O REPLICADOR

Julho 31 2009

 

“If It be your will”: canção de Leonard Cohen interpretada pelo único elemento de qualidade (estético e não só) que eu não esperava do concerto: as Webb Sisters.

Depois do concerto memorável de ontem solidifiquei a minha já pré-existente ideia de que nenhuma referência musical é mais significante para mim do que o Leonard Cohen. Ele deixou escrito numa canção “I was the little jew who wrote the bible”. Não sei se tal é verdade, mas já me sinto confortável o suficiente para escrever sobre Leonard Cohen: “He is the little jew who wrote my bible”.

publicado por Filipe Faria às 15:38
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Julho 29 2009

O estudo do académico Ricardo Reis vem revelar o que todos já sabiam: que não há diferença substancial entre PSD e PS no que diz respeito à efectivação de políticas. Mas o estudo revela algo ainda mais curioso: o PSD, quando está no governo, faz com que o estado cresça 0.35% ao ano, enquanto que o PS o faz crescer a 0.25% ao ano. Quem gastou mais ou quem gastou menos parece-me irrelevante, o que me parece de extrema importância é o facto de que a tendência vigente é de aumentar o peso do estado (e consequente consumo da riqueza nacional produzida), seja qual for o partido do arco de governação que esteja no poder. Para onde caminhamos? Para um estado que consome 100% da riqueza produzida pelos cidadão? Para uma economia absolutamente planificada ao estilo neo-comunista? Estas perguntas podem parecer exageradas, mas se perguntarem a 21% da população portuguesa que vota na extrema esquerda, talvez não o sejam de todo.

Alguns ainda ficam surpreendidos por o partido que supostamente é de direita (o Partido Social Democrata) não ter uma atitude minimamente liberal em relação à forma como lida com a política. O partido principal dito de direita teria necessariamente de se destacar do partido de esquerda através da defesa de um estado tendencialmente mais pequeno que delegaria responsabilidades para a sociedade civil. Isso não acontece, o PSD aumenta o estado tanto ou mais que o PS (como revela este estudo). Mas porque é que isto ainda surpreende? Não há razões para tal.

Primeiramente, nenhum partido europeu que se auto-denomina Social Democrata é de direita. Todos os partidos sociais democratas europeus são partidos de centro esquerda. A social democracia é, por definição, uma ideologia de esquerda. No resto da Europa a direita é representada por conservadores, democratas cristãos ou até liberais, mas nunca por sociais democratas. Portugal apresenta este contra-senso ideológico de ter 2 partidos de centro esquerda a disputar o poder político.

Em segundo lugar, Sá Carneiro, o próprio ícone da direita portuguesa que está na origem do que é hoje o PSD, proferiu publicamente que estava na política partidária para instaurar em Portugal o “socialismo democrático.” Ora, para instaurar o socialismo democrático em Portugal já temos o Partido Socialista, não precisamos de outro partido para fazer o mesmo. Do que realmente precisamos é de um verdadeiro partido de direita que defenda as liberdades da sociedade civil contra o aumento do peso do estado. Infelizmente,  não é isto que temos.

O PSD, apesar de alguns chavões um pouco mais liberais no seu discurso, joga com as mesmas armas argumentativas do PS. Não se coíbe de usar o argumento da redistribuição da riqueza tanto como o PS; usa a presença Estado como solução para praticamente tudo; aumenta o peso do estado ainda mais que o PS; aumenta impostos tanto ou mais que o PS; usa o multiplicador keynesiano dos gastos públicos tanto ou mais que o PS. Em suma, nunca é demais repetir o óbvio: Portugal precisa de uma verdadeira direita liberal, ou, se não for pedir muito, pelo menos que seja tendencialmente liberal, para que o duelo político faça sentido e os checks and balances se possam efectivar como uma realidade democrática.

Para consumir uma refeição, o senso comum ocidental diz que precisamos de uma faca e de um garfo. Portugal anda há muito tempo a tentar alimentar-se com duas facas (PS e PSD) que, obviamente, cumprem a mesma função: cortam, cortam, mas não conseguem levar a comida à boca, e ,quando o tentam fazer, cortam a língua com o objecto lacerante. Está então na altura de a direita portuguesa se tornar num garfo. A direita precisa de ser, não uma faca, mas um sim um indispensável garfo.

 

 


 

publicado por Filipe Faria às 17:18

Julho 28 2009

Queria estar em contacto com a natureza. Não sei explicar porquê. Achei que a forma mais simples de o fazer seria passar uma tarde a ler nos jardins da Gulbenkian. Contudo, para grande surpresa minha, outros seres humanos também lá estavam com o mesmo intuito de se relacionarem com os outros elementos da biosfera, apenas não da mesma forma que eu, como irá tornar-se evidente...

Estes seres humanos que me rodeavam estavam numa fase precoce de maturação: tinham à volta de 5/6 anos. Estavam em grande número. Desta forma, o grupo devia ter mais de quinze elementos imberbes.

