O REPLICADOR

Setembro 29 2009

No dia 27 de Setembro de 2009, duas eleições legislativas decorreram sensivelmente ao mesmo tempo. Torna-se assim importante comparar os resultados obtidos, mas mais importante ainda para a política nacional é comparar a composição partidária dos dois países em causa: Portugal e Alemanha.

 

Sem surpreender, na Alemanha a direita ganhou. Em Portugal a esquerda ganhou (nada de anormal nesta sucursal socialista banhada pelo atlântico). Na Alemanha, os conservadores democratas-cristãos (CDU) vão constituir governo com o partido liberal (FDP), numa coligação que permitirá produzir reformas em prol de uma economia mais liberal. Em Portugal continuamos a votar no investimento público, no endividamento do país, na estatização e nos impostos sanguinários, não só para esta geração mas também para as vindouras (sem “opt out”). Na Alemanha, há um verdadeiro partido conservador (CDU) que gosta da liberdade económica, que não perde a possibilidade de se coligar com os liberais (FDP) e que não se coíbe de mandar “à fava” os sociais democratas que estiveram com eles no último governo. Em Portugal, o único partido conservador/democrata-cristão que temos (CDS/PP) não tem mais de 10% dos votos (e já foi uma festa por os conseguir). De resto, no poder, tem dois partidos de matriz social democrata: o PS e o PSD. A pluralidade ideológica alemã tem o seu contraponto no cartelismo social-democrata português. Torna-se então pertinente perguntar: onde está a representação governamental do pensamento conservador e liberal em Portugal?

 

Não é preciso dizer que em terras lusitanas não há um partido liberal clássico e que devia haver. Mas pior do que não haver um partido liberal clássico é não existir sequer, como partido de poder, um partido conservador que, tal como manda o conservadorismo burkeano, defenda a sociedade contra o estado, o mercado contra a prepotência estatal, proteja a propriedade privada em toda a sua extensão assim como a manutenção do direito natural, e que considere que a defesa da tradição não passa apenas por ser pró-família ou anti-aborto mas que também passa por defender a ordem natural da sociedade. Regra geral, todos os países europeus têm o seu partido conservador que é a alternativa de poder, mas Portugal não tem. O ónus deste fenómeno tem um nome: Partido Social Democrata.

 

O PSD é o principal responsável pela ausência de real representação de direita em Portugal. Em larga medida, é um objecto parasitário que aceitou de bom grado um sistema político delineado pelo PS no pós 25 de Abril. O PSD aceita que a voz popular diga que é um partido de direita apesar de ser um partido Social Democrata (tal como indica o nome), sabendo-se que a social democracia é representada à esquerda em qualquer país europeu. Já se sabe que Sá Carneiro falava em instaurar o Socialismo Democrático, mas não precisamos de ir tão longe: há alguns dias, o próprio Marques Mendes disse que o PSD não é um partido de direita mas sim de centro (porque não pode dizer esquerda, sabendo-se que esse espaço está já ocupado). Mesmo a chamada ala mais conservadora do partido encabeçada por Manuela Ferreira Leite é apenas conservadora nos valores sociais, porque na economia é social democrata, ou seja, de esquerda. E para os que dizem que ser conservador nos valores sociais basta para se ser de direita, então podem votar no PS ou no MEP, porque o que não falta por lá são elementos da esquerda católica conservadora. Esses elementos, por si só, não colocam ninguém na direita. Acredito ainda que se Portugal tivesse um partido liberal como têm os alemães, o PSD teria mais afinidades (e faria mais coligações) com o PS do que com um partido liberal, porque, e como já demonstrou ao longo dos anos, o PSD não tem uma genética que enfatize a liberdade económica.

 

Actualmente, porque os eleitores se querem sentir representados no governo, o PSD capta a maioria dos votos de direita sem ser de direita, deitando por terra qualquer possibilidade de combater a hegemonia portuguesa de esquerda, não só no âmbito partidário mas também no âmbito ideológico. Tal como o André Azevedo Alves deixou escrito, o que o enfraquecimento do PSD pode trazer de bom é a sua implosão. Só assim poderá existir um reordenamento à direita de forma a que esta possa existir com um discurso claro, abrindo alas para uma verdadeira representação institucional liberal e conservadora.

 

O PSD foi o grande derrotado das eleições de 27 de Setembro porque não é verdadeira alternativa. É apenas a cópia do PS com uma maquilhagem diferente. Apesar de tudo, as pessoas sabem reconhecer o original, e preferem-no.

