O REPLICADOR

Setembro 23 2009

Your free market is perfectly natural,

Or do you think that I’m some kind of dummy,

It’s the ideal way to order the world,

Fuck the morals, does it make any money? *

 

Jarvis Cocker

 

A ironia do vocalista dos Pulp é usada ao serviço da luta anti-liberal/anti-mercado. Não deixa de ser igualmente irónico que Jarvis pertence ao país europeu que mais música pop produz e que cuja estrutura liberal mais oportunidades dá aos artistas para que possam usar a sua criatividade como forma de sustentação financeira e de ascensão social.

 

O que ele parece ignorar nesta reivindicação é que a tal “moral” que diz que o mundo esquece é uma moral pluralista que, não só não gera consenso, como não é compatível com as diversas sensibilidades humanas. Já o dinheiro, com a sua conotação vil, é um mediador neutro: vale o mesmo para todos e cada um coloca a sua individualidade no significado que lhe quer dar. Esse significado traduz-se em escolhas e estilos de vida pessoais. Tentemos trocar morais entre nós e obteremos discórdia; tentemos trocar dinheiro e, dentro dos limites do “vive e deixa viver”, obteremos a possibilidade de colocar a nossa moral individual nos resultados obtidos.

 

 

 

 

 

* Cunts are still running the world

 

publicado por Filipe Faria às 20:21

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