O REPLICADOR

Dezembro 30 2009

No seu paper “Colusion, Competition and Democracy”, o cientista político Stefano Bartolini explica os benefícios da competição através da ideia da mão invisível de Adam Smith e da ordem espontânea (que sem um plano humano supera quaisquer planos concebidos pelo homem) de Friedrich von Hayek.

 

De acordo com esta visão, a competição melhora progressivamente a performance da organização onde os competidores operam. Contudo, diz algo mais interessante que consubstancia a ideia anterior. Parafraseando: o funcionamento deste milagroso mecanismo foi notado há já muito tempo na espera biológica e foi provavelmente importado de lá. Foi notado que o prazer sexual, que para o individuo é auto-justificado, é um meio através do qual a espécie assegura a sua perpetuação.

 

Tal como Woody Allen documentou em “Annie Hall”, nós podemos mentir, mas o corpo não mente.

 

“What's fascinating is that it's physical. 

You know, it's one thing about intellectuals,

they prove that you can be absolutely brilliant

and have no idea what's going on.  But on the

other hand ...

(Clears his throat)

the body doesn't lie, as-as we now know.”

 

Woody Allen

 

 

publicado por Filipe Faria às 03:21

Dezembro 28 2009

Joseph Stiglitz, prémio nobel da economia, produz uma literatura extensa a advogar que o FMI e as demais instituições de Bretton Woods prejudicam os países em vias de desenvolvimento por estarem comprometidos com ideologias neo-liberais.

 

Neste ensaio abordo o caso de Stiglitz e procuro aferir se as instituições de Bretton Woods são realmente agentes do liberalismo económico ou se, ao contrário do que Stiglitz alega, são iliberais na sua essência.

 

 “O que Stiglitz parece sugerir é que o mundo desenvolvido deve funcionar como “Welfare State” dos países em desenvolvimento, num sistema de redistribuição de riqueza a uma escala internacional, independentemente da ineficiência desse mesmo “Welfare”, ou seja, mesmo que as verbas entregues aos Estados dos países em vias de desenvolvimento sirvam todos os propósitos de “Razão de Estado” menos ajudar a prosperidade económica dos povos.”

 

PS: Obrigado ao Thierry por me ter emprestado o livro "Globalização: A grande desilusão" de Joseph Stiglitz.

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 02:54

Dezembro 27 2009

 

 

Costuma-se dizer no âmbito das relações internacionais que os seres humanos só vão ter paz entre si quando encontrarem um inimigo externo a eles, como uma invasão de alienígenas. O que a saga cinematográfica “Alien” nos vem dizer é que nem isso nos uniria numa paz kantiana. 

 

A ideia patente nos quatro filmes “Alien” é a que apesar de existir uma ameaça alienígena, os humanos continuam a ter ideias diferentes em relação à forma de lidar com o problema e continuam a olhar para a situação com vista a trazer o máximo de proveito para si mesmo em detrimento do próximo. Em última instância, numa perspectiva utilitarista, se alguém considerar que manter um alienígena mortífero vivo traz mais dividendos do que manter humanos vivos ele/ela irá fazê-lo. A saga não é inquietante por causa da destruição em massa, do sangue ou dos milhares de assassinatos, é inquietante pela mensagem que deixa: independentemente do que possa acontecer, o amor à humanidade como um todo é algo que não existe.

 

Esta mensagem parece ter na sua base a explicação do sociobiólogo Edward Wilson para a nossa falta de coesão como colectivo alargado: ao contrário das formigas, que por serem estéreis precisam de trabalhar para a mãe com um forte sentido de espécie, o facto de os humanos terem autonomia reprodutiva faz com que tendam a colocar os seus interesses genéticos à frente dos de uma colectividade de que não dependem directamente. Desprovido de sexo, “Alien” é, em última instância,  um filme sobre reprodução.

 

Em “Alien: Resurrection” (Alien 4), ao descobrir que a dedicada e caridosa rapariga interpretada por Winona Ryder é afinal um robot, Ellen Ripley (Sigourney Weaver) profere a frase que resume a lógica subjacente à saga: “No human being is that humane”.

 

publicado por Filipe Faria às 01:06

Dezembro 25 2009

I wrote for love.
Then I wrote for money.
With someone like me
it's the same thing.

