O REPLICADOR

Maio 10 2009

No jornal “i”, Martim Avillez Figueiredo faz uma defesa ideológica dos imigrantes, alegando que os portugueses deviam chegar à conclusão que precisam de imigrantes para melhorarem a sua sociedade. Por conseguinte, justificou desta forma a sua posição:

"Na verdade, os imigrantes, com a sua cultura, os seus hábitos, obrigam todos os outros a adaptar-se à sua volta. São o antepassado comum de Darwin, que melhora todos os outros pelo método da selecção natural e assegura que a diversidade é qualidade."

No entanto, a selecção natural passa pela selecção dos que estão mais bem adaptados ao contexto. Assim sendo, se os imigrantes vêm para ocupar os postos que os nativos não querem, isto significa que os nativos, apesar de tudo, estão e vão estar, mais bem adaptados ao contexto do que os imigrantes. Não será surpresa para ninguém, os nativos irão continuar a olhar para cima no elevador social para escolherem os seus parceiros reprodutivos e os imigrantes não adaptados ao contextos irão juntar-se entre si para fortalecerem a sua condição social. Desta dicotomia, o resultado mais provável será a discriminação e a falta de coesão social. No que diz respeito à diversidade, a espécie humana é tão complexa que existe diversidade e campo de manobra para a selecção natural até mesmo nos círculos étnicos/raciais mais restritos, sendo que as características que serão seleccionadas serão sempre aquelas que melhor adaptar o sujeito ao contexto, não será por haver mais diversidade de características “não-adaptadas” que elas irão ser seleccionadas.

A principal falácia do argumento de Martim Avillez Figueiredo passa por omitir que essa “adaptação”, no caso de uma imigração descontrolada, passa necessariamente pelo conflito social e, em última instância, pela guerra civil.

publicado por Filipe Faria às 18:37

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