O REPLICADOR

Julho 26 2009

Numa troca de opiniões com o Bruno Alves sobre a relação entre o pluralismo de valores na sociedade e a liberdade, apresentei a minha opinião sobre a possibilidade da institucionalização da liberdade. Aqui fica ela:

Na minha opinião, a relação é clara: a liberdade irá gerar sempre perdedores no sentido Nietzschiano, mesmo que ela seja o valor central da estruturação societal política, mas a grande vantagem da liberdade negativa é permitir que os perdedores possam reagir no sentido de inverterem essa posição, porque, tal como diria Richard Dawkins: “todos nós que estamos vivos somos filhos de vencedores milenares, todos nós somos descendentes de uma linha milenar de humanos que nunca falhou em reproduzir-se” . Como tal, todos temos alguma qualidade em nós que nos permitirá, numa sociedade cuja principal preocupação seja a da liberdade negativa, lutar pelos nossos melhores interesses e consequentemente pelos nossos valores. Numa sociedade onde impera a liberdade positiva estamos reféns da visão de uma elite que nos formata e nos estanca numa determinada posição social, concordando assim com Isaiah Berlin e com Robert Nozick que esse tipo de liberdade traz mais desvantagens do que vantagens. Quanto aos limites da pluralidade de valores, concordo com a ideia de Joseph Raz que argumenta que “a teoria moral do pluralismo de valores implica que os arranjos políticos de uma sociedade sejam liberais, ou seja, que tenham a liberdade como “valor básico” (The Morality of Freedom)” .

Não há escolhas institucionais naturais apesar de as nossas motivações o serem. Na linha do naturalismo de David Hume, os homens são movidos por sentimentos (simpatia e auto-interesse) e a razão é apenas um meio para chegar aos fins das emoções. No sentido de fazer valer o seu auto-interesse que provém das emoções, haverá assim quem irá usar o argumento da liberdade positiva para institucionalizar o racionalismo em detrimento do naturalismo. Porém, a própria defesa do naturalismo, quando se chega ao campo institucional, tem de ser uma decisão racional que vai permitir regular todas as paixões, emoções e sentimentos da sociedade permitindo que estes o sejam feitos em liberdade negativa. No fundo, há uma natureza para as acções institucionais e outra para as da sociedade. Na minha opinião, apesar de me considerar um naturalista, concedo que a defesa do naturalismo na sociedade só pode passar por uma defesa racionalista institucional, onde o valor a ser defendido é o da liberdade.

publicado por Filipe Faria às 16:42

Política, Filosofia, Ciência e Observações Descategorizadas
Facebook
pesquisar
 
RSS
eXTReMe Tracker