A sua forma de se relacionar com a natureza envolvente era bastante simples: as crianças tinham paus na mão e corriam freneticamente atrás dos pombos proferindo frases de guerra como: “mata-o, vais morrer, etc...”. Elas corriam para cima e para baixo com o objectivo de, pelo menos, conseguirem bater no pombo que fosse menos lesto na fuga.

É neste contexto de selvajaria ecológica que constato que uma das crianças (uma rapariga) andava atrás dos outros com uma cartilha dos direitos universais (ainda pensei se ela estaria a trabalhar para a ONU) a gritar: “vocês não podem fazer isso senão eles morrem, parem com isso já!”.
Os outros ignoraram-na durante grande parte do tempo e continuaram alegremente a tentar atingir os pombos com os seus paus. Porém, a dada altura, uma das crianças, um rapaz, já farto de a ouvir gritar os inconvenientes moralistas, deixou por momentos os pombos e foi atrás dela com o pau que tinha na mão, com o intuito de fazer à rapariga o que ele queria fazer aos pombos. Felizmente, a rapariga do discurso pró-biodiversidade era rápida a fugir e conseguiu chegar à assistente de educação que tomava conta do grupo antes que o jovem que a perseguia lhe conseguisse bater.

O grupo continuou a perseguir os pombos e eu mudei-me para outro sítio para poder ler. Mais tarde concluí que o livro que li tinha menos informação relevante do que este episódio...

 

 

publicado por Filipe Faria às 20:00

Julho 28 2009

No seu livro "The Blank Slate", Steven Pinker, psicólogo evolutivo na universidade de Harvard relembra que a principal diferença entre conservadores e liberais (Direita e Esquerda) reside na concepção antagónica da natureza humana. Enquanto a Direita apresenta uma visão "trágica", a esquerda opõe uma visão utópica e toda a sensibilidade política irá decorrer desta visão do homem:

 

"If you learn that someone is in favor of a strong military, for example, it is a good bet that the person is also in favor of judicial restraint rather than judicial activism. If someone believes in the importance of religion, chances are she will be tough on crime and in favour of lower taxes. Proponents of a laisser-faire economic policy tend to value patriotism and the family, and they are more likely to be old than young, pragmatic than idealistic, censorious than permissive, meritocratic than egalitarian, gradualist than revolutionary, and in a business rather than a university or government agency.

The opposing positions cluster just as reliably: if someone is sympathetic to rehabilitating offenders, or to a tolerance to homosexuality, chances are good that he will also be a pacifist, an environmentalist, an activist, an egalitarian, a secularist, and a professor or a student.

 

Why on earth should people's beliefs about sex predict their beliefs about the size of the military?"

 

Assim, a teoria da natureza humana de cada individuo influência a sua opinião acerca das mais variadas questões politicas: a visão trágica não depositará grandes esperanças em relação as virtudes do homem e a sua perfectibilidade, e irá por consequente preferir medidas pragmáticas. Por seu lado, a visão utópica acredita na completa plasticidade do cérebro humano, e no mito do bom selvagem de Rousseau. Logo as politicas de esquerda tenderão a assumir uma dimensão ideológica, que entende-se capaz de melhorar a sociedade através de iniciativas impostas de cima.

 

 

Pinker conclui o capitulo dizendo que na sua opinião, os avanços da psicologia evolutiva e da genética comportamental nas ultimas décadas mitigaram as pretensões da esquerda ao revelar uma natureza humana mais próxima da corrente de Hobbes que de Rousseau. Como se fosse uma evidência, acaba dizendo: "Every Student of political science is taught that political ideologies are based on theories of human nature. Why must they be based on theories that are three hundred years out of date?"

 

Eu sei que no meu curso, o tema da natureza humana foi tratado mais do que superficialmente. Discutiu-se modelos de sociedade sem meter em causa o comportamento humano. Discutiu-se a gestão de alternativas sem estudar a natureza do "animal político".

publicado por Alexandre Oliveira às 16:00

Julho 26 2009

Mediante o advento da crise internacional a sociedade portuguesa, fraca desde que nos lembramos, berra pelo Estado. Sem se aperceber, reforça assim a sua própria dependência e lógica hegemónica do mesmo. As relações sociais tornam-se cada vez mais artificiais, os rendimentos são canalizados para o “monstro do bem-comum” e o próprio contacto inter-pessoal já parece estranho sem um funcionário entre nós… (ainda não mas estará para breve). O alargamento do mesmo tem também outras consequências no tecido económico. Ironicamente os ímpetos socialistas de expansão estatal abrem caminho à intrusão do grande capital no aparelho estatal, sedento do poder que emana do mesmo. Assim se abre espaço a uma expansão da corrupção, dos oligopólios e do asfixiar do tecido económico. A maioria desse tecido, as PME’s, é fraco demais para comprar as clientelas necessárias e está de qualquer forma a soçobrar sobre o peso dos impostos.

 

Assim o estado que tudo abarca transforma-se não só no destruidor do capital social e das liberdades negativas mas também no fomentador de um capitalismo irresponsável e viciado que tanto adora estes “expansionismos socialistas”. Como se o sistema não fosse já corrupto o suficiente.
“Good Morning, Pyongyang! The size of the state in your income now looks a pleasant 52% and rising.”