 

- 1975 - Leonard Cohen

 

 

Retirado de "Book of Longing"

 

 

publicado por Filipe Faria às 01:24

Dezembro 24 2009

 

 

Have a Radiohead Christmas.

publicado por Filipe Faria às 13:57
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Dezembro 24 2009

O que há em comum entre Margaret Thatcher e Ayn Rand? Para além da defesa do liberalismo e da responsabilidade individual, o que une estas duas senhoras são as suas proveniências humildes. Filhas de pequenos comerciantes, ambas são mulheres que, devido ao seu esforço pessoal e às suas capacidades intelectuais, conseguiram ascender socialmente.

 

É sintomático que grande parte dos que vieram de origens humildes e trabalharam para subir na escada social defendem o valor da liberdade, do trabalho e da honra. Por conhecerem as dificuldades intrínsecas às suas origens humildes, têm perfeita consciência  de que a única forma de se ascender socialmente é através do trabalho e não através do welfare.

 

A chamada “welfare trap” (armadilha dos subsídios sociais) é responsável pela eterna permanência de boa parte população em situações sociais precárias; ou seja, para compensar o que se recebe em subsídios de desemprego e de inserção social é necessário um ordenado elevado que compense as despesas que se terá de começar a pagar. Como esses ordenados mais elevados não estão disponíveis facilmente porque implicam formação e experiência profissional, o incentivo para trabalhar e sair do welfare é nulo. Em concomitância, criticar quem opta por não trabalhar não é lógico. Estas pessoas estão apenas a ser racionais nas suas escolhas: se trabalhar vai produzir, em termos líquidos, o mesmo resultado (ou ainda pior) do que se estivessem a viver de subsídios, então compensa não o fazer. Porém, não trabalhando torna-se impossível ascender socialmente e, em última instância, gera-se uma dinâmica de dependência que culminará na multiplicação de pobreza dentro dos que estão presos nessa armadilha.

 

Segundo a revista CAIS, em Portugal há 18% de pobres, mas se não fosse o welfare, teríamos 41% de pobres; por outra palavras, em Portugal, 41% da população depende directamente ou indirectamente das ajudas do Estado, o que significa que, se considerarmos que a percentagem restante não está toda no activo, uma pequena parte da população está a sustentar pelo menos 41% da população.

 

Torna-se claro que o actual sistema de ajuda social português possui incentivos perversos que poucos querem discutir. Por outro lado, o conceito de “welfare trap” é já amplamente discutido no mundo anglo saxónico. Resta-me perguntar: como é que se traduz “welfare trap” para português ? 

 

publicado por Filipe Faria às 01:14

Dezembro 20 2009

Resposta ao comentário de Nuno Mendes no post "Copenhaga Sem Aquecimento Global" :


O Climategate foi muito mais extenso e sério do que queres fazer querer.

 

Já conhecia essas explicações para o que eles disseram nos emails visto que elas foram dadas pelos próprios cientistas apanhados. Apesar de não serem explicações convincentes, vamos admitir que são. Fica por explicar porque é que, nesses emails, dizem que é ridículo que não se consiga esconder o declínio nas temperaturas, mas tenho a certeza que também terão uma justificação. No seguimento, não é verdade, tal como disseste, que NINGUÉM contesta o aquecimento global, visto que existem vários estudos que mostram que a temperatura está a descer nos últimos 10 anos enquanto as emissões de gases de estufa aumentaram (ver conferências do Lord Monckton).

 

Depois, ficou por explicar porque é que quando as autoridades para a liberdade de imprensa pediram os dados originais descobriu-se que eles tinham sido apagados (e isso está admitido nos emails), acto que, como deves concordar, está muito longe de ser idóneo e transparente. 

 

Idóneas e transparentes também não são as declarações de um cientista reputado que diz que gostava de literalmente dar uma carga de porrada num outro cientista que tinha uma posição céptica.

 

Ademais, este caso está longe de estar finalizado, visto estar a decorrer um processo de investigação judicial para apurar mais factos sobre o que está realmente em causa no climategate.

 

Por fim, concordo a 100% quando dizes que a verdade não é democrática. É verdade que por a maioria dos cientistas dizer que o aquecimento global é real e tem origem antropogénica, tal não significa que tenham razão. A história já mostrou que as “verdades” vieram muitas vezes de minorias. Por vezes vieram de um indivíduo apenas.

