O REPLICADOR

Setembro 08 2009

No seu livro clássico “The Road to Serfdom”, Friedrich Hayek mostra como o socialismo, apesar da sua filosofia internacionalista, é apenas e só nacionalista. Por outras palavras, o socialismo só é praticável num grupo limitado de pessoas e tem como premissa a aceitação da visão socialista por parte de toda a sociedade, esmagando assim qualquer tentativa de dissidência de eventuais elementos que vivam nesse grupo e que possam não concordar com a moral vigente. Embora se baseie na moral humanista, o socialismo só em teoria se preocupa com o estrangeiro, na prática (como se observou na Alemanha pré- nacional-socialismo e na Rússia comunista) este é violentamente nacionalista.

 

É relativamente fácil aferir esta ideia “auto-evidente”: qual o político socialista com ambições de poder que contempla uma redistribuição de riqueza equitativa por todos os povos do mundo? Nenhum. O que revela que não é uma moral humanitária igualitarista que move a acção socialista, mas sim uma vontade de poder que se manifesta através da promoção do pensamento único numa tribo geograficamente localizada. Tal como Hayek deixou escrito: “Todos eles consideram que o capital pertence à nação e não à humanidade... aquilo que os socialistas proclamam como deveres perante os membros de outros estados não estão eles preparados para conceder ao estrangeiro”.

 

Na prática, alguém imagina líderes da esquerda portuguesa como José Sócrates, ou outros mais utópicos como Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, a defenderem que não só os ricos precisam de entregar o seu dinheiro aos mais pobres, como também os mais pobres em Portugal devem entregar o seu dinheiro àqueles que, no resto do mundo, são ainda mais pobres do que eles? Certamente que não. Não só é uma ideia que carece de exequibilidade como faria com que não tivessem apoios (votos) de qualquer classe social, das mais altas até às mais baixas. Desta feita, qualquer moralismo igualitário internacionalista como fim a atingir é deitado por terra.

 

Tornou-se comum ouvir vozes da esquerda a proporem ajudas aos estrangeiros mais desfavorecidos. Paradoxalmente, essas mesmas vozes defendem medidas proteccionistas para proteger os trabalhadores nacionais contra o comércio internacional, impedindo assim a criação de riqueza em países mais pobres que desejam vender os seus produtos. A consequência é lógica: o que o socialismo propõe é, invariavelmente, uma política de esmola e não de auto suficiência. Este quer dar um ou outro peixe sem nunca ensinar a pescar. Por muito que custe a muita gente da esquerda, foi o liberalismo que retirou milhões de habitantes da pobreza através do comércio internacional, e quanto mais fechadas forem as economias mais pobreza existirá, mais esmolas existirão, e, para a felicidade de muitos, mais socialismo existirá.

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 20:40

Política, Filosofia, Ciência e Observações Descategorizadas
Facebook
pesquisar
 
RSS
eXTReMe Tracker