 

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 22:14

Setembro 26 2009

A lista dos 100 melhores livros de não-ficção organizada pela revista americana National Review.

Um excelente guia literário para todos os que não se revêem em ideias socialistas, mas também para os que se revêem...

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 20:23

Setembro 23 2009

Your free market is perfectly natural,

Or do you think that I’m some kind of dummy,

It’s the ideal way to order the world,

Fuck the morals, does it make any money? *

 

Jarvis Cocker

 

A ironia do vocalista dos Pulp é usada ao serviço da luta anti-liberal/anti-mercado. Não deixa de ser igualmente irónico que Jarvis pertence ao país europeu que mais música pop produz e que cuja estrutura liberal mais oportunidades dá aos artistas para que possam usar a sua criatividade como forma de sustentação financeira e de ascensão social.

 

O que ele parece ignorar nesta reivindicação é que a tal “moral” que diz que o mundo esquece é uma moral pluralista que, não só não gera consenso, como não é compatível com as diversas sensibilidades humanas. Já o dinheiro, com a sua conotação vil, é um mediador neutro: vale o mesmo para todos e cada um coloca a sua individualidade no significado que lhe quer dar. Esse significado traduz-se em escolhas e estilos de vida pessoais. Tentemos trocar morais entre nós e obteremos discórdia; tentemos trocar dinheiro e, dentro dos limites do “vive e deixa viver”, obteremos a possibilidade de colocar a nossa moral individual nos resultados obtidos.

 

 

 

 

 

* Cunts are still running the world

 

publicado por Filipe Faria às 20:21

Setembro 21 2009

 

 

"Accountable": palavra ainda por traduzir para português.

publicado por Filipe Faria às 22:04

Setembro 20 2009

Astuta como sempre, a Andreia comentou o post “A Razão de “Lord of the Flies” levantando uma questão pertinente: se o móbil do ser humano não é a racionalidade e este acaba sempre por trazer ao de cima o “animal” que há dentro dele, como é que eu posso (solitariamente) defender o liberalismo e a escolha do indivíduo nas conversas das esplanada da FCSH? Por outras palavras: se o ser humano tem um “mau selvagem” dentro dele, há outro remédio senão ter o Leviathan hobbesiano a impedir, através da coerção, que ele transgrida as regras de civilidade? Estas perguntas indicam a sugestão de que quem tem uma visão menos idílica da Razão humana deve logicamente optar por uma ideologia conservadora de autoritarismo e ordem onde o governante controla todos os comportamentos irracionais/animalescos do Homem. Defender o liberalismo faz assim pouco sentido.

 

Sento-me na cadeira (geralmente suja) da esplanada, tento fugir ao sol e tento lembrar-me de tudo o que já li sobre o assunto. Chego à conclusão que é melhor usar o improviso porque a Razão está inibida pela minha fraca memória. É este o problema da Razão: há sempre algo que falha pelo caminho até se chegar até ela (mesmo que Kant, numa atitude de “motivational coaching”, nos “prometa” que um dia chegamos lá).

 

Ora, comecemos então. Os liberais clássicos advogam um mercado livre fundado na assunção de que os indivíduos são racionais, auto interessados e metódicos na persecução dos seus objectivos. Assim sendo, quem não acredita na Razão pode ser um liberal clássico? Pode. Porque este indivíduo racional de que se fala usa essencialmente a tal razão de David Hume (que consiste em ser apenas um meio para atingir os fins das emoções e dos desígnios dos sentimentos de cada um). Neste caso, o indivíduo ser racional não significa necessariamente que ele seja movido por interesses racionais, significa apenas ele usa a racionalidade para os seus fins pessoais. O mercado funciona não porque as pessoas desejam racionalmente tornar a sociedade mais rica mas porque através do seu auto interesse vão trocar bens e serviços entre si de forma a maximizarem as suas pretensões. Como resultado, por vias deste processo, a sociedade gera riqueza para todos os intervenientes. A soma de todas estas trocas é a essência da “mão invisível” de Adam Smith, que representa, tal como disse Milton Friedman: "the possibility of cooperation without coercion."