 

Sendo ponto assente que a verdade não vem necessariamente da maioria, o que me espanta é a facilidade com que se aceita os dados apresentados por um lado e a facilidade com que se descarta os dados do outro, sabendo-se que a explicação mais usada para tal é que uns têm credibilidade e outros não. Mas tal como eu escrevi no texto acima, as escolhas são políticas e não científicas. Como calculo que não tenhas estado a investigar profundamente na área das alterações climática, espanta-me igualmente que tomes uma posição quando a única posição aceitável perante esta questão é a dúvida. Só quando a escolha é política é que nunca há dúvidas. Não há espaço para a dúvida na política.

publicado por Filipe Faria às 22:21

Dezembro 20 2009

Gold, Peace  and Prosperity - Por Ron Paul

 

 "If for no other reason, inflation should be rejected on the
basis of morality. Inflation is taxation by deceit. Government
deceives the people as to the tax burden, and who is bearing it.
The working and middle classes are gradually impoverished,
while the poor are ground further down.
Wealth is transferred to the rich, from the hardworking and
thrifty to the conniving and foxy.
Inflation should be rejected by any society, but especially by
one claiming a Christian-Hebraic heritage. Not only is wealth
transferred from one group of citizens to another, in a giant anti-
Robin Hood operation, but authority is transferred from citizens
to the government."

Ron Paul

publicado por Filipe Faria às 00:01

Dezembro 19 2009

A notícia do momento é a de que Barack Obama chegou a Copenhaga pronto para fazer história, habituado que está a fazer história mesmo sem precisar de agir (aka prémio Nobel). Por outro lado, a notícia a destacar é a de que a conferência de Copenhaga terminou sem qualquer acordo vinculativo e, consequentemente, para além das operações de cosmética, o presidente americano não terá que tomar quaisquer medidas, sendo assim desnecessário agir. Com alguma conveniência, Obama surge nesta ocasião com um discurso onde revela que está comprometido a “ajudar” no combate à luta ao aquecimento global com transferência avultadas dos rendimentos dos contribuintes americanos para a ajuda ao desenvolvimento ecológico dos países mais pobres. Adicionalmente, para reduzir a emissão de gases com efeito de estufa, compromete-se a afectar a própria economia americana prometendo reestruturações na economia que, tal como a anterior administração americana revelou para o protocolo de Quioto, custariam a perda de pelo menos 5 milhões de postos de trabalho. Desta feita não há ainda números que afiram as perdas destas políticas propostas pelo presidente americano, mas é fácil de perceber que não seriam mínimas.

 

Mais importante do que as promessas (que provavelmente nunca serão cumpridas), está a afirmação perentória de que o aquecimento global é uma certeza científica: “This is not fiction, it is science” proferiu Obama em forma de resposta aos cépticos. Consequentemente, o mais alto representante do povo americano entrega-se sem reservas a um consenso que, a existir, é meramente burocrático e não é de todo científico, sabendo-se que inúmeros cientistas em todo o mundo contestam oficialmente a ciência que está por trás do alegado efeito antropogénico. Não é só o escândalo do climategate (onde se descobriram fraudes e manipulações de dados por parte de cientistas ligados à ONU) que devia fazer Barack Obama parar para pensar, o facto de a maioria dos americanos não apoiar a ideia do aquecimento global também o devia forçar a ter uma postura institucional mais representativa e menos personalista, se bem que pedir menos personalismo a Barack Obama seria como pedir ao Francisco Louçã para ler e gostar de Friedrich Hayek.

 

Concomitantemente, o presidente americano, que não consta que seja cientista, colocou as mãos no fogo por uma facção de cientistas pró-aquecimento global que têm todo o interesse em manter o alarmismo ecológico de forma a garantirem que fundos governamentais continuem a ser canalizados para as suas investigações. Barack Obama, com grande probabilidade, está consciente que a ciência neste processo é irrelevante, porque o que está em causa não é o clima e muito menos um suposto aquecimento global. Com a UE como motor, o que está em causa é a reestruturação energética que o ocidente quer fazer de forma a libertar-se da dependência de energia fóssil que o faz ficar politicamente dependente dos grandes produtores de petróleo. A necessidade de outras formas de energias torna-se assim premente.

