O REPLICADOR

Agosto 22 2009

Este texto de Miguel Botelho Moniz revela o que já se sabia mas que é importante reforçar: em Portugal uma pequeníssima parte da população (15%)  paga 85% de todo o IRS, isto é, os que trabalham, os que não fogem aos impostos, os que decidem trabalhar de forma metódica no seu dia-a-dia, acabam por suportar financeiramente o resto da população. Atenção, não estamos a falar dos “ricos”, para além de serem uma ínfima minoria, esses vivem do rendimento de capitais e não necessariamente do rendimento sobre o trabalho. Como é mais fácil taxar o rendimento sobre o trabalho (porque se taxarem mais o rendimento de capitais eles vão-se embora do país), o que o governo português faz é desincentivar o trabalho e certificar-se de que ninguém fica rico a trabalhar. No fundo, o governo português confia que, ao contrário dos capitais, os trabalhadores portugueses escravizados não se vão embora por razões familiares e de pertença nacional. Desta forma, por cada português que se dedica ao trabalho, há x portugueses que vão à boleia do esforço profissional desse mesmo português altruísta.  Em suma, tal como os gráficos do texto supracitado mostram, em Portugal os ricos são tão ricos como na generalidade de outros países europeus; temos menos pobres do que outros países da União Europeia a 15, mas a classe média é das mais pobres de todos esses países. Porquê ?

 

Porque não é possível roubar aos ricos sabendo-se que são eles que têm mais capacidade para investir e criar riqueza para o país, como tal, rouba-se à classe média impedindo-a de ter capacidade para ela própria criar riqueza. Porque em Portugal há muito que se abandonou o princípio de que se deve tratar o igual como igual e o desigual como desigual.  Porque para manter o epíteto de país “socializante” esqueceu-se a noção de mérito passando a tratar-se os indivíduos como átomos despersonalizados que existem apenas e só para servir funções sociais proclamadas pelo estado.

 

Tem vontade de fazer algo? Esqueça, este não é o país das vontades individuais.

 

 

publicado por Filipe Faria às 17:08

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