O REPLICADOR

Junho 11 2009

Parte I - Ferrovias


Para alguns este título pode ser surpreendente, devido à normal atitude “hands off” no que toca à intervenção do estado na economia por parte dos escritores que participam neste blog. No entanto, tendo em conta a controvérsia que tem existido quanto a este tema na sociedade portuguesa, achei pertinente adereçá-lo, integrando-o num panorama macroeconómico, o qual tenho vindo a defender desde há alguns anos, com mais ou menos alterações. Não querendo soar como o incerto Rui Tavares, há três dias, no debate televisivo que muitos de vocês viram, não irei deixar tais questões estruturais por responder.

Sendo um crítico, talvez virulento, do constante investimento rodoviário feito em Portugal remeto para uma alternativa mais economicamente e ambientalmente sustentável, as vias-férreas. Não me interpretem mal, não sou um dos infinitos acólitos fanáticos do projecto TGV mas sim de uma rede estruturante que ligue o país e providencie a integração económica necessária ao melhor fluir dos mecanismos de mercado, aumento da procura externa e a uma maior independência energética do país. Qual é, então, o meu humilde “plano ferroviário”, e como poderá ele ser economicamente viável com tantas linhas não rentáveis por esse país fora?

A resposta pode parecer mais simples do que aparenta e remete, claro, para características únicas a Portugal as quais podem e devem ter um proveito económico sendo estas associadas ao turismo. Este sector representa uma parte importante da nossa economia e no entanto não tem a dimensão ou estruturação apropriada. Os turistas que vêm a Portugal centram-se em áreas muito específicas como Sintra, Lisboa ou o Algarve quer por desconhecimento ou por falta de alternativas ferroviárias.

Consequentemente, o estado português deveria usar e abusar das heranças históricas, as quais o levaram a estabelecer um rol de ligações preferenciais pelo mundo fora, mas também usar-se dos mais recentes vínculos criados com países da União Europeia ou países marcados pela emigração portuguesa. A rede de embaixadas espalhadas por este mundo fora deveria providenciar material muito mais variado e diversificado sobre Portugal e as suas diferentes regiões, DVD’s, revistas e livros deveriam estar disponíveis. Passes ferroviários com desconto poderiam representar um incentivo para a visita às nossas representações. A história conjunta que partilhamos com muitas partes do mundo tem que estar exposta mais assiduamente através de eventos culturais vários como representações históricas ou concursos de intercâmbio. As ligações com universidades estrangeiras deveriam ir muito para além da Europa de forma a expor outras populações ao nosso património, entre outros.
   
A nível interno, estabelecer um programa nacional de turismo é essencial, legislando a obrigatoriedade de estações de comboio e locais vincadamente turísticos terem disponível material, não só sobre os locais mais visitados, mas sobre todo o país. O Turismo no interior só não é mais amplo devido a este mesmo desconhecimento conectado à falta de vias de acesso. Consequentemente é fulcral ligar este “futuro” plano nacional ao investimento estatal nas vias-férreas. Não iríamos só ganhar dividendos económicos mas ao mesmo tempo diminuiríamos a poluição, a dependência dos combustíveis fósseis e a integração quer económica quer social do país.


Quanto à famigerada questão do TGV a minha posição é simples. Lisboa – Madrid sim, a linha do norte não. Ter uma ligação Lisboa-Madrid em duas horas é essencial para dar acessibilidade aos turistas espanhóis a Portugal de forma a enquadrar esta importante fonte de receitas no esquema ferroviário e turístico nacional. Estabelecer-se-ia uma alternativa eficiente ao transporte aéreo, além de uma ponte importante para a Europa. A linha do norte não é tão importante pois o retorno económico em causa não é tão favorável face ao investimento feito. Seria suficiente melhorar a linha do Alfa para maximizar o seu desempenho.
 

publicado por Diogo Santos às 14:36

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