito de rotular tudo e mais alguma coisa, facilita-lhe bastante a vida. Só podemos lutar contra o nosso inato, uma batalha perdida mas com bastante mérito.


Mas isto deve ser assim durante toda a existência do indivíduo? O empresário é igual ao padeiro? Sim, claro! E de modo algum por outro lado. A partir do momento em que ganhamos uma consciência, se for suposto um nível mais ou menos semelhante nas oportunidades oferecidas ao empresário e ao padeiro, cada um seguiu o caminho que escolheu. E aí são diferentes, os caminhos que traçamos definem-nos. Ambos têm mérito, o empresário gosta de pão de manhã e o padeiro gosta de pertencer ao conglomerado panificador do empresário que lhe confere benefícios vários. E até este ponto o conceito de uma elite não tem utilidade alguma. Continuemos no entanto.


A vida pressupõe trabalho, palavra empregada a vários níveis: o amor dá trabalho, ser educado dar trabalho, tomar as decisões acertadas dá muito trabalho. É impressionante a quantidade de areia que precisamos de tirar da frente dos olhos para encontrar o nosso objectivo! Falo por experiência própria e não me parece que esteja sozinho no assunto. E é aqui que entra a definição de elite, o grupo excepcional de pessoas com objectivos mais ou menos imutáveis e sem medo de trabalhar para os atingir. A elite não escolhe o caminho de menos resistência, não altera os objectivos quando vê uma montanha no meio. A elite constrói um túnel, a elite pesquisa, a elite aprende e não descansa (muito). De certa forma o trabalho faz parte do objectivo da elite, sem este ela sente-se “pobre”, pobre de espírito, claro. A elite não tem que ser um grupo mínimo de indivíduos, infelizmente é.


A elite não nasce necessariamente rica, não nasce necessariamente de uma família influente, culta, educada. Muitos filhos de famílias ricas ou com status não são mais que meninos estragados de mimos. E muitas crianças que se depararam com enormes adversidades para subir na vida hoje não podem olhar para baixo de tão alto que chegaram!


E a elite é pequena em parte por culpa de uma sociedade que faz da palavra tabu. “Ser grande” nesta sociedade poluída é vestir-se como os outros, ser mediano em ideias como os outros, almejar uma casa com piscina, um jipe e nada mais. “Ser grande” é não trabalhar muito, deixar isso para os paspalhos. É numa sociedade corrupta económica e socialmente que surge um grupo exemplar, chamem-lhe o que quiserem chamar, chamem-lhes cavalos ou burros porque vos levam no dorso para não abrirem mais o buraco onde vivem com o peso dos vossos rabos gordos.

publicado por João Rodrigo às 17:37

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