 

 

publicado por Diogo Santos às 21:14

Julho 26 2009

Numa troca de opiniões com o Bruno Alves sobre a relação entre o pluralismo de valores na sociedade e a liberdade, apresentei a minha opinião sobre a possibilidade da institucionalização da liberdade. Aqui fica ela:

Na minha opinião, a relação é clara: a liberdade irá gerar sempre perdedores no sentido Nietzschiano, mesmo que ela seja o valor central da estruturação societal política, mas a grande vantagem da liberdade negativa é permitir que os perdedores possam reagir no sentido de inverterem essa posição, porque, tal como diria Richard Dawkins: “todos nós que estamos vivos somos filhos de vencedores milenares, todos nós somos descendentes de uma linha milenar de humanos que nunca falhou em reproduzir-se” . Como tal, todos temos alguma qualidade em nós que nos permitirá, numa sociedade cuja principal preocupação seja a da liberdade negativa, lutar pelos nossos melhores interesses e consequentemente pelos nossos valores. Numa sociedade onde impera a liberdade positiva estamos reféns da visão de uma elite que nos formata e nos estanca numa determinada posição social, concordando assim com Isaiah Berlin e com Robert Nozick que esse tipo de liberdade traz mais desvantagens do que vantagens. Quanto aos limites da pluralidade de valores, concordo com a ideia de Joseph Raz que argumenta que “a teoria moral do pluralismo de valores implica que os arranjos políticos de uma sociedade sejam liberais, ou seja, que tenham a liberdade como “valor básico” (The Morality of Freedom)” .

Não há escolhas institucionais naturais apesar de as nossas motivações o serem. Na linha do naturalismo de David Hume, os homens são movidos por sentimentos (simpatia e auto-interesse) e a razão é apenas um meio para chegar aos fins das emoções. No sentido de fazer valer o seu auto-interesse que provém das emoções, haverá assim quem irá usar o argumento da liberdade positiva para institucionalizar o racionalismo em detrimento do naturalismo. Porém, a própria defesa do naturalismo, quando se chega ao campo institucional, tem de ser uma decisão racional que vai permitir regular todas as paixões, emoções e sentimentos da sociedade permitindo que estes o sejam feitos em liberdade negativa. No fundo, há uma natureza para as acções institucionais e outra para as da sociedade. Na minha opinião, apesar de me considerar um naturalista, concedo que a defesa do naturalismo na sociedade só pode passar por uma defesa racionalista institucional, onde o valor a ser defendido é o da liberdade.

publicado por Filipe Faria às 16:42

Julho 26 2009

 

 

Como os nossos caros leitores já devem seguramente ter reparado, a segurança é me um tema muito caro, quer pela minha história pessoal quer pela minha noção de estado, civilidade e constitucionalismo. Tenho assim escrito algumas vezes sobre a questão do ponto de vista interno e não a aderecei no que toca à questão imigracional que, quer queiramos quer não, está ligada à questão securitária. Obviamente, nem toda a segurança remete para esta esfera. No entanto é importante ter uma legislação que impeça indivíduos com poucas possibilidades de enquadramento social, profissional e cultural de entrarem no nosso território na medida do possível. Assim evitar-se-iam potenciais problemas que infelizmente hoje em Portugal vão-se somando aos já complicados condicionalismos internos.

A esta premente questão, e interligada a ela, junta-se outra, tão ou mais complicada que a primeira, a lei da nacionalidade. Quem deve ter a nacionalidade portuguesa? Que caracteres deveríamos exigir, já que ela não é de forma nenhuma um direito. É acima de tudo um privilégio. É um simples “burocracismo”? É uma herança histórica? Uma forma de estar? O aceitar de um set de regras e procedimentos legais?

Por outro lado esta mesma também está ligada à questão da segurança, as nossas possibilidades face aos desrespeitadores da ordem legal dependem em grande grau da forma como os interpretamos no nosso território. É na conjunção destas diversas esferas que podemos prevenir que episódios como a ghetização francesa se acentuem no nosso país. Já chegámos longe que baste no referido percurso, é tempo de retornar, sem preconceitos.

Querendo que a imigração represente um processo de regeneração e, por isso mesmo, deve-se orientá-la para moldes que vão no sentido do progresso social e colectivo. É necessário tomar medidas para que se associe a imigração à noção de evolução, quer de Portugal quer dos imigrantes, e não a imagens criminais como a “bandalheira” em Setúbal ou Loures.

Não me vou aqui perder em demasiados devaneios teóricos, a questão é bastante simples a meu ver. Tem de ser olhada de forma pragmática sendo esse pragmatismo cimentado com uma certa noção de história, cultura e acima de tudo, dignidade.

Começando pela lei da emigração, vou expor os preceitos que a meu ver devem estar na sua base. As noções que devem dar direcção e solidez à lei, cumprindo o seu propósito de protecção e potenciação da sociedade. - A lei deve ter em conta o papel que o emigrante terá a desempenhar na sociedade portuguesa. Imigrantes com formação e com espaço no mercado de trabalho devem ser prioridades.