 

Mas porque é que esta reestruturação não é feita unilateralmente sem precisar de deste acordo global? Em primeiro lugar porque esta mudança iria ser dispendiosa e, ao mesmo tempo, iria severamente limitar o crescimento económico dos países ocidentais em comparação com o crescimento que se verifica actualmente devido ao consumo de energia barata. Como consequência, verificar-se-ia uma perda de competitividade por parte do Ocidente em relação ao outros países que, ao continuarem a usar energia barata vinda do petróleo, seriam economicamente mais poderosos ganhando vantagens competitivas. Assim sendo, o ocidente precisa de um acordo global para convencer os países em vias de desenvolvimento a enveredarem por esta reestruturação energética de forma a que a lógica de poderes na ordem internacional se mantenha com a (ainda) actual supremacia ocidental. Em segundo lugar, os líderes europeus (a que se junta agora Obama) não querem esperar que seja a lógica natural do mercado, nem a vontade dos consumidores, a determinar  essa mudança estrutural energética. Querem sim, ao bom velho estilo europeu, que a mudança seja feita de cima para baixo, isto é, através de subsídios em massa para os sectores escolhidos pelos governos, criando uma grande economia subsidiada pelos rendimentos dos contribuintes, mesmo que tal signifique uma imposição de produtos aos consumidores, produtos mais caros, perda de qualidade de vida e sectores improdutivos que seriam novas “funções públicas” a sobreviver através dos apoios estatais. Não é surpresa, o aquecimento global foi o motor que permitiu empurrar todos os países para dentro deste barco, seja ele real ou não.

 

Na realidade, como se verifica pelo resultado praticamente nulo desta conferência, nenhum país gosta particularmente de estar neste barco com excepção para a UE, que, ao não ter reservas petrolíferas,  está particularmente interessada na mudança do paradigma energético. Os líderes europeus, tal como Barack Obama, dizem-nos que estes investimentos público vão trazer novos empregos e uma produtividade superior, continuando a vender um keynesianismo que, apesar de ser economicamente destrutivo a médio/longo prazo, continua a fazer as delícias do empowerment político. Com o imposto global sobre as emissões de gases com efeito de estufa, o empowerment político ganha uma nova dimensão global, visando, tal como o novo presidente da UE Herman Von Rompuy proferiu, um acordo de governança mundial, num processo de afastamento do poder de decisão do povo que seria o pesadelo de homens como Thomas Jefferson ou John Locke na sua defesa do máximo poder popular e do mínimo poder estatal possível.

 

Sejam quais forem as intenções de todo este processo, torna-se claro que o aquecimento global é um mero pormenor e que a conferência de Copenhaga era sobre tudo menos sobre as alterações climáticas. De tal forma este processo é inusitado que líderes como Robert Mugabe ou Hugo Chavez terminam bem nesta pitoresca fotografia. Robert Mugabe, através das suas políticas draconianas, foi um bom aluno conseguindo reduzir substancialmente nos últimos anos as emissões de Co2. Igualmente, no fim da conferência, Hugo Chavez, ao querer defender a sua subsistência proveniente do petróleo da Venezuela, terminou a dizer que não queria saber deste acordo porque, na sua essência, este já implica responsabilidades económicas por parte dos países em vias de desenvolvimento.

 

Há inúmeras questões a serem esclarecidas em todo este empreendimento ecológico: o aquecimento global, o climategate, a fraude científica, os dados que revelam que não há uma correlação entre as emissões de Co2 e as alterações climáticas, entre várias outras. Contudo, todas estas questões não merecem importância porque, para os efeitos pretendidos neste processo, o mundo verde é um meio e não um fim.

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 16:37

Dezembro 18 2009

Sou assumidamente uma flor de estufa. Está frio, muito frio. Enquanto vou agradecendo a quem inventou os aquecedores que me vão mantendo operacional, constato que, um pouco por toda a Europa, as temperaturas estão a descer e a neve cai em boa parte do território europeu. No telejornais, proliferam as notícias sobre o Inverno rigoroso e sobre as consequências do mesmo, mas, para minha surpresa, no meio delas está uma tal de conferência de Copenhaga que visa combater o aquecimento global. O aquecimento? Eu não quero cair na falácia da experiência pessoal, mas falarem-me em combater o aquecimento depois de me mostrarem a torre Eiffel coberta de neve e estradas bloqueadas com gelo parece-me gozo. Tal só mostra que esta conferência não foi organizada convenientemente.