 

E é precisamente a possibilidade de cooperação sem coerção que faz com que um Leviathan que tudo controla seja em grande parte desnecessário. Porém, o principal objectivo do Leviathan hobbesiano é manter a paz e a ordem, visto que se constatou que os humanos facilmente cometem atropelos às liberdades dos outros e como tal precisamos de um regulador que puna esses atropelos. Nesta fase encontramos a principal questão: o que deve o governante regular? Segundo John Locke (cuja filosofia está na base do liberalismo clássico), as pessoas chegam à conclusão que precisam de um contrato social criador de um soberano que proteja os indivíduos dos atropelos selvagens do estado de natureza. Neste ponto Locke concorda com Hobbes. Contudo, este soberano deve apenas regular a propriedade privada, o que inclui, não só os bens materiais de cada indivíduo, mas também a sua integridade física e os frutos do seu trabalho. O mercado não pode funcionar se eu puder entrar num stand de automóveis e sair de lá com um carro sem o pagar. A mesma coisa para a integridade física: é difícil usufruir das vantagens do mercado se alguém me matar entretanto. Desta forma, um liberal clássico advoga geralmente um estado mínimo com funções protectoras, mas também com checks and balances que impeçam o abuso de poder e que permitam destituir o governante quando este envereda por caminhos que levam à tirania e ao incumprimento das suas funções previamente acordadas. Se essas funções forem estendidas a outros campos podemos cair estado paternalista (para usar a expressão de Tocqueville) ou até no totalitarismo governamental que a extrema protecção do Leviathan propicia. Por outro lado, é preciso realçar que o liberalismo não termina no atomismo. Particularmente, fomenta o associativismo livre onde cada um pode entrar e sair de uma associação livremente mediante a sua vontade (No “Lord of the Flies “ os pais e amigos do Piggy iriam associar-se para o proteger).

 

Desconfiar da bondade racional da natureza humana faz parte da noção liberal da aversão à concentração de poder numa só entidade. Temos boas razões para acreditar que os homens que desejam ter todo o poder na mão para controlarem a população são normalmente homens com características que os pré-dispõem a passar por cima das liberdades dos outros para atingirem determinados desígnios sociais construtivistas (este argumento está bem desenvolvido em “The Road To Serfom” de Friedrich Hayek).

 

E sim, para responder à pergunta da Andreia sobre o comportamento do homem e a influência genética: acredito que as diferenças de personalidade dos homens e mulheres são fortemente influenciadas pelos genes. Não será lógico achar que a tendência para a agressividade, para a timidez, para a extroversão, para a liderança, ou para outras, provém apenas da socialização. Parafraseando o Steven Pinker: todos aqueles que têm mais do que um filho sabem que eles têm temperamentos diferentes desde muito cedo apesar de terem a mesma educação e contexto social. Se algumas destas características forem consideradas “selvagens”, tal apenas significa que encontramos uma categoria social para as encaixar, fazendo com que cada um de nós seja designado de mais ou menos selvagem consoante as nossas características.

 

Em suma, apesar de acreditar que o mercado é a melhor forma de criar e distribuir riqueza, um liberal clássico não coloca o foco central na igualdade material mas sim na igualdade perante a lei. E a lei existe porque vivemos na cidade dos homens e não na cidade de deus.

 

 Podemos levar a questão da associação mais longe e perguntar se a existência do Estado faz sentido e se não estaríamos melhor com pequenas organizações voluntárias postuladas por Murray Rothbard e pela sua corrente anarco-capitalista. Ao fim ao cabo os Estados são organizações armadas sem nenhum Leviathan superior (ONU??) a mandar deles e o mundo continua. Mas isso seria feito noutra sessão de esplanada porque toda a gente já abandonou a nossa mesa e ficámos só nós os dois. Ademais, temo que a Andreia já tenha adormecido...

 

 

publicado por Filipe Faria às 03:32

Setembro 18 2009

 O livro “Lord of the Flies” de William Golding é um clássico da literatura que sempre me fascinou. Documenta a vivência de um grupo de rapazes de bons colégios ingleses que são obrigados a viver numa ilha deserta devido ao despenhamento do avião onde viajavam. Sem adultos na ilha, eles são obrigados a organizarem-se para sobreviverem durante a estadia. Apesar da sua boa educação em Inglaterra, rapidamente perdem a civilidade, e a estadia transforma-se numa luta selvagem por poder e domínio estratégico onde acabam a matar-se por esses fins. Em suma, estes rapazes chegam como “gentlemen” mas terminam como selvagens.