- A lei deve ter em conta que a imigração, num mundo de cada vez maior conflitualidade cultural, deve primar pela aceitação de emigrantes de comunidades que apresentem o mínimo de choques com a sociedade receptora. Ou seja, é mais conveniente receber pessoas com a mesma matriz cultural ou, alternativamente, de sociedades cuja adaptação se saiba decorrer com maior facilidade.

- A lei deve ter em conta um caminho de cada vez maior qualificação da mão-de-obra. Logo aqueles com formação superior ou que a vêm obter a Portugal devem ser encorajados à estadia permanente enquanto que o trabalho não qualificado deve-se caracterizar pelo seu cariz temporário.

- A lei deve obrigar os imigrantes a entrar somente com contrato de trabalho fixado/estatuto de estudante confirmado.

- A imigração ilegal é um desrespeito pela soberania portuguesa e um crime, logo nunca deverá ser o “castigo” por esse mesmo crime a entrada em Portugal. A deportação deve ser aplicada com poucas excepções, após a prestação de cuidados médicos básicos.

- Criação de linhas telefónicas anónimas para denúncia da exploração de imigrantes ilegais por parte de pessoas mal intencionadas, assim como para denúncia de situações conhecidas de permanência ilegal.

- A aprendizagem da língua e cultura portuguesa devem ter cariz obrigatório de forma a garantir ao imigrante as ferramentas essenciais para a integração na sociedade portuguesa, assim como para garantir a comunicação da sociedade com o mesmo.

- Qualquer indivíduo com antecedentes criminais graves deve ver a sua entrada barrada.

- Qualquer indivíduo que cometa crimes contra pessoas ou contra o estado deve ser invariavelmente deportado.

- O reagrupamento familiar deve ser permitido. No entanto unicamente dentro do cumprimento dos parâmetros acima estabelecidos.
Dado este enquadramento determinadas políticas governamentais deverão dar-lhe seguimento. Por exemplom com estabelecer de bolsas de mérito para alunos estrangeiros ou a promoção do alargamento generalizado dos intercâmbios não só na Europa mas tendo em conta potências emergentes como a China, a Índia, o Brasil e os tigres asiáticos. A economia portuguesa deve ter um enquadramento internacional maior e por isso é essencial um maior internacionalismo na captação de quadros qualificados.

Estas medidas vão, além do mais, alterar a visão que o português tem do imigrante e acabar em grande escala com o mal estar social que se tem vivido devido à imigração descontrolada. A construção de uma nação mais plural mas mais desenvolvida passa pelo racionamento e a escolha daqueles que podem contribuir a longo prazo (mão de obra altamente qualificada) e a curto prazo (mão de obra não qualificada temporária). Estas medidas reduziriam os gastos com a segurança social e potenciariam o contributo dos imigrantes para a sociedade.

De forma a controlar melhor a imigração ilegal a marinha portuguesa deve ter um papel cada vez mais activo na patrulha das nossas fronteiras marítimas. A tolerância zero é essencial para mandar uma mensagem para aqueles que viriam a tentar uma entrada futura. Com o intento de complementar o reforço fronteiriço a criação de linhas de micro crédito para os países de saída assim como apoios ao investimento português nesses países é uma atitude basilar da cimentação da segurança portuguesa.
A lei da nacionalidade teria de surgir como um contínuo natural a estas medidas. Não esquecendo que Portugal é um estado soberano com 900 anos de história é impossível olhar de forma simplista e gratuita na atribuição da nacionalidade.

De forma a complementar o combate ao crime não nos podemos esquecer que numerosos de entre os criminosos que grassam nos subúrbios do nosso país são filhos de emigrantes que exploram o trabalho esforçado dos seus pais não fazendo nada senão parasitando o sistema escolar e espalhando situações de medo e vandalismo pelas ruas.

Consequentemente, tendo em conta que a nacionalidade é um privilégio e não um direito como já foi referido, o princípio jus sanguini deveria ser o critério base para atribuição da mesma. Isto não quer dizer, claro, que a fixação de estrangeiros seria desencorajada. Ela é só feita dentro de um framing diferente. Seria implementado um sistema de vistos de residência permanente.
Qualquer imigrante que residisse com estatuto laboral não temporário durante dez anos sem cadastro criminal relevante e estudando ou possuindo contrato de trabalho na maior parte desse mesmo período poderia receber um dos referidos vistos. Adquirindo assim os direitos de qualquer cidadão português, assim como o voto.
A diferença para uma nacionalidade efectiva residiria simplesmente na descendência: os filhos desse mesmo indivíduo teriam de passar pelas mesmas circunstâncias que o pai para aqui residir, com excepção da questão laboral, que seria aligeirada nesse caso. A partir dos 18 anos de idade, da maioridade, se até aos 28 anos não acontecessem registos criminais de maior, seria concedido o visto de residência permanente.
A nacionalidade per si seria atribuída caso a caso a determinar por uma comissão específica para o efeito tendo em conta vários parâmetros como os seguintes:
- ascendência portuguesa ou não.
- serviços prestados ao estado.
- serviços prestados à comunidade.
-elevado nível de integração na comunidade receptora.

