O REPLICADOR

Setembro 03 2009

José Sócrates terminou o debate de ontem com Paulo Portas a olhar directamente para a câmara e a insinuar, tal como um pai da nação, que ia providenciar o 12º ano a todos os jovens. Nas entrelinhas estava escrito “independentemente de estarem instruídos ou não”.

 

Este primeiro ministro considera que a escola é simplesmente uma instituição de inclusão e não uma instituição de mobilidade social. A escola tem, de facto, uma função inclusiva, mas não é a única função da escola: esta serve igualmente como factor de mobilidade social para os elementos mais desfavorecidos da sociedade que precisam de uma escola meritocrática para poderem ter uma oportunidade de se destacar e assim atingirem melhores condições de vida. No modelo facilitista que é proposto pelos socialistas, a escola passa a ser uma espécie de infantário onde os pais depositam os filhos para os irem buscar depois dos 18 anos. Os filhos irão continuar exactamente como estavam na hora da entrada, apenas mais velhos e sem terem tido oportunidades de mostrar as suas capacidades. Não nos devemos admirar, em Portugal a esquerda anda há muito tempo a tentar transformar o país num grande infantário onde o estado paternalista paga o jardim de infância mas não dá oportunidades a ninguém.

 

Já que a política económica do PSD em pouco se distingue da do PS, seria interessante que o PSD mostrasse alguma diferença em relação aos socialistas na forma como olha para a educação, para as oportunidades e para o mérito. Algo que iremos descobrir em breve se Manuela Ferreira Leite constituir governo.

 

 

publicado por Filipe Faria às 02:07

E este é um dos grandes problemas na educação em Portugal e não só a nível de oportunidades, mas também a forma como se transmite o conhecimento, ou seja, o facto de estudar até ao 12º não lhe dá mais capacidades, principalmente se faltar os alicerces iniciais, pois já no fim de 8 anos de escolaridade é difícil começar tudo de novo. Imagina, se perguntares a um aluno coisas básicas sobre política, este não tem qualquer noção absoluta, quer das leis, quer de quem governa, não sabe dar uma opinião concreta ou pelo menos cognitiva do assunto. Por exemplo, nos USA é obrigatório a disciplina de "Government and Law", em que eles aprendem o sistema de governação e justiça do próprio país, como é constituída a estrutura política e a quem devem-se dirigir caso tenham alguma queixa, dúvida...etc. Existe uma noção de cidadania. Aqui, a maioria dos cidadãos está nas tintas para a política e só sabe chamá-los de nomes, e de que todos deviam morrer, coisas assim que ouço nos cafés quando vou (é de chorar a rir ou não), onde a televisão está sempre ligada no canal da TVI, nas novelas que a maior parte não perde, enquanto um programa decente (coisa que nem sei se há, a não ser na RTP2 e já é com sorte) passa despercebido. Falta uma educação de raiz...
Há 40 anos, Adérito Sousa Nunes descrevia Portugal como uma "sociedade dualista", nomeadamente para caracterizar a separação entre o fosso tradicional que existe entre a maioria dos portugueses da modernidade da pequena minoria privilegiada. Hoje, muita coisa não mudou...

Corina
. a 4 de Setembro de 2009 às 21:39

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