O REPLICADOR

Agosto 17 2009

Quando olho para a maioria dos analistas económicos ou políticos em Portugal vejo que há sempre um propósito último para a criação de riqueza, a redistribuição. Não a vêem como um mal necessário mas sim como o objectivo que valida a abertura que se dá à iniciativa privada. Basicamente, assume-se como razão para a existência da iniciativa individual o retirar desses recursos para atribuí-los a outrem.

 

O indivíduo é simplesmente encarado como um pormenor num estado que nem sequer se questiona moralmente que direito tem de fruir do seu trabalho. A grande questão é unicamente: a quem redistribuir? Esta é uma atitude que menospreza o trabalho, menospreza a procura individual da felicidade e leva a situações de reforço do poder estatal com as consequências óbvias no que toca ao aumento do peso da burocracia e ao limitar das liberdades económicas.

 

Um grupo de pessoas em nome do “socialismo” predispõe-se a retirar os recursos aos indivíduos para aplicá-los ao seu projecto de bem comum. Pensam saber o que o é... O problema é que o bem de uns pode ser o mal de outros e o que o estado deve fazer é disponibilizar as oportunidades ao individuo para procurar o seu próprio bem. O determinar do mesmo pelo estado é uma atitude proto totalitária.

 

Os cidadãos são encarados como vacas leiteiras aos quais só se deve dar condições para “produzirem” de forma a o Estado poder extorquir-lhes o leite todos os dias, para esse tal projecto claro. Esta perspectiva dogmática impede uma visão que promova a emancipação pessoal e, além do mais, veja a sociedade como uma realidade muito diversa a qual tem de ser defendida através de um sistema estruturado nos “checks and balances” com direitos individuais inalienáveis.

 

Isto não significa que não deva existir um estado social, muito pelo contrário. Ninguém pode ser feliz sem ter acesso a bens como a educação e a saúde e é por isso que deve ser providenciada a igualdade de oportunidades... nunca de resultados.

 

Isso é pedir que dois alunos com capacidades e desempenhos diferentes tenham a mesma nota. É o branquear da escolha individual, da criatividade e o afogar da sociedade na gestão estatal. O que lemos, o que escrevemos, até o que pensamos. Como consequência o associativismo é desencorajado, assim como a iniciativa individual e por isso o crescimento.

 

O estado tem um papel a desempenhar, não na intervenção directa mas na criação de um contexto favorável à persecução dos propósitos individuais. A segurança, a saúde, a igualdade perante a lei, o direito à propriedade, impostos mínimos, e o acesso à educação são os preceitos base da construção da estrada da sociedade. Agora o percurso, só os indivíduos o podem definir.

 

Assim se pode ver que a carga fiscal e o nível de redistribuição que ocorrem em Portugal são o caminho para a servidão da sociedade civil. Os recursos da classe média são delapidados e o que a sociedade realmente quer é determinado pelo Estado. Estado o qual não se coíbe de atacar impunemente as liberdades económicas e determinar percursos ao indivíduo e ao colectivo.

 

Só através delas e de uma regulamentação adequada à sua defesa se permite ao indivíduo perseguir as suas ambições e, através delas, proporcionar oportunidades para terceiros, assim como evolução social. É assim que a sociedade é beneficiada, não numa defesa intransigente do “bem comum” mas na criação de condições para o perseguir de um caminho por parte de cada um, com o mínimo de ingerência possível.

publicado por Diogo Santos às 23:00

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