E com isto acabo este post, sem politicamente correctos. A legislação proposta quer um Portugal mais culto, mais bem qualificado, mais ordeiro e mais integrado no mundo global. Não é através da dogmatização da questão imigracional que se chegará a soluções plausíveis.

 

A Europa pode e deve defender um controlo fronteiriço que beneficie a coesão comunitária e o bem-estar geral. A proposta está também ao serviço dos imigrantes. Garante um tratamento respeitoso àqueles que são aceites no nosso país impedindo situações de exploração ou o crescer do número de mendigos, abandonados após as grandes obras. Dá a cada um as garantias realistas que podem ter e é honesto para com os mesmos. Àqueles que são temporários, contratos de trabalho bem estruturados e rendimentos que poderão investir nos seus países de origem, àqueles que são permanentes, um enquadramento laboral seguro, de alto nível, bolsas para desenvolver os seus estudos, entre outros. A ambos: os mecanismos para perceberem melhor e se enquadrarem na sociedade portuguesa.

 

 

publicado por Diogo Santos às 00:00

Julho 24 2009

Senti o desânimo dos meus pares socialistas quando o muro caiu em 1989. Sinto todos os dias a angústia que eles sofrem na sua luta incessante contra as vicissitudes egotistas da natureza humana. Sinto que os seus argumentos de natureza moral esbarram contra a habilidade que os humanos têm para fugir à coerção que provém das boas intenções da esquerda na promoção do bem comum. Como tal, sinto que devo reformular os preceitos de justiça da esquerda no sentido de lhes dar mais acuidade e pertinência.

Esta é então a minha teoria da justiça que, acredito, irá apresentar-se como uma alternativa válida a todas as outras no âmbito do socialismo/liberalismo social:

A minha teoria, para atingir uma sociedade justa, baseia-se nas duas grandes premissas do liberalismo: a liberdade e a igualdade. Para não existirem confusões, seguindo a distinção de Isaiah Berlin, vou apresentar a liberdade como liberdade positiva: que é entendida como a capacidade do indivíduo para fazer seja o que for, por oposição à liberdade negativa, que é a liberdade do indivíduo para agir sem a interferência de outros.

Para existir liberdade positiva, o Estado tem de intervir directamente na vida da sociedade, providenciando bens e serviços a todos os que têm menos capacidades inatas ou sociais, para que estes possam fazer tudo o que os outros fazem sem qualquer distinção. Obviamente que em última instância só se gera capacidade inata através da engenharia genética, mas isso são pormenores. Assim sendo, o estado tem o fim de promover a igualdade de acesso à satisfação máxima a todos os cidadãos, assim como a promoção da distribuição de capacidades para fazer seja o que for (eu posso comprar um Mercedes, eu posso ser um génio da ciência). Ou seja, sendo exequível ou não, partimos da premissa que o estado tem de arranjar forma de tornar os seres humanos iguais em todas as suas capacidades, visto que ninguém tem culpa de ter mais ou menos talentos naturais, nem de ter um maior ou menor estatuto social à nascença.

Para visar a igualdade, a esquerda centra-se essencialmente na redistribuição monetária através de uma entidade central (o estado). Por outras palavras, através de um rigoroso sistema fiscal, cobra impostos aos que mais ganham para dar os que menos ganham.
É aqui que a esquerda está constantemente a falhar e será precisamente este ponto que tentarei alterar.

Porque querem os homens dinheiro, poder e status social (assumindo que geralmente o primeiro leva os outros dois)? Porque com os recursos a que o dinheiro lhes dá acesso, eles conseguem chegar mais facilmente às mulheres, cumprindo assim a ideia darwinista da maximização da prossecução dos genes. Contudo, eles não querem apenas mulheres, querem atrair as melhores fêmeas, ou seja, a sub-categoria feminina que, em vernáculo, se costuma denominar de “gajas boas”. Estes membros do género feminino são desejados, em grande parte, pela sua simetria (o que em psicologia evolutiva é indicador de bons genes) e pelos seus sinais evidentes de fertilidade. Infelizmente, como muitos dos recursos mais desejados, este recurso é escasso e mal distribuído.

As mulheres mostram preferência por homens com alto valor social. Uma breve observação empírica revela que os homens ricos com status social conseguem um quase exclusivo monopólio das “gajas boas”, fazendo com que os outros homens não tenham a mínima oportunidade de se reproduzirem com elas. Concomitantemente, estamos na presença da máxima injustiça no que diz respeito à maximização da felicidade. Onde está o estado que devia corrigir esta tremenda injustiça que vota alguns homens a uma vida de inveja e ausência de proveito social e genético?