 

 

Assim sendo, trata-se de um tratado da natureza humana não assumido. Lança ainda por terra 2 correntes de pensamento ainda bastante presentes na actualidade:

 

- A do “Bom Selvagem” de Rousseau (onde o homem nasce bom mas a sociedade e as suas desigualdades tornam-no mau) 

 

- A da “Tábua Rasa” (onde se acredita que o homem nasce sem pré-disposições inatas para nada e onde a educação/socialização o constrói por completo).

 

Naturalmente, nem os rapazes eram bons por natureza, nem a alta educação que receberam em Inglaterra impediu que estes se comportassem como selvagens. Toda a narrativa está repleta de alegorias neste sentido.

 

A alegoria que considero mais representativa é a que contempla a personagem Piggy:

 

Piggy era um rapaz obeso, com asma e com problemas de visão que o obrigavam a usar óculos, mas, por outro lado, era também inteligente, racional e civilizado. Ele acaba morto pelos actos selvagens dos outros rapazes enquanto tenta, de forma eloquente, mostrar as vantagens da ordem e da razão. Esta personagem representa a civilização que crê cegamente na Razão recusando-se a olhar para a natureza humana. Desta forma, ele tentou superar as suas insuficiências através da racionalidade argumentativa sem contar com a superioridade física de sobrevivência dos outros elementos. Esqueceu-se que a Razão é parte do homem, não é o homem. Já David Hume defendia que esta é um meio ao serviço das emoções. Em última instância, são os sentimentos que ditam os objectivos humanos.

 

E Piggy não era, como é óbvio, o verdadeiro nome do rapaz. O verdadeiro nome dele ninguém sabe qual é...

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 00:00

Setembro 15 2009

No seu programa, o Bloco de Esquerda propõe o fim dos benefícios fiscais para os Planos de Poupança e Reforma (PPR). A principal justificação para esta proposta prende-se com o célebre refrão popularizado pela extrema esquerda de que tudo deve pertencer ao Estado, inclusivamente (e principalmente) o monopólio das decisões individuais.

 

Daniel Oliveira, um dos seus múltiplos “mandatários” jornalísticos, alega que as vantagens fiscais oferecidas a quem quer poupar para fins pessoais é uma afronta a esse totalitarismo. E porquê? Porque, diz ele, o dinheiro que devia ir para o Estado deixa de o fazer e fica na mão dos cidadãos (ultraje dos ultrajes). Desta forma sobra menos dinheiro para o mítico estado social que dizem querer que seja universal, gratuito e de grande qualidade. 

 

O que não é dito é que a esmagadora maioria das pessoas que fazem PPR’s é da classe média e agradecem o facto de, dada a elevadíssima carga fiscal actual, o Estado ainda lhes dar alguma oportunidade para decidir o que fazer com os frutos do seu trabalho, tornando assim possível o que, actualmente, já é muito complicado conseguir: poupar depois de pagar todos os impostos.

 

Que o bloco de esquerda tem raízes totalitárias e que despreza a liberdade de escolha já todos os que estão minimamente informados sabiam. O que se revela paradoxal é que um partido comandado por um economista iminente mostre um profundo desprezo por premissas elementares de uma economia de mercado. Bem sei, eles não querem uma economia de mercado: pretendem sim uma economia planificada inspirada no modelo soviético e retocada com cores trotskistas, maoistas e circenses.

 

 Apesar de tudo, devia haver mínimos de realismo político; porém, no BE, não se encontram vestígios ideológicos dessa ordem: Francisco Louçã e companhia advogam que a poupança é irrelevante para o crescimento económico e que os cidadãos podem e devem entregar todo o seu dinheiro ao Estado para que este último decida o que é melhor para eles. Por ignorância (o que é pouco verosímil) ou por pura manipulação eleitoral, estes omitem que a poupança é tão importante ou mais do que o consumo para o processo da criação de riqueza numa sociedade a médio/longo prazo. Uma economia onde os cidadãos não podem poupar é uma economia sem capacidade de investimento. Como é fácil de calcular, sem o risco privado e essa mesma capacidade não é possível gerar produtividade económica.

