O REPLICADOR

Junho 19 2009

Em animados debates universitários, ouço constantemente dizer que os liberais têm fobias ridículas de serem controlados pelo estado como se fossem autómatos. “ O estado não controla o indivíduo como se este fosse uma marioneta. “  dizem-me da esquerda.

Tenho de concordar. De facto, não é possível controlar alguém por efeitos mágicos nem sequer por cordéis imaginários; porém, é possível fazer algo diferente:

Imaginemos uma estrada com pessoas. Estas vão percorrer a estrada em busca dos seus objectivos de vida. Felizmente, como qualquer estrada, esta não era de via única, tinha várias saídas que levavam a outros destinos. Porém, uma entidade superior (o estado) proíbe que as pessoas possam enveredar por essas mesmas saídas porque acha que o melhor caminho para as pessoas é a via principal. Essas saídas são então vedadas. Perante esta proibição, sabendo que não querem andar para trás, terão de andar para a frente, pela via principal que, apesar de não se saber onde vai dar, é o único caminho permitido. Começam a longa e unidireccional caminhada, caminham morosamente até que, saturados da falta de opções e do caminho para a escravidão, começam a tentar sair da estrada, improvisando saídas e destruindo os rails de separação. Num ápice, estão já na relva que rodeia a estrada. Gera-se o caos, as forças da entidade superior (o estado) entram em acção para fazer com que os dissidentes voltem para a estrada onde estavam. As forças da entidade superior (o estado) estão mais bem armadas e conseguem fazer com que os dissidentes voltem para a estrada principal; contudo, alguns conseguiram fugir, correndo pela relva em direcção ao vazio na esperança de encontrar outra estrada controlada por outra entidade superior (outro estado). Para os que não conseguiram fugir, a caminhada continua.

Não existem cordéis imaginários, não existem controlos remotos, não existem formas de manipular o ser humano em absoluto, mas como via exequível, existem meios muito eficazes de cortar a possibilidades de escolha.

 


publicado por Filipe Faria às 23:17

Segundo recentes descobertas no campo da medicina, o indivíduo de direita, nos dias que se seguem a um debate de ideias com os defensores de uma ideologia oposta sofre de um mal representado no teu texto: confundir o Estado com as forças de segurança, por sinal uma das bandeiras da direita.
Com o devido respeito, se não te conhecesse melhor, me cingisse à alegoria, e substituísse o termo "Estado" pelo termo "forças de segurança", quase diria tratar-se de um discurso bloquista.

Há, porém, quem vacile nessa caminhava que descreves por razões alheias à sua vontade, encontrando-se impossibilitado de continuar.
Deixemos as questões da obrigação moral e da ética de lado. Com o mais ínfimo esforço da entidade-Estado, o indivíduo enfermo pode ser socorrido de modo a recuperar a capacidade para seguir em frente.
Caso contrário, este pereceria sem cumprir os seus objectivos, e todo o potencial que teria para contribuir e enriquecer a sociedade ou a economia da Nação seriam igualmente perdidos.

Miguel Fonseca a 20 de Junho de 2009 às 16:34

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