Apresento assim uma teoria da justiça que pretende devolver a igualdade e justiça social à humanidade. O estado tem assim de se organizar em volta dos seguintes 3 princípios de justiça: 1- Qualquer homem com excesso de gajas boas deve ser taxado até ter apenas acesso às gajas boas na mesma medida que todos os outros homens. 2- O imposto a ser aplicado pelo estado deve promover a rotatividade de gajas boas caso não exista uma gaja boa para cada homem (exe: a mesma gaja boa passava apenas um ano com cada homem em vez de um longo período de tempo) 3- Só será permitido a um homem ter mais do que a sua quota pré estabelecida de gajas boas se tal contribuir para que os mais desfavorecidos possam ter acesso a gajas boas (exe: em caso de calamidade e de ausência de produção de gajas boas num determinado momento da sociedade).

Satisfeitos estes princípios de justiça, estou a crer, chegaremos ao fim de história e a própria política tornar-se-á  pueril, dado que a razão já se conseguirá impor sobre as famigeradas emoções que provêm da competição genética e social. Neste mundo neo-neo-socialista que proponho, onde acaba a exploração do homem pelo homem, poucas ou nenhumas críticas poderão ser feitas a esta teoria da justiça, a não ser, talvez, que é ligeiramente machista...

 


 

publicado por Filipe Faria às 19:54

Julho 22 2009

- Quantity affects Quality!

- Says who?

- Karl Marx!

- Oh, so now we're talking about economics...

- Sex is economics!

 

In Bullets Over Broadway from Woody Allen

publicado por Alexandre Oliveira às 15:51

Julho 22 2009

O consumo contemporâneo é um acto de frivolidade, ou seja, um acto de alienação que não permite às pessoas perceberem as suas verdadeiras necessidades. Certo? Talvez não.

No final da década de 70, Mary Douglas e Baron Ishewood publicaram o livro “O Mundo dos Bens”, onde estudaram as relações sociais do consumo. Neste livro, os autores (uma antropóloga e um economista) apontam, acima de tudo, para as dimensões culturais e simbólicas do consumo, ou seja, para os motivos subjacentes ao consumo. 

Há já algum tempo que a grande generalidade das pessoas consome para lá das necessidades básicas. Para os autores, os bens de consumo são essencialmente comunicadores de categorias culturais e de valores sociais. Os produtos consumidos devem comunicar à sociedade que rodeia o indivíduo informações sobre o seu estatuto, sobre a sua família, sobre a sua cidade ou sobre a sua rede de relações. O produto ostentado precisa de comunicar mais rápido do que qualquer palavra que o indivíduo que o comprou possa proferir acerca de si mesmo. Os produtos consumidos são cartões de visita que apresentamos, sabendo-se que um mau cartão de visita não nos deixa entrar nos círculos sociais que pretendemos.

Consumir é um acto de partilha. O acto egotista por natureza seria poupar ao máximo e gastar o menos possível. Porém, como animais sociais que somos, é no consumo que entramos em modo de convivência. O consumo permite-nos mostrar algo ao próximo, de onde estamos para onde vamos e quais a nossas intenções. Se ficarmos em casa sem gastar dinheiro podemos ter como certo um isolamento a que tendemos a apelidar de “deprimente”. Se queremos socializar, temos de gastar. Trabalhar e ficar em casa seria certamente mais seguro do ponto de vista financeiro, pois os gastos ficariam reduzidos ao mínimo indispensável. Contudo, ninguém o quer fazer pois o que realmente pretendemos é a aceitação dos outros e não a nossa aceitação. O “outro” pode ser o inferno, mas é dele que eu vou retirar o meu valor. Por isso consumimos: no consumo gera-se a partilha, gera-se a circulação do dinheiro mas acima de tudo gera-se a circulação das intenções. Que intenções? Os suspeitos do costume: o status, o poder, a autoridade, o bem estar, e, por fim, a inevitável busca da maximização sexual. Dito isto, torna-se pertinente saber se seria possível dissertar sobre o consumo sem referência ao sexo.

Curiosamente, a Unilever descobriu que os pobres compram produtos supérfluos quando lhes sobra dinheiro. Por outro lado, 33 % dos consumidores mais abastados consideram-se pobres e comportam-se como tal na hora da compra.* 
Desta forma, talvez os pobres precisem de arriscar mais nas compras que fazem, visto que a escada que eles querem subir tem mais degraus do que a escada dos mais abastados. Conscientemente ou inconscientemente, ambos sabem disso. Só o consumo é que nada sabe. Mesmo com toda a regulação que alguns pretendem implantar, continua a ser o mistério da mão invisível a comandar o processo. O que pode acontecer devido a essa implantação reguladora é que o processo pode tornar-se pouco virtuoso e opaco. Podemos ir conhecendo algumas linhas da mão invisível, mas com certeza que o que conhecemos é uma parte tão insignificante do todo que ainda não nos demos conta de estarmos a estudar uma mão. Essa mão é uma metáfora que hoje em dia é usada e abusada sem aparente sentido, mas ela existe muito para lá do objecto económico: serve, em última instância,  para representar a natureza humana e as suas intenções.