 

 O Estado não tem, nem consegue ter, instrumentos para criar riqueza. Por conseguinte, o que este pode fazer é criar condições para que os cidadãos a criem. Esta evidência é aceite até pela chamada “Esquerda Moderada” que prefere agora deixar os privados gerarem riqueza para depois taxar fortemente os rendimentos daí resultantes. Por outras palavras, a “Esquerda Moderada” aproveita-se das mais valias do capitalismo e coloca-as ao serviço dos seus intentos, visto que, em larga medida, já abandonou a ideia utópica de que o Estado podia substituir o indivíduo no processo económico e obter bons resultados. Contudo, não deixa de sufocar os agentes económicos. Estes últimos irão progressivamente questionar-se se vale de facto a pena investir, inovar e trabalhar para alimentar os desígnios estatais. O desincentivo ao empreendedorismo é intenso e vai paulatinamente afastando a motivação para investir, com consequências que geram o empobrecimento geral e a falta de oportunidades.

 

Por seu lado, mostrando uma alienação não encontrada nem na Alice no país das maravilhas, o Bloco de Esquerda é de um radicalismo atroz, e, quanto mais se mostra, mais o revela. Este ataque à poupança dos cidadãos vem rotulado de invariável boa intenção: uma protecção social idílica, bem sei; todavia, a defesa do estado providência de qualidade depende da riqueza criada pelos indivíduos. Logicamente, sem um bom rendimento dos cidadãos como fonte de financiamento do estado social será impossível financiar esse sistema de segurança social e pedir qualidade ao mesmo tempo. Da mesma forma, sem um espírito empreendedor, sem liberdade de acção e sem poupança não é possível gerar prosperidade económica. O Bloco de Esquerda abomina as primeiras duas por princípio. A terceira tentou atacar com esta medida concreta contra os PPR. Este rumo levar-nos-ia para um estado, e não apenas o social, de carácter terceiro mundista.

 

Quando se torna concreto, o BE não consegue esconder o que é: uma ameaça, não só para a qualidade de vida, mas também  para a democracia e para as liberdades.

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 20:52

Setembro 12 2009

Se me perguntassem qual é o meu maior defeito não saberia responder. Com grande probabilidade, os defeitos são como os genes: os seus efeitos estão interligados, sendo impossível cair em determinismos. No entanto, a resposta parece ser mais simples do que dá a entender. Segundo parece, quase toda a gente acha que o seu maior defeito é ser teimoso. Sempre que vejo alguém a responder à pergunta “qual é o seu maior defeito?” a resposta é invariavelmente “sou teimoso”. Mas porquê a teimosia? Será que, de todos os defeitos humanos, esse foi o que o Criador distribuiu de forma mais equitativa? É pouco provável, nunca concebi o senhor com desígnios socialistas de igualdade material.

 

Independentemente da sua posição política, o que “Deus” distribuiu de forma equitativa foi uma vontade indomável para o indivíduo cuidar do seu ego. Dizer que o seu maior defeito é a teimosia é, em larga medida, uma forma de auto-elogio. Certamente que ninguém gostaria de dizer que o seu maior defeito é ser hipócrita, mentiroso, traidor ou qualquer outra característica que colocasse em causa a sua credibilidade social. Desta forma, o epíteto de “teimoso” surge como um defeito benigno que está ligado a uma característica positiva que é a persistência. Teimosia e persistência são a mesma entidade analisada sob perspectivas diametralmente opostas, mas que geram ambiguidade suficientes para não condenar ninguém ao ostracismo social; por fim, até sugere uma característica positiva à espreita.

 

Ao ver entrevistas de carácter “pessoal” e “intimista” com alguns políticos nacionais, constato que seguem a mesma regra popular dizendo que o seu pior defeito é serem teimosos. O pior defeito observável neste tipo de resposta é a ausência de criatividade. Algo que é sintomático da falta de ideias no discurso político oficial onde se discutem pormenores episódicos através de antagonismos pessoais e onde qualquer visão futura de sociedade é, por norma, inexistente ou mascarada.

 

Ao nível nacional, porque se convencionou que esta é a melhor forma de conseguir votos, há na política contemporânea uma teimosia patente na manutenção de um vazio discursivo e ideológico. Ou talvez deva dizer persistência...