 

Para maior credibilidade do fenómeno do aquecimento global, esta devia ter sido organizada num verão quentíssimo no Congo. Escolher a Escandinávia como anfitrião, num inverno horrivelmente frio, não foi manifestamente uma boa escolha para causa verde. Bem sei, o problema é que no Congo as pessoas ainda lutam para comer, para terem boas condições de vida, e causas verdes são luxos de pessoas com a barriga cheia devido aos benefícios da revolução industrial, a mesma que muitas destas pessoas apagariam da história se pudessem.

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 21:13

Dezembro 17 2009

Finalmente tenho alguns dias de férias. Depois de um período sem tempo para mais nada, posso finalmente respirar e actualizar-me em relação à actualidade informativa. Já reparei que o nosso mundo continua igual, isto é: os casos de corrupção governamental continuam, o nosso défice orçamental continua a derrapar até aos limites da insustentabilidade, as reforças liberais necessárias não são feitas, a imprensa portuguesa continua a apresentar o aquecimento global como uma religião inquestionável, e por aí fora. Porém, há algo de novo no horizonte. Já se sabia que o socialismo se gaba do seu progressismo militante, mas agora faz questão de o mostrar na Assembleia da República. Sofia Cabral, deputada do PS, levou um generoso decote para representar o povo em mais uma sessão parlamentar. Nestes momentos, dou por mim a concordar com J. J. Rousseau: de facto, a vontade geral não pode ser representada, visto que o representante nunca representa o povo mas sim ele mesmo. Neste caso concreto, ao nível da sua configuração genética, aquela senhora não representa (infelizmente) uma boa parte das mulheres portuguesas. Rousseau, tinhas razão, só a democracia directa é verdadeiramente democrática.

 

Claro que já se encontram debates acesos sobre a legitimidade do decote da generosa socialista (isto é um pleonasmo, claro, porque todos os socialistas partilham e são generosos). Do lado socialista (no caso do Daniel Oliveira será mais comunista new wave), o decote é excelente e todas as mulheres deviam usar tais decotes em todas as circunstâncias, mesmo que com isso alienem a atenção dos intervenientes masculinos na sua profissão. Do lado da direita monárquica, através do Rodrigo Moita de Deus, a resposta vai no sentido de que se não tivermos qualquer consideração pelo efeito dos nossos actos no contexto em que interagimos, podemos cair no ridículo de se ir para o parlamento de tanga dissertar sobre o défice orçamental de Estado, que, por coincidência, já foi ligado ao facto de o país estar vestido com tal indumentária.

 

Este debate faz-me lembrar um estudo na área da psicologia comportamental a que assisti num documentário da BBC. Este estudo procurava aferir o efeito da imagem dos elementos do sexo oposto nos homens e nas mulheres. Foram colocados vários homens a verem vários telejornais. No primeiro telejornal o apresentador era um homem e no segundo a apresentadora era uma jovem decotada que apresentava índices de fertilidade elevados. Sem surpresa, no final do teste, os homens que tinham visto o telejornal apresentado pelo apresentador masculino sabiam falar sobre as notícias que tinham visto com um bom nível de detalhe. Por outro lado, os que viram o telejornal com a jovem apresentadora destapada, não só não conseguiram dominar os detalhes, como muitos deles nem se lembravam com exactidão dos temas abordados. Os mesmo homens trocaram de posições, viram os telejornais contrários e o efeito foi o mesmo. Já no caso das mulheres, verificou-se que não havia diferença entre o telejornal ser apresentado por um homem ou por uma mulher (decotada ou não), visto que apresentaram o mesmo nível de reconhecimento dos temas e notícias abordadas.

 

Desta forma, voltamos ao clássico problema da universalidade que não consegue ser resolvida, nem ao nível filosófico, nem ao nível prático. Gostamos, dentro de determinados limites, da ideia de igualdade, mas posteriormente, perante situações de “zero sum game”, há quem não resista em puxar a corda para o seu lado até partir. Se todos reagimos de forma diferente aos mesmo estímulos, mas não conseguimos deixar de reagir, então só o bom senso, o compromisso e a aceitação dessas mesmas reacções nos pode ajudar a resolver, ou a mitigar, problemas que não são, de todo, de carácter exclusivamente pessoal. Por outra palavras, eu não posso esperar fazer tudo o que quero em público sem esperar colher consequências desses mesmos actos. A única maneira de tal não acontecer (em teoria) seria ter um Estado que impedisse os humanos de reagir a estímulos, coisa que certamente a extrema esquerda não se importaria, mas que instauraria, mais do que o totalitarismo, o zombismo.