 

“Antropologia do consumo”, Marcos Graciani, Amanhã, 11.05.2004

publicado por Filipe Faria às 03:04

Julho 19 2009

Segundo este artigo, praticar felação com regularidade pode diminuir significativamente o risco de cancro da mama.

 

"Women who perform the act of fellatio and swallow semen on a regular basis, one to two times a week, may reduce their risk of breast cancer by up to 40 percent, a North Carolina State University study found."

 

"In a study of over 15,000 women suspected of having performed regular fellatio and swallowed the ejaculatory fluid, over the past ten years, the researchers found that those actually having performed the act regularly, one to two times a week, had a lower occurrence of breast cancer than those who had not." 

 

"Only with regular occurrence will your chances be reduced, so I encourage all women out there to make fellatio an important part of their daily routine," said Dr. Helena Shifteer, one of the researchers at the University. "Since the emergence of the research, I try to fellate at least once every other night to reduce my chances."

 

"Almost every woman is, at some point, going to perform the act of fellatio, but it is the frequency at which this event occurs that makes the difference"

 

publicado por Alexandre Oliveira às 16:04

Julho 18 2009

No seguimento “deste artigo do I” do Professor Cardoso Rosas onde ele alega que o liberalismo é uma ideologia de esquerda, sugiro a leitura de alguns artigos que advogam que tal não é verdadeiro. Eu próprio já tinha escrito algo sobre o assunto há uns tempos aqui. Este artigo de Rui Albuquerque está muito bom na sua refutação à ideia de Cardoso Rosas. Este texto de Rodrigo Adão da Fonseca também é esclarecedor. Porém, o meu preferido é este comentário de Fernando S.

publicado por Filipe Faria às 16:15

Julho 18 2009

Ler o artigo integral no "I"


 " Quando dizemos que alguém é liberal situamo-lo, quase sempre, no lado direito do espectro político. Mas isso é um erro de três pontos de vista: histórico, doutrinal e político."


"De um ponto de vista histórico, o liberalismo afirmou-se como a alternativa de esquerda a um conservadorismo mais ou menos reaccionário, mais ou menos saudoso da monarquia absoluta e do Antigo Regime."


"Note-se que este carácter progressista do liberalismo está ainda hoje presente em alguns países, sobretudo na América. Como aí nunca tiveram sucesso as ideias socialistas, ser de esquerda é ser liberal. Obama, por exemplo, é um liberal no sentido americano, ainda que moderado."


"O liberalismo bate-se pelas liberdades iguais para todos os cidadãos e pelo tratamento não discriminatório de grupos historicamente discriminados: as mulheres, as minorias religiosas, étnicas ou sexuais. Mas o liberalismo defende também, desde o século 19 e até aos nossos dias, uma maior igualdade em termos de oportunidades e da distribuição da riqueza. Foi assim com John Stuart Mill, no século 19, e assim continuou com John Rawls, no final do século 20."


"Mas preconizar o mercado livre não faz de ninguém um liberal. Se assim fosse, Pinochet e as autoridades chinesas seriam liberais distintos."


"Dito isto, não nego que possa existir, em tese, também um liberalismo de direita. No entanto, para ser consequente, esse liberalismo tem de defender a liberdade de cada um de fazer o que quiser consigo mesmo e com a sua propriedade, contra um Estado igualitarista, mas também contra um Estado conservador." 


publicado por Alexandre Oliveira às 10:15

Julho 17 2009

O mundo francófono está sempre a oferecer-nos estas pérolas. A franco-suíça Corinne Maier escreveu um livro chamado “No Kid: quarante raisons de ne pas avoir d’enfant” (Filhos não: 40 razões para não ter filhos). Corinne, uma economista que agora se dedica à psicanálise e à escrita, apresenta inúmeros argumentos para provar que ter filhos não compensa. Numa entrevista à revista Sábado (13.09.2007), a autora em causa proferiu: “ Antes, a religião ajudava as pessoas a encarar o futuro e agora temos as crianças; é uma forma de investimento. Na nossa cultura as crianças significam consumo. As crianças estão inscritas no catálogo de compras da sociedade de consumo (um estudo espanhol calculou que se gasta entre 100 mil e 300 mil euros por filhos). Ter um filho num país desenvolvido é um crime. As crianças são os maiores aliados do capitalismo, fazem-nos consumir, comprar, são delatores natos da vida privada dos pais e destruidores do corpo da mulher”.

Os ataques ao capitalismo já só chocam um recém-nascido (talvez por isso, na óptica da senhora, devam ser evitados); contudo, a sugestão de que, em última instância, devemos deixar de ter filhos já não é um rumo que leve ao socialismo ou à igualdade entre homem e mulher, leva acima de tudo ao nada, ao vácuo, à não existência. Acredito que faça sentido, a não existência é tendencialmente igualitária; não obstante, não conheço provas de que o seja em absoluto.