 

 

publicado por Filipe Faria às 20:46

Setembro 12 2009

 

 

It's coming through a hole in the air,
from those nights in Tiananmen Square.
It's coming from the feel
that this ain't exactly real,
or it's real, but it ain't exactly there.
From the wars against disorder,
from the sirens night and day,
from the fires of the homeless,
from the ashes of the gay:
Democracy is coming to the U.S.A.
It's coming through a crack in the wall;
on a visionary flood of alcohol;
from the staggering account
of the Sermon on the Mount
which I don't pretend to understand at all.
It's coming from the silence
on the dock of the bay,
from the brave, the bold, the battered
heart of Chevrolet:
Democracy is coming to the U.S.A.
It's coming from the sorrow in the street,
the holy places where the races meet;
from the homicidal bitchin'
that goes down in every kitchen
to determine who will serve and who will eat.
From the wells of disappointment
where the women kneel to pray
for the grace of God in the desert here
and the desert far away:
Democracy is coming to the U.S.A.
Sail on, sail on
O mighty Ship of State!
To the Shores of Need
Past the Reefs of Greed
Through the Squalls of Hate
Sail on, sail on, sail on, sail on.
It's coming to America first,
the cradle of the best and of the worst.
It's here they got the range
and the machinery for change
and it's here they got the spiritual thirst.
It's here the family's broken
and it's here the lonely say
that the heart has got to open
in a fundamental way:
Democracy is coming to the U.S.A.
It's coming from the women and the men.
O baby, we'll be making love again.
We'll be going down so deep
the river's going to weep,
and the mountain's going to shout Amen!
It's coming like the tidal flood
beneath the lunar sway,
imperial, mysterious,
in amorous array:
Democracy is coming to the U.S.A.
Sail on, sail on ...
I'm sentimental, if you know what I mean
I love the country but I can't stand the scene.
And I'm neither left or right
I'm just staying home tonight,
getting lost in that hopeless little screen.
But I'm stubborn as those garbage bags
that Time cannot decay,
I'm junk but I'm still holding up this little wild bouquet:
Democracy is coming to the U.S.A.


Leonard Cohen DEMOCRACY

publicado por Filipe Faria às 03:07
Tags:

Setembro 08 2009

No seu livro clássico “The Road to Serfdom”, Friedrich Hayek mostra como o socialismo, apesar da sua filosofia internacionalista, é apenas e só nacionalista. Por outras palavras, o socialismo só é praticável num grupo limitado de pessoas e tem como premissa a aceitação da visão socialista por parte de toda a sociedade, esmagando assim qualquer tentativa de dissidência de eventuais elementos que vivam nesse grupo e que possam não concordar com a moral vigente. Embora se baseie na moral humanista, o socialismo só em teoria se preocupa com o estrangeiro, na prática (como se observou na Alemanha pré- nacional-socialismo e na Rússia comunista) este é violentamente nacionalista.

 

É relativamente fácil aferir esta ideia “auto-evidente”: qual o político socialista com ambições de poder que contempla uma redistribuição de riqueza equitativa por todos os povos do mundo? Nenhum. O que revela que não é uma moral humanitária igualitarista que move a acção socialista, mas sim uma vontade de poder que se manifesta através da promoção do pensamento único numa tribo geograficamente localizada. Tal como Hayek deixou escrito: “Todos eles consideram que o capital pertence à nação e não à humanidade... aquilo que os socialistas proclamam como deveres perante os membros de outros estados não estão eles preparados para conceder ao estrangeiro”.

 

Na prática, alguém imagina líderes da esquerda portuguesa como José Sócrates, ou outros mais utópicos como Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, a defenderem que não só os ricos precisam de entregar o seu dinheiro aos mais pobres, como também os mais pobres em Portugal devem entregar o seu dinheiro àqueles que, no resto do mundo, são ainda mais pobres do que eles? Certamente que não. Não só é uma ideia que carece de exequibilidade como faria com que não tivessem apoios (votos) de qualquer classe social, das mais altas até às mais baixas. Desta feita, qualquer moralismo igualitário internacionalista como fim a atingir é deitado por terra.

 

Tornou-se comum ouvir vozes da esquerda a proporem ajudas aos estrangeiros mais desfavorecidos. Paradoxalmente, essas mesmas vozes defendem medidas proteccionistas para proteger os trabalhadores nacionais contra o comércio internacional, impedindo assim a criação de riqueza em países mais pobres que desejam vender os seus produtos. A consequência é lógica: o que o socialismo propõe é, invariavelmente, uma política de esmola e não de auto suficiência. Este quer dar um ou outro peixe sem nunca ensinar a pescar. Por muito que custe a muita gente da esquerda, foi o liberalismo que retirou milhões de habitantes da pobreza através do comércio internacional, e quanto mais fechadas forem as economias mais pobreza existirá, mais esmolas existirão, e, para a felicidade de muitos, mais socialismo existirá.