 

Contudo, como não estou no parlamento, como não tenho de ouvir o socialismo da senhora deputada Sofia Cabral, como acho que a ineficiência do parlamento não pode piorar muito mais, só lhe posso agradecer pela sua generosidade. Convenhamos que é de admirar entusiasticamente a primeira socialista que não precisou de roubar a alguém para ser generosa com os outros. Bem haja esta senhora. 

publicado por Filipe Faria às 16:53

Dezembro 13 2009

 

Copenhaga, meu amor- Por Alberto Gonçalves

 

"A última oportunidade

 

Apesar das trafulhices em que a "ciência" do clima tem incorrido, o "consenso" dominante exige que se tomem à letra as respectivas especulações. As especulações variam (há quem aposte na espécie humana engolida por maremotos, tragada pelo chão ou simplesmente dedicada ao canibalismo), mas o Juízo Final é certo. Excepto, garantem-nos, se se passar imediatamente à "acção". A "acção", garantem-nos outra vez, é a única resposta possível ao "aquecimento global". Que o "aquecimento global" seja um risco por provar e, se calhar, literalmente improvável, é mero detalhe: o catastrofismo ambiental prefere a precaução excessiva aos lamentos posteriores, sob o pressuposto de que amanhã pode ser demasiado tarde. Tarde para quê? Na retórica oficiosa, para impedir eventuais tragédias climáticas. Na realidade, para aproveitar o frenesim ainda em vigor. Aqui e ali, sondagens mostram que a crença das populações no "aquecimento global" e sobretudo no papel do homem no dito tende a diminuir. Por este caminho, chegará o dia em que será difícil submeter os cidadãos dos países desenvolvidos ao retrocesso civilizacional que as pantominices do clima pretendem legitimar. Como por aí se diz, a Cimeira de Copenhaga é de facto a última oportunidade não de salvar o planeta mas de destruir o capitalismo, afinal o único objectivo de toda esta história.

 

Copenhaga, meu amor

O maior indício de que a acção do homem não afecta o clima é a própria Cimeira de Copenhaga. Dado que as incontáveis viagens associadas ao evento são responsáveis pela emissão de dezenas de milhares de toneladas de dióxido de carbono, seria absurdo que os participantes causassem deliberadamente tamanho ferimento ao planeta que tanto estimam. Por pouca consideração em que se tenha a sensatez dos delegados, observadores e afins presentes na Cimeira, nenhum é obtuso a ponto de voar até à Dinamarca se acreditar que os aviões prejudicam o ambiente. Manifestamente, 20 mil (contas por baixo) não acreditam.

Significa isto que a Cimeira é inútil? Nem por sombras. Existem verbas desmesuradas a distribuir pelos investigadores, activistas e industriais do ramo, vantagens eleitorais a distribuir pelos políticos e sexo gratuito a distribuir pelos delegados. As duas primeiras benesses são connosco, a terceira é regalia exclusiva de uma associação de prostitutas de Copenhaga, que reagiu assim ao pedido da autarca local para que os ecológicos visitantes evitassem comprar escapadinhas sexuais. Graças à boa vontade da referida associação, a compra tornou-se desnecessária.

A má notícia é que a associação integra apenas 80 senhoras. A boa notícia é que 80 nórdicas devem chegar e sobrar para 20 mil indivíduos habituados a atingir o clímax com filmes de Al Gore e brincadeiras apocalípticas: como se demonstra nas convenções de Star Trek, Star Wars ou lá o que é, fãs de ficção científica e mulheres não combinam."

 

publicado por Filipe Faria às 20:51

Dezembro 12 2009

 

 

publicado por Filipe Faria às 12:04

Dezembro 12 2009

 

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 11:40

Dezembro 08 2009

Anti-Capitalistas

 

“Isn’t the only hope for the planet that the industrialized civilizations collapse? Isn’t it our responsibility to bring that about?”
– Maurice Strong, founder of the UN Environment Programme

 

“The only hope for the world is to make sure there is not another United States. We can’t let other countries have the same number of cars, the amount of industrialization, we have in the US. We have to stop these Third World countries right where they are.”
– Michael Oppenheimer, Environmental Defense Fund

 

“We must make this an insecure and inhospitable place for capitalists and their projects. We must reclaim the roads and plowed land, halt dam construction, tear down existing dams, free shackled rivers and return to wilderness millions of acres of presently settled land.”
– David Foreman, co-founder of Earth First!