Será seguro dizer que ninguém conseguiu ainda apontar um objectivo mais lógico e tangível para o rumo humano do que a reprodução do ADN, o passar de genes às gerações vindouras. Com todos os objectivos que possamos traçar para a nossa vida, esse é certamente o que servirá de base comum a todos nós e aquele que nos fez existir em primeiro lugar. Shopenhauer escreveu que nunca nos devemos surpreender pelo facto de existirem casamentos entre 2 pessoas que nunca teriam sido amigas, porque o desejo de procriação (patente no desejo sexual) supera até as maiores barreiras impostas por 2 inimigos. Duas pessoas que, sem o factor sexual, seriam desprezíveis uma para a outra culminam numa relação intensa onde a paixão os leva a fechar os olhos aos factores negativos. Ao longo da história percebemos que muitos homens poderosos, de uma racionalidade quase perfeita na sua vida profissional, tornam-se enganáveis e ingénuos ao casarem com mulheres que eles racionalmente desdenhariam, trazendo desconforto desnecessário para a sua vida.

A vontade de procriação em detrimento de uma suposta felicidade tangível está documentada nos depoimentos de vários casais que revelam que o momento “papel higiénico”  (momento em que o acto sexual termina) traz consigo uma sensação de vazio e de ausência de propósito, onde estes têm liberdade hormonal para pensar na razão porque estão com um parceiro que, em muitos casos, nem é uma pessoa que consideram assim tão “interessante”.

O desejo Corinne Maier não é, apesar de tudo, completamente ridículo: com a proliferação dos contraceptivos, juntamente com a emancipação financeira da mulher e com a consciência de que um filho é um fardo profissional, começa-se a sentir o efeito que Richard Dawkins postulou no seu livro “The Selfish Gene”: os nossos organismos podem-se rebelar contra os interesses dos genes; neste caso, levando à diminuição progressiva de filhos até se chegar ao intento final da Corinne. 

Em estudos recentes sobre a felicidade foram revelados resultados que mostram que as pessoas não são mais felizes porque têm filhos; muito pelo contrário, têm mais dificuldades objectivas e sofrem mais no dia a dia. Porém, quando lhes é perguntado se são mais felizes porque têm um filho elas tendem a responder que sim. Desta forma, o objectivo em si é valorizado em relação à vivência propriamente dita. Não é relevante sabermos se somos mais felizes ou não pelo facto de termos filhos, ter um objectivo a atingir supera as dificuldades práticas, sabendo-se que não existe nada mais motivador para a vida do que a própria motivação.

No mundo ocidental, a mulher tem, talvez como nunca, o papel de comando no rumo que a humanidade está a traçar. Ela pode viver para a carreira, pode procurar experiências sexuais sem ter necessariamente filhos, pode abdicar de partilhar a sua vida com um homem, pode inclusivamente ter filhos recorrendo a bancos de esperma e até pode entregar o filho a outros para que estes cuidem dele. Por sua vez, em termos de estratégia evolutiva, o papel do homem vai-se reduzindo: trabalhando para o PIB per capita mas já sem a influência directa, que teve em outras épocas, nas escolhas da mulher.

Num cenário hipotético onde o homem seria completamente inutilizado, a evolução poderia ditar o seu desaparecimento, afinal de contas, consta que há espécies que já tiveram 2 sexos e que ficaram só com um porque um deles tornou-se obsoleto para a estratégia evolutiva. Palpita-me que, mais do que a ausência de filhos, a Corinne Maier veria com melhores olhos esta última hipótese. Se não ela, pelo menos muitas como ela veriam...

 

 

 


 

publicado por Filipe Faria às 18:37

Julho 16 2009

Com o estabelecimento de um salário mínimo e de leis laborais visando reforçar a segurança do emprego, tencionou-se melhorar as condições de trabalho dos assalariados cujas reivindicações eram fortes devido ao seu peso demográfico na sociedade. De alguma forma, cedeu-se aos caprichos da criança chorosa, apesar de provavelmente não ser a melhor opção a longo prazo: ceder aos pedidos de bolos e chocolates pode ser eficiente para acalmar os berros da criança no momento, mas passadas algumas horas, nenhum remédio irá acalmar os gritos provocados por dores de barrigas intensas. A actual rigidez das leis laborais é responsável pelo desemprego e pelo bloqueio do elevador social, ou seja, leis sociais têm efeitos anti-sociais... Tantas barreiras ao despedimento fazem com que os empregadores sejam extremamente cautelosos no momento de assinar um contrato, eliminando assim potenciais bons candidatos que infelizmente não têm experiência, e beneficiando candidatos com contacto de alguém da empresa, pois oferecem mais garantias para o patrão. Agora como é que alguém sem experiência vai um dia adquirir experiência se é-lhe fechada todas as portas? Numa sociedade mais liberal, não custa tanto dar oportunidades, se o empregado não cumprir os requisitos é despedido, mas pelo menos foi lhe oferecido uma oportunidade de mostrar o que vale. As leis laborais protegem os que têm contrato de trabalho, e exclui os novos pretendentes.

 

Enfim mais um exemplo que o socialismo está cheio de boas intenções, mas que acaba por ser contraditório.  

publicado por Alexandre Oliveira às 20:19

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