O REPLICADOR

Maio 13 2009

A Política é etimologicamente a organização da cidade. Desde os primeiros agrupamentos humanos, as paixões mais diversas combateram-se acerca da base sobre a qual a sociedade deve ser construída. Creio que para tentar responder a esta pergunta, interessa-nos ao mais alto nível conhecer a natureza dos homens que vão constituir essa sociedade. É desejável uma sociedade que responde á essência humana, ou um Estado programático que visa um dever-ser do Homem? Antes de começar qualquer projecto, é preciso avaliar as suas potencialidades para poder determinar um objectivo alcançável: Valerá a pena esforçar-se sem limites para ensinar um cão a falar ou treinar um chimpanzé noite e dia a resolver problemas matemáticos? A resposta parece-nos óbvia porque sabemos que estes animais não têm as capacidades intelectuais nem fisiológicas para processar ideias abstractas complexas, ou emitir todos os sons que as diferentes línguas humanas utilizam. Ora quais são as capacidades do homem? O que deve a sociedade exigir deste último? A sociobiologia parece-me ser a ciência a menos especulativa a tentar responder a esta pergunta: O homem, como qualquer forma animal ou vegetal é uma maquina de sobrevivência, arquitectada e utilizada para proteger um código genético cujo únicos interesses são sobreviver e multiplicar-se. Apesar desta sensação de liberdade que sentimos a qualquer momento de deliberação consciente, estudos realizados nesta aérea indicam que o nosso comportamento afinal é determinado em grande parte pelos interesses do “gene egoísta”[1]. Explicado de forma mais concreta, o ser humano é incapaz de altruísmo (a não ser em relação a indivíduos que partilham parte do seu código genético:País,Filhos,Irmãos,Primos...) e é sempre movido pelo seu próprio interesse. É obviamente capaz de cooperação, facto que podemos observar em numerosas espécies, mas nunca pode ir contra aquilo que beneficia os seus genes. Nesta perspectiva, uma sociedade liberal é, no meu entender, a mais compatível com a natureza humana, na medida em que é o melhor compromisso entre segurança (em oposição ao estado de natureza) e liberdade, porque não nos obriga a trabalhar para beneficiar outros genes parasitas. Não é de admirar que sociedades redistributivas são menos produtivas e que qualquer aplicação da ideologia comunista ,que é a inibição da selecção natural, levou irremediavelmente ao fracasso. Tal como o amor romântico só existe nas poesias, o comunismo não deve passar de um romance de ficção. 

 

PS: Acabei de ver um video que me traz alguma esperança, talvez os cães possam falar... uma bela mensagem de amor ainda por cima...  


[1] Dawkins, Richard, The selfish gene

publicado por Alexandre Oliveira às 04:18

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