 

“The big threat to the planet is people: there are too many, doing too well economically and burning too much oil.”
– Sir James Lovelock, BBC Interview

 

Eugenia

 

“My three main goals would be to reduce human population to about 100 million worldwide, destroy the industrial infrastructure and see wilderness, with it’s full complement of species, returning throughout the world.”
-Dave Foreman, co-founder of Earth First!

 

“A cancer is an uncontrolled multiplication of cells, the population explosion is an uncontrolled multiplication of people.  We must shift our efforts from the treatment of the symptoms to the cutting out of the cancer.  The operation will demand many apparently brutal and heartless decisions.”
– Prof. Paul Ehrlich, The Population Bomb

 

“One America burdens the earth much more than twenty Bangladeshes.  This is a terrible thing to say in order to stabilize world population, we must eliminate 350,000 people per day.  It is a horrible thing to say, but it’s just as bad not to say it.”
– Jacques Cousteau, UNESCO Courier

 

“If I were reincarnated I would wish to be returned to earth as a killer virus to lower human population levels.”
– Prince Philip, Duke of Edinburgh, patron of the World Wildlife Fund

 

“The extinction of the human species may not only be inevitable but a good thing.”
– Christopher Manes, Earth First!

 

“Childbearing should be a punishable crime against society, unless the parents hold a government license.  All potential parents should be required to use contraceptive chemicals, the government issuing antidotes to citizens chosen for childbearing.”
– David Brower, first Executive Director of the Sierra Club

 

A Ciência Dúbia ao Serviço de Intenções Políticas

 

“We need to get some broad based support, to capture the public’s imagination… So we have to offer up scary scenarios, make simplified, dramatic statements and make little mention of any doubts… Each of us has to decide what the right balance is between being effective and being honest.”
– Stephen Schneider, Stanford Professor of Climatology, lead author of many IPCC reports

 

“Unless we announce disasters no one will listen.”
– Sir John Houghton, first chairman of IPCC

 

“It doesn’t matter what is true, it only matters what people believe is true.”
– Paul Watson, co-founder of Greenpeace

 

“We’ve got to ride this global warming issue.  Even if the theory of global warming is wrong, we will be doing the right thing in terms of economic and environmental policy.”
– Timothy Wirth, President of the UN Foundation

 

“No matter if the science of global warming is all phony, climate change provides the greatest opportunity to bring about justice and equality in the world.”
-Christine Stewart, fmr Canadian Minister of the Environment

 

“The climate crisis is not a political issue, it is a moral and spiritual challenge to all of humanity.  It is also our greatest opportunity to lift Global Consciousness to a higher level.”
– Al Gore, accepting the Nobel Peace Prize

 

“The only way to get our society to truly change is to frighten people with the possibility of a catastrophe.”
– emeritus professor Daniel Botkin

 

Governo Mundial, Destruição da Soberania Estatal e dos Princípios Democráticos

 

“In Nature organic growth proceeds according to a Master Plan, a Blueprint.  Such a ‘master plan’ is missing from the process of growth and development of the world system.  Now is the time to draw up a master plan for sustainable growth and world development based on global allocation of all resources and a new global economic system.  Ten or twenty years from today it will probably be too late.”
– Club of Rome, Mankind at the Turning Point

 

“The concept of national sovereignty has been immutable, indeed a sacred principle of international relations.  It is a principle which will yield only slowly and reluctantly to the new imperatives of global environmental cooperation.”
– UN Commission on Global Governance report

 

“Democracy is not a panacea.  It cannot organize everything and it is unaware of its own limits.  These facts must be faced squarely.  Sacrilegious though this may sound, democracy is no longer well suited for the tasks ahead.  The complexity and the technical nature of many of today’s problems do not always allow elected representatives to make competent decisions at the right time.”
– Club of Rome, The First Global Revolution

 

Ambientalistas Melancias (verdes por fora mas VERMELHOS por dentro)

 

“A keen and anxious awareness is evolving to suggest that fundamental changes will have to take place in the world order and its power structures, in the distribution of wealth and income.”
– Club of Rome, Mankind at the Turning Point

 

 

 

 

(Citações retiradas daqui)

publicado por Filipe Faria às 13:12

Política, Filosofia, Ciência e Observações Descategorizadas
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