 

 

 

publicado por Filipe Faria às 20:40

Setembro 06 2009

O seguinte excerto foi retirado da caixa de comentários do post "A Escola como Infantário":

 

"Há 40 anos, Adérito Sousa Nunes descrevia Portugal como uma "sociedade dualista", nomeadamente para caracterizar a separação entre o fosso tradicional que existe entre a maioria dos portugueses da modernidade da pequena minoria privilegiada. Hoje, muita coisa não mudou..."
Corina

 

Se antes essa minoria privilegiada era aquela que podia ir à escola, hoje essa minoria é aquela que tem dinheiro suficiente para não precisar de frequentar a educação facilitista portuguesa. Numa sociedade onde a educação já não interessa porque o mérito e a exigência acabaram, só resta o poder do dinheiro (de quem já o tem) para vingar socialmente.

 

Como é costume, os efeitos das medidas socialistas têm um resultado perverso porque ignoram constantemente uma premissa muito básica: quando se busca a igualdade sem olhar a meios destrói-se qualquer possibilidade de liberdade.

 

publicado por Filipe Faria às 04:04

Setembro 03 2009

Olá, eu sou o João Rodrigo e fui convidado para animar o dia aos leitores deste fantástico blog. Vou rapidamente tentar falar um pouco de mim, expor as razões para vir aqui escrever e no final concretizar a tarefa a que me comprometi.


Eu sou mais um degenerado da linha de Sintra, de locais que não pertencem ao panorama turístico, aspecto que me deu já em tenra idade a sensação de que algo estaria mal ou poderia ser melhorado. Apesar disso o meu interesse na política nasceu apenas há meia dúzia de anos, fruto do trabalho de outro dos autores do Replicador. Já publico artigos no meu blog pessoal, intermitentemente activo, desde 2006. Acabo por escrever um pouco como falo, em tom informal e falar como penso, de uma forma imaginativa, talvez por vezes fantasiosa. Aqueles que seguirem as minhas “criações” rapidamente se aperceberão dos tiques.


Porque aceitei o convite para escrever aqui? Porque sou fã deste espaço, fã dos escritores que o compõem e quero contribuir, para uma escrita política que possa ser aberta, com humor mas que também possa estar recheada de factos e verdades. Nem tudo tem que ser rígido e solene e não pode ser somente palavreado incoerente por alguém sob o efeito de psicotrópicos.


E sem mais demoras, o resto seria palha, eis as minhas considerações do dia:


Não sei o que se passou mas parece que o debate entre o Francisco Louçã e o Jerónimo de Sousa na campanha para as legislativas foi cancelado. Em vez disso deram uns quantos excertos do senhor dos anéis, vá-se perceber a razão por detrás disso.
… e os actores eram fraquitos…


Fazendo um curto apanhado, qual é a quantidade de energia espiritual que se utiliza no feitiço “criar empregos”? Falou-se muito no assunto mas provavelmente precisam de sacrificar uma cabra ou algo parecido, já que nunca assistimos aos dois magos da assembleia a produzir tais resultados. Algo que também não se viu foi o sr. engenheiro na quarta cadeira do estúdio, mas não se enganem, ele estava definitivamente lá, pelo menos em espírito! Até porque os xamãs da corte estavam tão voltados para lhe fazerem frente que se esqueceram que eram os convidados principais do programa. Não estão habituados a isso talvez. Outra coisa que gostei muito foi das partes amorosas, eu sei que o senhor dos anéis é um filme primariamente para ver criaturas semi-desfiguradas a fazerem dos inimigos filtros de café mas há que apreciar um pouco de romance naquela mesa tão sensual. Só espero que tenham usado protecção, já temos muitos filhos vermelhos e com uma mãe como o Louçã e um pai como o Jerónimo, aquele rebento terá uma infância pouco feliz.


“Pai, eu tenho um amigo que tem uma playstation nova, ele não ma devia dar?”


Pois claro que devia, como se sabe as crianças de 5 anos estão desempregadas e como tal precisam de playstations e outras comodidades que apenas rendimentos mínimos escabrosos lhes podem proporcionar!

publicado por João Rodrigo às 23:22

Setembro 03 2009

José Sócrates terminou o debate de ontem com Paulo Portas a olhar directamente para a câmara e a insinuar, tal como um pai da nação, que ia providenciar o 12º ano a todos os jovens. Nas entrelinhas estava escrito “independentemente de estarem instruídos ou não”.

 

Este primeiro ministro considera que a escola é simplesmente uma instituição de inclusão e não uma instituição de mobilidade social. A escola tem, de facto, uma função inclusiva, mas não é a única função da escola: esta serve igualmente como factor de mobilidade social para os elementos mais desfavorecidos da sociedade que precisam de uma escola meritocrática para poderem ter uma oportunidade de se destacar e assim atingirem melhores condições de vida. No modelo facilitista que é proposto pelos socialistas, a escola passa a ser uma espécie de infantário onde os pais depositam os filhos para os irem buscar depois dos 18 anos. Os filhos irão continuar exactamente como estavam na hora da entrada, apenas mais velhos e sem terem tido oportunidades de mostrar as suas capacidades. Não nos devemos admirar, em Portugal a esquerda anda há muito tempo a tentar transformar o país num grande infantário onde o estado paternalista paga o jardim de infância mas não dá oportunidades a ninguém.

 

Já que a política económica do PSD em pouco se distingue da do PS, seria interessante que o PSD mostrasse alguma diferença em relação aos socialistas na forma como olha para a educação, para as oportunidades e para o mérito. Algo que iremos descobrir em breve se Manuela Ferreira Leite constituir governo.

 

 

publicado por Filipe Faria às 02:07

Setembro 01 2009

Taxes are complicated… So, tell them in terms they might understand,like beer drinking. Suppose that every day, ten men go out for beer and the bill for all ten comes to $100. If they paid their bill the way we pay our taxes, it would go something like this:

 

The first four men (the poorest) would pay nothing.

The fifth would pay $1.

The sixth would pay $3.

The seventh would pay $7.

The eighth would pay $12.

The ninth would pay $18.

The tenth man (the richest) would pay $59.

 

So, that’s what they decided to do. The ten men drank in the bar every day and seemed quite happy with the arrangement, until one day, the owner threw them a curve. ’Since you are all such good customers, he said, ‘I’m going to reduce the cost of your daily beer by $20.

 

Drinks for the ten now cost just $80.

 

The group still wanted to pay their bill the way we pay our taxes so the first four men were unaffected. They would still drink for free. But what about the other six men – the paying customers? How could they divide the $20 windfall so that everyone would get his ‘fair share?’ They realized that $20 divided by six is $3.33. But if they subtracted that from everybody’s share, then the fifth man and the sixth man would each end up being paid to drink his beer. So, the bar owner suggested that it would be fair to reduce each man’s bill by roughly the same amount, and he proceeded to work out the amounts each should pay. And so:

 

The fifth man, like the first four, now paid nothing (100% savings).

The sixth now paid $2 instead of $3 (33% savings).

The seventh now pay $5 instead of $7 (28% savings).

The eighth now paid $9 instead of $12 (25% savings).

The ninth now paid $14 instead of $18 (22% savings).

The tenth now paid $49 instead of $59 (16% savings).

 

Each of the six was better off than before. And the first four continued to drink for free. But once outside the restaurant, the men began to compare their savings.

 

‘I only got a dollar out of the $20,’declared the sixth man. He pointed to the tenth man,’ but he got $10!’ ‘Yeah, that’s right,’ exclaimed the fifth man. ‘I only saved a dollar, too. It’s unfair that he got ten times more than I!’ ‘That’s true!!’ shouted the seventh man. ‘Why should he get $10 back when I got only two? The wealthy get all the breaks!’ Wait a minute,’ yelled the first four men in unison. ‘We didn’t get anything at all. The system exploits the poor!’

 

The nine men surrounded the tenth and beat him up. The next night the tenth man didn’t show up for drinks, so the nine sat down and had beers without him. But when it came time to pay the bill, they discovered something important. They didn’t have enough money between all of them for even half of the bill! And that, boys and girls, journalists and college professors, is how our tax system works. The people who pay the highest taxes get the most benefit from a tax reduction. Tax them too much, attack them for being wealthy, and they just may not show up anymore. In fact, they might start drinking overseas where the atmosphere is somewhat friendlier.

 

Encontrado aqui.

publicado por Filipe Faria às 17:18

Política, Filosofia, Ciência e Observações Descategorizadas
Facebook
pesquisar
 
RSS
eXTReMe Tracker